Um momento feliz


Levantei-me cedo e fui até a janela do meu apartamento, esperando apenas mais um dia comum. Mas ali, diante dos meus olhos, encontrei a felicidade sutil e inesperada. O céu estava azul, sem uma nuvem que ousasse apagar o esplendor da manhã. O sol banhava tudo com sua luz dourada, e senti meu peito pulsar forte, em harmonia perfeita com a beleza que só a vida pode oferecer.
Naquele instante, o barulho costumeiro da cidade parecia ter se calado. Não havia o ronco dos carros, nem a sinfonia inquieta das sirenes. Só o som das coisas que nos fazem sorrir tomava conta do meu interior: o canto dos pássaros, o riso das crianças vindas do parque ao lado, a esperança silenciosa que invade quem acredita no amor.
Pensei então no nascimento de uma criança, esse milagre que renova a espécie humana e nos lembra da nossa continuidade. Meu peito transbordava felicidade, tão intensa que me fazia crer na vida eterna e na presença de Deus em cada detalhe do mundo. Sentia-me parte desse planeta majestoso, um pássaro comum entre tantos, cantando minha própria melodia de gratidão.
Lá fora, um sabiá solitário entoava sua música. Não sei ao certo para quem ele cantava — talvez ao mundo, talvez à sua amada. Mas naquele momento, eu também queria gritar para todos como estava feliz, como tudo podia ser belo, apesar das dores e dos absurdos que insistem em nos rondar.
Não quero deixar este mundo. Aqui tudo pode ser felicidade, mesmo que alguns insensatos tentem incendiá-lo com guerras e destruição. Por favor, parem! Vocês estão ferindo a própria casa, nossa única mãe, que já existia antes de qualquer um de nós nascer. Ela não é uma bruxa a ser queimada na fogueira. Por favor, não manchem mais esse nosso céu azul com o vermelho do sangue.
É preciso lembrar, mesmo nos dias mais escuros, que a felicidade é feita desses pequenos instantes. Basta abrir a janela e deixar que a vida nos surpreenda.