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sábado, 24 de janeiro de 2026

Crise do metanol pressiona bares e restaurantes a rever comunicação com o público

Com mais de 200 casos de intoxicação por metanol no Brasil, bares e restaurantes enfrentam o desafio de proteger sua imagem em meio ao medo e à desinformação

A recente onda de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas acendeu um alerta em todo o país. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no último domingo (05/10), já são 225 casos notificados, sendo 16 confirmados e 209 em investigação. O estado de São Paulo concentra a maioria dos registros, com 192 notificações e dois óbitos confirmados.

Embora a origem das bebidas contaminadas ainda esteja sob investigação, o impacto na reputação de bares e restaurantes é imediato. O medo do consumidor, somado à circulação de boatos e listas falsas nas redes sociais, tem gerado queda no consumo de destilados e colocado em xeque a credibilidade de estabelecimentos que sempre atuaram com responsabilidade.

Renan Bulgueroni, CEO da Hawkz, empresa especializada em reputação digital no Brasil e Espanha, alerta: “Em crises como essa, a reputação precisa ser tratada com tanto cuidado quanto a própria operação”. 

Estratégias para enfrentar a crise

O especialista da Hawkz recomenda que bares e restaurantes adotem medidas proativas para preservar sua imagem:

Comunique com empatia e autenticidade

“Mesmo que o bar ou restaurante só trabalhe com bebidas seguras e homologadas, a emoção do cliente dita a forma como ele percebe a situação”, explica Bulgueroni. Por isso, a comunicação deve acolher o medo do consumidor, evitando mensagens genéricas e frias. Um posicionamento claro e humanizado reforça a credibilidade e o vínculo com o público.

Valorize a força dos porta-vozes e fornecedores

Segundo Renan, vídeos curtos com distribuidores homologados explicando a procedência dos produtos podem gerar mais confiança do que comunicados tradicionais. Da mesma forma, o dono ou gerente deve se posicionar publicamente, usando uma linguagem direta, empática e transparente.

Amplie o cardápio com alternativas seguras e criativas

“Inovar no cardápio é uma forma eficaz de manter o movimento e demonstrar responsabilidade”, afirma o especialista. Apostar em mocktails (drinks sem álcool), cervejas artesanais, vinhos, kombuchas e coquetéis fermentados, como a Michelada ou o Clericô, mostra atenção às novas demandas do público e pode gerar novas oportunidades de consumo.

Avalie a suspensão estratégica de destilados

Para alguns estabelecimentos, suspender temporariamente a venda de destilados pode ser percebido como um gesto de responsabilidade. “A medida deve vir acompanhada de alternativas que mantenham o faturamento e a atratividade do cardápio”, ressalta Bulgueroni.

Monitore e responda com agilidade

“O silêncio nunca é a melhor resposta”, reforça o especialista. É essencial acompanhar redes sociais, identificar boatos e acusações infundadas e agir rapidamente, sempre por meio de um porta-voz oficial. O monitoramento digital contínuo ajuda a conter crises e a reforçar a transparência do negócio.

Reputação se constrói com atitude

“Em momentos de crise, não é apenas a procedência que importa, mas a forma como você consegue se comunicar com empatia, clareza e autenticidade. O consumidor quer sentir que você está preocupado com ele”, reforça Bulgueroni. 

Portanto, é assim que bares e restaurantes poderão atravessar esse momento: não apenas sobrevivendo, mas saindo da crise mais fortes.

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