Um “filosofo” na praça


Não é sempre, mas vez ou outra bebo um chope lá na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, onde também vendo meus livros.
É uma praça cheia de tradição. Lá acontece uma feira aos sábados, onde há barracas de antiguidades, praça de alimentação, música, barracas de quase tudo; inclusive, ao seu redor, há bons restaurantes, onde se pode degustar uma boa comida mineira no tradicional Consulado Mineiro. Lá também existe um restaurante especializado em comida típica japonesa e, claro, não poderia faltar comida baiana, com o tradicional acarajé.
Enfim, aos sábados, essa praça fica lotada: gente daqui gente de lá, ou seja, muitos turistas — ora de cidades do próprio estado de São Paulo, ora de outros estados.
Lá, tenho um amigo, o Tom, engenheiro civil muito simpático, que ganha uns trocados a mais nos finais de semana vendendo chopes. Ficamos amigos assim, entre um chope gelado e outro, jogando conversa fora. Ele, demonstrando apreço pela nossa amizade, serve-me o caneco cheio, sempre com desconto.
Dia desses, numa conversa, meu amigo engenheiro resolveu filosofar e fez uma comparação bem interessante. Disse ele: nesta vida, podemos nos comparar a quem está numa escada rolante. Observe: uma parte das pessoas fica quietinha do lado direito da escada, aguardando que ela as leve ao topo, deixando o lado esquerdo livre para quem não tem paciência de esperar. E é aí que se dá a diferença entre os indivíduos nesta vida. Enquanto uns esperam a escada levá-los até o topo, economizando energia, outros os ultrapassam pela esquerda, correndo, sem se preocupar com o esforço, vencendo os degraus antes mesmo que a escada os leve; isto é, não esperam a escada — que nem é tão lenta assim. Mas esses que sobem pela esquerda, superando a velocidade da própria escada, provavelmente são assim também em suas vidas: com atitudes proativas, independentes, não esperam por ninguém para tomar uma decisão.
Olhei para ele e disse: “Tom, você seria um grande filósofo. Brilhante essa sua afirmação.”
Enche meu copo mais uma vez — hoje o céu está lindo…
Meu grande amigo, Tom, o que você disse pode não ser para todos, mas a maior parte dos cidadãos que agem assim são os verdadeiros vencedores, seja qual for a área em que atuem.
O dia está indo, veja que lindo pôr do sol…
Este é meu último copo. E obrigado pela lição de vida, meu amigo, engenheiro e “filosofo”.
Até o próximo sábado…