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	<title>Nagasaki &#8211; Jornal Tribuna</title>
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		<title>Um Outro ‘Ovo da Serpente’ Está Rachando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Carvalho-Bastos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Jun 2025 21:43:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências]]></category>
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					<description><![CDATA[Da bomba de Nagasaki à destruição em Gaza, o mundo revela uma nova guerra silenciosa por domínio geopolítico. O “ovo da serpente” está rachando — e a serpente já está entre nós.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Um Outro ‘Ovo da Serpente’ Está Rachando</strong><br><em>Por Marcelo Carvalho-Bastos</em></p>



<p><strong>Da bomba de Nagasaki aos conflitos contemporâneos, sinais de uma nova hegemonia global se manifestam sob a lógica do domínio e da destruição calculada.</strong></p>



<p>Atualmente, perto do aniversário de 80 anos da bomba de Hiroshima, o mundo volta a exibir rachaduras já conhecidas — só que em novos formatos. Desde a explosão da bomba atômica sobre Nagasaki, em 1945, entramos numa nova fase da história. Aquilo não foi apenas o encerramento de uma guerra. Foi o nascimento de outra coisa: a era da dominação total, da dissuasão por medo, da violência justificada em nome da “paz”.</p>



<p>É por isso que chamo esse processo — que começou ali, mas nunca cessou — de “O Ovo da Serpente”, numa referência ao filme de Ingmar Bergman. A serpente já estava dentro do ovo: a lógica do poder absoluto, da hegemonia global e da banalização da violência. Hoje, esse ovo está rachando. E o que sai dele tem forma moderna, mas essência antiga.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading"><a>Uma guerra sem nome — mas real</a></h3>



<p>Enquanto muitos tratam os conflitos atuais como episódios isolados — a guerra na Ucrânia, os bombardeios em Gaza, os ataques no Mar Vermelho — é preciso observar o padrão: estamos vivendo uma nova guerra mundial, não-declarada, multifrontal e estratégica. Segundo a <a href="https://www.un.org" data-wpel-link="external" target="_blank" rel="nofollow external noopener noreferrer">ONU</a>, os impactos geopolíticos dessas crises armadas ultrapassam fronteiras locais.</p>



<p>Os Estados Unidos estão envolvidos, direta ou indiretamente, em pelo menos cinco grandes conflitos armados neste momento:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Na Ucrânia, com financiamento, armamento e articulação via OTAN;</li>



<li>Em Gaza, apoiando Israel política, militar e economicamente;</li>



<li>Na Síria e no Iraque, com tropas e ataques contra resquícios do Estado Islâmico;</li>



<li>No Iêmen, com bombardeios contra os Houthis;</li>



<li>E em regiões da África, como a Somália, com operações antiterrorismo.</li>
</ul>



<p>Além de alguns outros eventos menores, utilizando drones. Esses não são eventos isolados. São peças de um jogo geopolítico maior, no qual o uso do poderio militar serve para garantir controle estratégico, zonas de influência e acesso a recursos vitais.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading"><a>A motivação: hegemonia total</a></h3>



<p>Diferente das guerras do século XX, que se motivavam por conquistas territoriais e rivalidades nacionalistas, as guerras de hoje são motivadas por um objetivo mais amplo e mais frio: a manutenção da hegemonia global.</p>



<p>Não se trata mais de fincar bandeiras em solo estrangeiro, mas de controlar rotas comerciais, reservas minerais, corredores logísticos, alianças políticas e fluxos de informação. A guerra tornou-se sistêmica. Ela não precisa ser anunciada. Basta que funcione.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading"><a>Quando “loucura” é cálculo</a></h3>



<p>Muito do que parece delírio é, na verdade, estratégia. A proposta de Donald Trump de comprar a Groenlândia, transformar o Canadá no 51º estado americano, ou “cobrar” a ajuda militar à Ucrânia com recursos minerais ucranianos, não são apenas devaneios exóticos. São sinais públicos de uma mentalidade imperial, em que cada território tem um valor estratégico — seja pelo que produz, pelo que conecta ou por quem ameaça.</p>



