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Espírito natalino…

Por edicao·
Espírito natalino…

Diante da rotina do dia a dia, Rafael talvez em função da sua atividade de jornalista, sempre em busca de assuntos para discorrer em sua coluna diária, sempre teve um olhar diferenciado no tocante ao que acontecia ao seu redor, em especial na época natalina.

Principalmente quando o assunto envolvia as necessidades básicas das pessoas, sejam elas de situação financeira, de carência afetiva, saúde física. Depois de um dia exaustivo, retornando para seu apartamento, resolveu passar em um supermercado.

De posse de um carrinho, começou a circular pelos corredores em busca de alguma coisa que pudesse preparar para o jantar, uma vez que mora sozinho. Desistindo de pilotar o fogão, resolveu de forma mais prática adquirir algumas porções de comidas prontas.

Retornando pelo corredor central, percebeu uma senhora de idade com uma cestinha nas mãos. Na realidade o que chamou a atenção de Rafael foi que ela observava, pegava alguns produtos e os devolvia na prateleira. Poucos produtos haviam em sua cestinha.

Era notório que os preços dos produtos a impedia de levar tudo o que constavam em sua listinha. Determinado a descobrir o real motivo, se aproximou e exclamou – Tudo tão caro! A senhora não acha?  Atenciosa respondeu – Tem razão! Com a aposentadoria que recebo está cada vez mais difícil comprar tudo do que preciso.

Estou avaliando os preços diante do dinheiro que tenho disponível, para não chegar no caixa e por conta de não ter o suficiente, ter que retirar alguns produtos. Neste instante Rafael se lembrou do tempo em que mesmo não precisando, sua mãe fazia questão ajudar nas despesas.

Depois de um breve diálogo, se dizendo com pressa, cada um seguiu seu itinerário em busca do que precisavam comprar. Coincidência ou destino, ao se aproximar de um caixa qualquer, visualizou a senhora do encontro casual sendo atendida. Produtos na esteira, produtos registrados e no visor da tela o valor a ser pago.

Depois de tirar da bolsa as cédulas e algumas moedas, tentando somar com uma certa dificuldade devido as suas mãos trêmulas, as entregou para o caixa e disse – Por favor! Confere se é o suficiente para pagar as compras! A moça que a atendia no caixa respondeu – Não! Isso é tudo o que a senhora tem?

Percebendo a situação embaraçosa em que ela se encontrava, Rafael não pensou duas vezes e sacou algumas cédulas do bolso. Se aproximando do caixa exclamou – A senhora deixou cair esse dinheiro da sua bolsa. Surpresa, um tanto incrédula, agradeceu e pegou o dinheiro.

Na sua vez de passar pelo caixa, está o interpelou – Você a ajudou a pagar as contas ou estou enganada? Você está certa! Era o mínimo que eu podia fazer, respondeu Rafael a jovem que o atendia no caixa. Se houvesse mais solidariedade e espírito natalino entre as pessoas, o mundo seria bem melhor.

De saída, passando pela porta em direção do estacionamento, como se o estivesse esperando, Rafael foi abordado propositadamente pela senhora a quem ajudou a pagar as compras. Indo direto ao assunto, exclamou – Tenho certeza de que não tinha mais dinheiro na bolsa. Você me ajudou a pagar as contas, não é?

Era o mínimo que eu poderia fazer. Considerando que a senhora me faz lembrar-me da minha mãe, que quando morava comigo, mesmo não precisando, fazia questão de pagar o condomínio. Refletindo, ela exclamou – Se todas as mães tivessem filhos como você, não teriam tantos idosos morando sozinhos ou reclusos em um asilo.

Diante da realidade da vida que nos impõe limites, ambos visivelmente emocionados se abraçaram e se despediram, seguindo cada qual o seu caminho.

Autor:

Carlos R. Ticiano

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