FMI: economia marroquina no espelho de reformas

O Fundo Monetário Internacional (FMI), órgão mais importante internacionalmente, sede em Washington, Estados Unidos, sua equipe e especialistas mantiveram, 29 de janeiro a 11 de fevereiro 2026, audiências com autoridades marroquinas, no sentido de evaluar e apresentar um diagnóstico do desempenho econômico de Marrocos no último ano, diante dos investimentos atuais e impacto da estação chuvosa, excepcionalmente inhabitual, sobre o crescimento do PIB, o qual foi estimado para quase 5%.
Esta missão do FMI é de uma importância estratégica no monitoramento periódico e avaliação dos equilíbrios macroeconômicos e socioeconômicos do país, distinguindo-se neste processo a combinação de análise quantitativa e diálogo direto, dos atores institucionais, dos governamentais e privados, e dos relatórios dos especialistas do FMI no contexto marroquino, a título de espelho externo, e do progresso das reformas nacionais, e gestão das políticas públicas.
Conclusões
Com base nos projetos reais de investimento massivos na área industrial e infraestrutura, as conclusões positivas da missão, são sobre o fortalecimento de finanças públicas, da gestão dos riscos orçamentários, e do apoio às reformas estruturais e economia emergente, além dos progressos tangíveis no fortalecimento do quadro orçamentário de médio prazo, e da adoção de uma nova base fiscal, capaz de consagrar o equilíbrio fiscal e vínculo dos gastos às prioridades estratégicas do reino.
Face a isso, o desafio de desenvolver mecanismos precisos envolve o monitoramento dos riscos associados às instituições e empresas públicas, a sustentabilidade da dívida pública, e a transparência na comunicação sobre a gestão orçamentária.
Em relação à política monetária e a mudança da flexibilidade cambial, dado modelo econômico de Marrocos ( aberto e fechado), o relatório da missão da FMI, aponta Marrocos com capacidade de manter a inflação sob controle, em consonância com a atual política monetária do Banco central, e equilíbrio da oferta e demanda.
Para isso, o fortalecimento da resiliência do setor financeiro, o incentivo ao progresso da transição gradual da taxa de câmbio, flexibilidade para com o Dirham e metas de inflação, levou o FMI a saudar os esforços para com os empréstimos inadimplentes e a resiliência dos bancos, face aos desafios de choques do país emergente.
Sobre o investimento público, considerando-o como uma oportunidade para Marrocos, em termos da gestão de riscos de forma prudente, dos gastos dos setores de educação e saúde, do desenvolvimento do capital humano, da melhoria do acesso a serviços sociais e grupos vulneráveis, pilares fundamentais sobre os quais o FMI orienta a produtividade e crescimento econômico inclusivo e sustentável, dado problema do emprego e necessidade de reforma da governança do setor público, e da criação de empregos sustentáveis , reformas estruturais, capazes da neutralidade do mercado, do dinamismo do setor privado de pequenas e médias empresas (PMEs), pelo horizonte de 2030, às lacunas entre o sistema de formação e necessidades do mercado, do crescimento econômico, e oportunidades de emprego reais e produtivas.
Equilíbrios
Segundo o Fundo Monetário Internacional, os diversos indicadores da economia marroquina apontam a solidez da trajetória de desenvolvimento do Reino, o modelo bem-sucedido de parceria estratégica, e das instituições financeiras nacionais e internacionais, bem como do dinamismo econômico, dos projetos socioeconômicos, da estratégia geopolítica e geográfica, e das escolhas conscientes e abordagem de livre mercado , em harmonia com as especificidades nacionais.
Finalizando sobre a lacuna no mercado de trabalho, chamando para a revisão do Código do Trabalho e aumento da flexibilidade, numa filosofia puramente liberal das empresas com maior capacidade de adaptação às flutuações e crises do mercado, de processos de contratação e demissão de forma mais ágeis, de recomendações sem dissociar do equilíbrio político e social, bem como do diálogo institucional, da formulação de uma nova direção, fruto de um amplo debate do reino, dos parceiros políticos, da Confederação Geral das Empresas Marroquinas (CGEM), dos sindicatos, e do respeito do dinamismo econômico e direitos; e das conquistas fundamentais da classe trabalhadora, consequências do modelo da intensificação dos investimentos nos setores de formação e saúde, dois pilares essenciais do desenvolvimento da força de trabalho, das demandas tanto de investidores nacionais quanto estrangeiros, e da continuidade às reformas estruturais, exigências de flexibilidade econômica impostas do mercado global, da estabilidade social e do desenvolvimento humano sustentável.

Autor:
Lahcen EL MOUTAQI, Professor Universitário, Tradutor, Pesquisador sobre assuntos do Mercosul, Marroco e Brasil