<p>A retórica de retomar o Canal do Panamá segue a mesma lógica: não é apenas nostalgia de um passado de controle, mas o desejo de restaurar pontos-chave de circulação global sob comando americano, num mundo cada vez mais multipolar.</p>



<p>E os balões “misteriosos” avistados sobre os Estados Unidos e a Coreia do Sul — atribuídos à China e à Coreia do Norte — também não são episódios banais ou folclóricos. São testes de reação, mensagens aéreas, provocativas, simbólicas, com intenção clara de reposicionar o eixo das atenções militares e diplomáticas. São, em linguagem geopolítica, atos de presença. E quando a presença é no céu, sobre o território rival, a simbologia é explosiva.</p>



<p>Esses gestos — por mais caricatos que possam parecer à primeira vista — fazem parte de um novo teatro de guerra onde imagem, percepção e intimidação são tão eficazes quanto o disparo de um míssil.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading"><a>Gaza: um posto avançado em formação</a></h3>



<p>O que ocorre em Gaza é mais do que uma guerra contra o Hamas. Trata-se de uma reconfiguração regional. A brutalidade dos ataques, a destruição massiva e o esvaziamento de populações civis apontam para algo mais profundo: a consolidação de Israel como uma extensão direta da presença americana no Oriente Médio.</p>



<p>Um ponto estratégico, armado e permanentemente posicionado entre Irã, Síria, Arábia Saudita e Egito. Não é apenas guerra. É arquitetura geopolítica. Essa interpretação é sustentada inclusive por especialistas da ONU, que veem em certos ataques ações que podem configurar extermínio deliberado de civis, como exposto na reportagem da Reuters:</p>



<p><a href="https://www.reuters.com/world/middle-east/israel-commits-extermination-gaza-by-killing-schools-un-experts-say-2025-06-10" data-wpel-link="external" target="_blank" rel="nofollow external noopener noreferrer">https://www.reuters.com/world/middle-east/israel-commits-extermination-gaza-by-killing-schools-un-experts-say-2025-06-10</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading"><a>O recado de Nagasaki</a></h3>



<p>Costuma-se dizer que Hiroshima foi um “mal necessário”. Mas Nagasaki foi uma mensagem. A segunda bomba não era necessária do ponto de vista militar. Foi usada como sinal: para mostrar ao mundo quem passaria a ditar as regras dali em diante.</p>



<p>Desde então, o “ovo” continuou sua gestação. E a cada conflito não resolvido, cada guerra por procuração, cada silêncio diplomático diante de massacres, novas rachaduras surgem.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading"><a>A serpente está entre nós</a></h3>



<p>A guerra moderna não se parece com as do passado. Ela é contínua, fria, indireta e altamente tecnológica. Usa drones, sanções, desinformação e alianças instáveis. E o mais assustador: tornou-se normal.</p>



<p>Estamos cercados por frentes de batalha, mas distraídos. Vivendo sob um estado de exceção permanente, mas sem declarar emergência. A hegemonia global se sustenta não só pela força, mas pela naturalização da guerra como ferramenta de ordem.</p>



<p>O “Ovo da Serpente” não é mais apenas uma metáfora. Ele está aqui. E está rachando.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<p><strong>Marcelo Carvalho-Bastos</strong></p>



<p><em>Documentarista, roteirista e engenheiro. Pesquisa temas ligados à ética, poder e sistemas sociais.</em></p>



<p><strong>Nota sobre o título:</strong><br>O título deste artigo faz referência ao filme <em>O Ovo da Serpente</em> (<em>The Serpent’s Egg</em>, 1977), dirigido por Ingmar Bergman. A obra se passa na Berlim dos anos 1920 e retrata a atmosfera de desagregação social e moral que precedeu a ascensão do nazismo. A metáfora do &#8220;ovo da serpente&#8221; sugere a ideia de que, mesmo antes da eclosão de um mal evidente, seus sinais já estão incubados e visíveis para quem deseja enxergar. O conceito foi adaptado aqui para refletir o cenário geopolítico contemporâneo, onde a violência estratégica e o domínio hegemônico se desenvolvem sob aparente normalidade.</p>
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