IA muda dinâmica da jornada do consumidor e desafia estratégias tradicionais de marketing

A Inteligência Artificial (IA) está remodelando a forma como consumidores interagem com marcas, redefinindo o marketing digital e desafiando estratégias tradicionais. Segundo a Gartner, 63% dos líderes de marketing planejam aumentar os investimentos em IA generativa até o final de 2025.
O movimento não se limita a planos futuros: mais de 72% das empresas em todo o mundo já utilizavam a tecnologia em 2024, um salto em relação aos 55% registrados em 2023, de acordo com a McKinsey. O impacto projetado diz que, até 2030, a IA pode adicionar US$ 15,7 trilhões à economia global, conforme o estudo da PwC.
“A aplicação da IA já se estende desde a otimização logística até recomendações personalizadas, tornando o consumo mais dinâmico e eficiente. O impacto econômico promete ser trilionário até 2030, sinalizando que estamos apenas no início de uma era de transformações profundas no comportamento do consumidor e nas estratégias empresariais”, explica o CEO da IDK, consultoria de marketing, comunicação e tecnologia, Eduardo Augusto.
Adoção no Brasil: foco no relacionamento com clientes
O mercado brasileiro acompanha essa tendência. Cerca de 41% das empresas brasileiras já utilizam IA no dia a dia, segundo pesquisa da IBM. Esse percentual cresce rapidamente à medida que as companhias buscam ferramentas de personalização, atendimento inteligente e análise preditiva. O impacto é visível: experiências mais ágeis, recomendações customizadas e jornadas de compra mais fluidas.
Essa transformação também reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Pesquisas indicam que clientes valorizam processos rápidos, recomendações baseadas em interesses pessoais e atendimento disponível em qualquer horário.
De acordo com a Forrester, 49% das empresas esperam retorno sobre os investimentos em IA entre um e três anos, enquanto 44% projetam resultados em até cinco anos.
“A pressão por retorno rápido está levando empresas a pensar diferente sobre seus processos. A IA deixou de ser um experimento de inovação para se tornar um ativo estratégico fundamental. Quem conseguir implementar com eficiência e manter o uso ativo dessa tecnologia, especialmente no relacionamento com o cliente, sairá na frente em competitividade e percepção de marca”, avalia Augusto.
Desafios: uso pontual versus estratégia robusta
Apesar do entusiasmo, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar o uso pontual de ferramentas de IA em estratégias robustas. Pesquisa da Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral mostra que apenas 14% das empresas brasileiras possuem metas claras para projetos de IA.
Segundo Eduardo, parte desse desafio vem da percepção equivocada de que uma implementação eficaz requer altos investimentos em infraestrutura e equipes especializadas. “Embora isso fosse verdade em décadas passadas, o cenário atual é diferente. Hoje existem soluções acessíveis que permitem escalar resultados rapidamente, sem depender de estruturas pesadas ou grandes times internos. Mas é claro que isso não significa que tudo funcione de forma mágica: sem objetivos claros, governança de dados e visão estratégica, a IA pode acabar virando só mais uma ferramenta mal utilizada no meio de tantas outras”, pondera.
Qualificação automatizada de leads 24/7
No segmento B2B, a automação de vendas se tornou um diferencial competitivo, com plataformas como RD Station e HubSpot liderando a revolução. É o caso de uma solução pioneira desenvolvida pela IDK, que integra RD Station, ChatGPT e WhatsApp, criando uma jornada de atendimento inteligente e automatizado.
Eduardo explica que o fluxo da solução é simples, mas altamente funcional. “Ao preencher o formulário disponível no site, o prospect é imediatamente contactado pela Nina, assistente virtual inteligente, via WhatsApp. A Nina não apenas coleta informações, mas qualifica o lead de forma conversacional, salva todo o histórico em banco de dados, cria automaticamente uma nova negociação no CRM RD Station e ainda agenda reuniões conforme a disponibilidade”, destaca.
Segundo o especialista, isso elimina o tempo de resposta entre o interesse do cliente e o primeiro contato comercial. “Criamos essa solução para que a assistente conseguisse qualificar leads com a mesma eficiência de um SDR experiente, mas sem limitações de horário ou volume de atendimento”, ressalta Eduardo Augusto.
A solução representa uma evolução natural das ferramentas tradicionais de CRM, mostrando como a integração inteligente entre diferentes plataformas pode gerar ganhos significativos em agilidade e escala.
A adoção da IA não é mais um diferencial, mas um requisito para competir em um mercado cada vez mais dinâmico e orientado por dados. Casos como o da Nina mostram como as empresas brasileiras estão conseguindo transformar tecnologia em resultados concretos: mais agilidade no funil de vendas, eficiência operacional e experiências mais personalizadas para o consumidor.
Ainda assim, o avanço exige cautela e consciência: é preciso alinhar a tecnologia com os objetivos reais do negócio, evitando a armadilha de adotar IA apenas por tendência ou pressão de mercado.
“A IA tem o potencial de romper muitas barreiras, especialmente no varejo, onde ela pode eliminar gargalos históricos como a perda de leads, o atendimento demorado e as campanhas genéricas. Mas o sucesso real só vem quando a tecnologia é usada com propósito. A automação por si só não resolve, ela precisa estar conectada a uma estratégia de relacionamento consistente e inteligente”, finaliza Eduardo Augusto.