23 C
São Paulo
terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A evolução da educação bilíngue no cenário pós-pandemia

Em um mundo cada vez mais pluricultural e globalizado, a educação bilíngue tem conquistado um importante espaço no cenário educacional. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC) divulgados em 2021, o Brasil conta, atualmente, com mais de 1,2 mil escolas bilíngues. Além disto, a Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi) aponta um aumento entre 6% e 10% no número de escolas deste segmento nos últimos seis anos no país.

Diversos fatores foram responsáveis por este crescimento, como a necessidade do uso de uma língua adicional no dia a dia, os avanços tecnológicos que nos colocam em contato com pessoas de diversos países; o mercado de trabalho cada vez mais competitivo; a preocupação das instituições de ensino em formar alunos preparados para o mercado e para a vida; a cobrança de pais, mais exigentes por uma educação em duas línguas e de qualidade; e, ainda, a concorrência entre as escolas que oferecem programas bilíngues.

O impacto da pandemia para a educação bilíngue

No entanto, nos últimos dois anos, a pandemia de Covid-19 impactou fortemente diferentes setores, em especial, a área educacional e, consequentemente, a educação bilíngue. Com o distanciamento social, as instituições precisaram adaptar-se à uma nova realidade, em que a tecnologia ganhou um papel fundamental e indispensável, tanto para os alunos quanto para as escolas e docentes. A utilização de recursos tecnológicos possibilitou a realização das aulas remotas, tornando-as mais interativas e dinâmicas.

O fato é que o uso da tecnologia auxilia todo o ecossistema educacional e uma das maneiras mais efetivas para promover o engajamento e a aquisição da língua com naturalidade é a utilização de recursos multimídia, que possibilitam um fácil acesso à linguagem autêntica do nativo da língua, variedade de gêneros, estilos e situações diversas, tornando o processo mais fluido para os alunos. Neste contexto, as escolas tradicionais tiveram que investir em plataformas para transmissão das aulas, bem como em equipamentos para o ensino no modelo híbrido. Enquanto os programas bilíngues, precisaram aprimorar suas plataformas digitais ou desenvolvê-las para quem ainda não as utilizava.

Com este rápido desenvolvimento tecnológico, surgiram incontáveis soluções para auxiliar o ensino online, mas nem todos sabiam utilizá-las da melhor forma, inclusive o corpo docente.  Neste sentido, a formação dos educadores tornou-se prioritária a fim de aprimorar o uso e a familiaridade com as ferramentas digitais, transformando a maneira com que os docentes ministrassem suas aulas.

Outro fator que influencia diretamente a educação bilíngue é a interação entre os alunos, bem como entre aluno-professor. Este é um processo feito de vivências, de práticas, de exposição à língua e de encorajamento para o uso do idioma. Desta forma, o professor precisou capacitar-se para trazer o dinamismo necessário para a tela do computador, já que não tinha mais o contato presencial com os alunos, e com a tarefa adicional de motivá-los.

Formação de bilíngues: educando em dois idiomas

Embora o Brasil tenha avançado e conquistado um importante espaço no desenvolvimento de soluções bilíngues, é preciso ampliar os olhares e investir em algo ainda maior: a formação de bilíngues.

É importante ressaltar que, mais do que ensinar um idioma adicional aos alunos, a educação bilíngue consiste em educar em duas línguas, com dois idiomas de instrução transitando na base curricular, desenvolvendo, assim, um sujeito integral – independente da língua de instrução -, com habilidades e competências e trabalhando as funções executivas e cognitivas.

Assim, a educação bilíngue, mais do que nunca, torna-se intrínseca às principais necessidades demandadas para o desenvolvimento profissional e pessoal. Seguindo essa tendência, as escolas têm se mostrado mais preparadas tecnologicamente e os professores cada vez mais aptos digitalmente. E este é o caminho.

Ao passo que a língua é vista como um meio de instrução dentro de uma educação global e significativa para o aluno, mais do que ensinar um idioma adicional, é preciso dedicar-se à formação de bilíngues, com metodologias que desenvolvam integralmente o aprendizado do aluno para que ele não aprenda apenas “outra língua”, mas que absorva e compreenda tudo também “em outra língua”.

Autor:

Rone Costa é Gerente de Desenvolvimento e Relacionamento do Systemic Bilingual, programa pioneiro de educação bilíngue no Brasil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Imagem em Destaque

Leia mais

Patrocínio

Genebra Seguros
Bristol