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O cintilar de uma adolescente

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Arrumando suas malas para a viagem de seus sonhos, Ana não acreditava que aquele dia havia chegado.

Ela esperou por quatro anos aquela data e, enfim, ela faria a viagem de seus sonhos.

Com seus dezessete anos e uma cabeça de dar inveja a qualquer mulher de quarenta e cinco, ela tinha certeza que era possível sonhar e concretizar qualquer sonho.

Ao ir em direção à aeronave, seu coração pulsava descompassadamente.

A alegria de estar ali, realizando aquele sonho, a fez agradecer ao Universo por aquele momento único.

Em sua primeira viagem solo, não titubeou em fazer novas amizades. Despachada por si só, ela ganhava o mundo e sentia que não tinha limites para alcançar seus objetivos. Acreditando nisso, ela ousou brilhar como nunca.

Seu sorriso encantador e sua malemolência eram suas marcas registradas e ela conquistava a todos ao seu redor, sem fazer muito esforço. Transbordando simpatia, fez amizades que tinha certeza que ia levar para o resto da vida.

Os dias em que ficou longe de casa, aproveitou cada instante como se fosse único e fez valer a pena cada centavo gasto para aquela viagem tão esperada e não se importava com mais nada além de viver aquele momento.

Entre uma festa e outra, decidiu fazer uma caminhada sozinha ao longo daquela praia maravilhosa e encontrou a solitude. Ela acreditava que aquela viagem seria marcante pelas conquistas, seja de amizades ou amores, que faria, mas esse encontro com ela mesma foi um dos momentos mais marcantes da viagem. Ali ela se deu conta do quanto precisava se reenergizar para voltar para aquele mundo novo que lhe era apresentado. Sentiu que aquele momento de introspecção seria o ponto de partida para uma nova forma de ver a vida.

Ao voltar para participar das outras festas, ela se sentiu revigorada com o breve momento que teve em sua própria e única companhia.

Percebeu, então, que tudo fazia sentido: viajar sozinha, estar sozinha e estar feliz com sua própria companhia, pois isso lhe bastava.

Autora:

Patricia Lopes dos Santos

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