Início Emprego O fenômeno da demissão silenciosa

O fenômeno da demissão silenciosa

0
18/11/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Último dia de Feira de Oportunidades reune centenas de desempregados em busca de vagas | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

Tudo começou na China, onde funcionários sobrecarregados e esgotados em todo o país chegaram simultaneamente à conclusão de que o trabalho não vale o sacrifício contínuo de sua saúde e bem-estar. Lá, ele recebeu o nome de tang ping ou ‘deitado’ – onde ‘plano’ é realmente o padrão, nem mais nem menos do que se espera que alguém faça em sua função. Por outro lado, ‘levantar’ significa colocar esforço adicional para se destacar. Vale a pena notar que em chinês, a palavra para ‘plano’ também significa pacífico e harmonioso.

Então, um pouco no início de 2022, um vídeo do TikTok chamou de ‘quiet quitting’, e o termo decolou nas mídias sociais, onde desde então se tornou sinônimo de direito ou limites saudáveis, dependendo de quem está comentando. Mas a própria frase “desistir silenciosamente” ou “demissão silenciosa” é um equívoco grosseiro. 

Os funcionários que optam por não ir além estão, na verdade, ainda fazendo seu trabalho – o que são pagos para fazer. Eles não pararam de trabalhar, nem a qualidade de seu trabalho mudou. Eles não estão fazendo menos do que é exigido de sua função. A maioria deles nem perdeu o interesse em seus empregos. Em outras palavras, eles não desistiram.

Portanto, não é de surpreender que o debate nas mídias sociais envolve uma quantidade considerável de resistência por parte dos funcionários que decidiram ‘ficar quietos’. Do outro lado do debate, as pessoas que são mais contra a prática de ‘deitar-se’ tendem a discordar da ideia de que os funcionários não querem fazer mais do que aquilo para o qual são pagos. 

Em um negócio com fins lucrativos, um funcionário que vai além – que oferece mais valor do que o salário justifica – certamente será altamente desejável. E se esse funcionário parar repentinamente de fornecer esse valor extra não pago, o empregador obviamente não ficará feliz – porque agora terá que pagar mais para obter a mesma quantidade de trabalho.

Isso é compreensível: é da natureza humana recuar quando se recebe algo de graça e de repente lhe é retirado. Entretanto, quando esse algo gratuito é o trabalho de outra pessoa, que, além disso, reverte para seus próprios lucros sem nenhum retorno para eles, não é fácil justificar o retrocesso.

Em vez disso, os empregadores ou gerentes têm todo o direito de acreditar que devem sempre receber mais do que estão pagando. Ir além é um presente que um funcionário dá a uma empresa, e se o funcionário optar por parar de dar – seja porque se sente não recompensado ou simplesmente porque não é mais capaz de dar – seria nada menos que mesquinho denegrir e rotular erroneamente o funcionário, ao invés de apreciar o que ele deu até agora. 

Para isso é necessário consultorias de recursos humanos, como a Tribo, que atua na cultura, desenvolvimento e gestão organizacional das organizações, apoiando a evolução de negócios e seus líderes. A Tribo age diretamente visando o objetivo de implementar mudanças que valorizem os funcionários e os engaje. O lema da empresa é justamente que todos os problemas de negócios são na realidade um problema enorme de pessoas e essa é justamente o X da questão.

Como bons gerentes e líderes, é hora de recuperar uma noção adequada de quanto vale o tempo e o trabalho dos funcionários e entender que fazer o que alguém é pago para fazer é, na verdade, o padrão. É hora de parar de tomar como certo o valor extra que nossos semelhantes fornecem. Começando, talvez, com o reconhecimento de que as pessoas que ‘ficam deitadas’ ainda estão fazendo seu trabalho.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile