Viagem ao passado…

Como articulista, costumo buscar histórias em lugares atípicos. As vezes essas buscas, podem nos fazer trilhar por estradas acidentadas do próprio coração, levando-nos a determinados lugares do passado. Há! Quando isso acontece…
Tenho amigos espalhados por várias localidades, mas apenas os vejo eventualmente, quando muito, converso raramente com eles através do celular. Fico imaginando como seria se tivesse um “lar doce lar”, com uma esposa, um casal de filhos e um gatinho para harmonizar o ambiente.
Morando em apartamento e trabalhando em home office, tenho como companhia Alexa, uma caixa de som inteligente da linha Amazon Echo. Um serviço de voz baseado em nuvem, que torna a casa mais conectada e interativa, disponibilizando músicas, previsão do tempo, notícias, entre outras ações.
Nesta minha atividade de articulista, às vezes é inevitável ausentar-me por alguns dias ou semanas. Recentemente em uma dessas viagens à procura de uma história, embarquei em um trem turístico, destes que oferecem lazer, cultura e história. Utilizando-se de locomotivas e vagões antigos e restaurados, proporcionam viagens nostálgicas.
Entre várias opções de roteiro disponíveis no estado de São Paulo, escolhi a “Maria Fumaça” que faz o itinerário entre Campinas-Jaguariúna. Uma viagem no tempo, com destinos que variam de roteiros curtos ou extensos, explorando uma determinada região.
Numa viagem de trem turístico, é possível ver paisagens deslumbrantes, como vales, montanhas e mar. Conhecer histórias e culturas regionais, como museus ferroviários e estações antigas. E degustar da culinária, como vinhos, queijos e cafés.
O que para muitos representa apenas coincidência, acredito que no meu caso, foi destino. Entre as belezas do trajeto, conversas, histórias e lembranças do tempo em que os trens reinavam absolutos, deparei-me com uma pessoa que me fez lembrar de alguém.
Como um mistério a ser desvendado, tomei a iniciativa de aproximar-me, e diante de uma conversa amistosa, confidenciei – Você se parece muito com uma pessoa que tive a oportunidade de conhecer na faculdade. Depois de um breve namoro, formados em áreas distintas, cada qual seguiu o seu destino.
Formada em Serviço Social, recordo-me que ela mencionou, que viria se aventurar nessa região de Campinas. Com um olhar, de certo modo misterioso, exclamou – Qual o nome dela completo? Sem titubear, passei-lhe todas as informações em detalhes. Para minha surpresa, ela respondeu – Carlos, você não me reconheceu? Sou à Sônia! Eu moro em Campinas.
Nesse momento, um flashback passou pela nossa cabeça. Decidido a reviver o passado, narramos juntos em minúcias, a história romântica que vivemos em 1976. Com uma voz embargada, declarei – Você foi o grande amor da minha vida! E continua sendo! Emocionada, tanto quanto eu, confidenciou – Eu nunca consegui esquecê-lo! E olha que eu tentei!
De volta do expresso turístico com o artigo rascunhado, comecei a digitá-lo, ouvindo através da assistente virtual Alexa, uma playlist com músicas da década de 70, entre elas, Feelings, com Morris Albert.
No final do artigo, diante de um futuro promissor, digitei uma frase que Sônia costumava dizer com frequência – A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida…
Autor
Carlos R. Ticiano
Articulista e romancista