Debruçada na janela, Côco, como era chamada amavelmente pelos mais próximos, observava de longe uma gata pulando o telhado da vizinha para resgatar seu filhote que miava sem parar.
Por alguns instantes, Côco pensou em ir ajudá-la, mas se conteve e ficou observando a desenvoltura daquele bichano, driblando tudo que era troço que estava na frente dele para salvar seu precioso bebê.
Em um dado momento, percebeu que o bichano hesitou em pular de um muro para o outro porque a distância era muito grande, mas, ele lembrou-se de quem era e achou outro caminho para chegar ao seu destino.
Ao ver a imagem daquele reencontro, a sensação de aconchego daquele filhote no colo de sua mamãe, fez com que Côco mergulhasse numa profunda nostalgia.
Debulhando-se em lágrimas, Côco ficou enamorando aquela cena e quis ter ao seu lado sua doce mãe que partira há poucos anos para outra vida.
Lembrou-se, então, o quanto era acolhedor o colo de sua mãe e no tanto que ela se sentia energizada ao vê-la todos os finais de semana.
Pegou o porta-retrato que estava ao lado de uma vela acesa no criado-mudo e ficou desenhando com os dedos aqueles cabelos prateados e parou diante da doçura do olhar de sua mãe.
Como ela desejou voltar no tempo. Como ela queria ter falado mais que amava sua mãe.
As lágrimas corriam em seu rosto e as lembranças não pararam por aí.
Sentiu um misto de sentimentos: revolta por não ter mais sua mãe ao seu lado e gratidão pelo Universo por ter permitido que ela vivesse seus quarenta e poucos anos ao lado daquela mulher que era puro coração.
Repentinamente, o cheiro suave de sua mãe tomou conta do ambiente. Côco sentiu a presença da mãe e, com a voz embargada, disse “te amo, mãezinha”.
Ao voltar sua atenção para a janela, Côco suspirou aliviada por ter visto um final feliz do reencontro dos bichanos e pensou no quanto o amor e instinto maternal prevaleciam em qualquer situação.
Ao se virar novamente, do nada, percebeu que a vela havia aumentado a sua chama, o que a fez concluir que sua doce mãe estivera ali e que havia recebido a mensagem de amor que Côco tanto quisera dizer à ela.
Autora:
Patricia Lopes dos Santos