<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>humor &#8211; Jornal Tribuna</title>
	<atom:link href="https://jornaltribuna.com.br/tag/humor/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://jornaltribuna.com.br</link>
	<description>O seu portal de notícias e artigos científicos</description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Apr 2026 13:28:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>
	<item>
		<title>As 3 peneiras e Sócrates, no mundo digital</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/04/as-3-peneiras-e-socrates-no-mundo-digital/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/04/as-3-peneiras-e-socrates-no-mundo-digital/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[Influenciadores]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=196554</guid>

					<description><![CDATA[Nos anos 1960, no Curso Primário, hoje Ensino Fundamental, a escola exigia muita leitura, mas de livros, não sites ou Blogs. Íamos à Biblioteca Municipal para ler ou pegar livros emprestados. Não existiam Internet (pena), nem Influenciadores Digitais (graças a Deus). Foi por isso que eu e todos os meus amigos aprendemos a pensar. Bem, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos anos 1960, no Curso Primário, hoje Ensino Fundamental, a escola exigia muita leitura, mas de livros, não sites ou Blogs. Íamos à Biblioteca Municipal para ler ou pegar livros emprestados. Não existiam Internet (pena), nem Influenciadores Digitais (graças a Deus). Foi por isso que eu e todos os meus amigos aprendemos a pensar. Bem, quase todos os amigos. Ou melhor, alguns deles.</p>



<p>Li “As 3 Peneiras”, obra inspirada em Sócrates. Uma criança procura a mãe para dizer algo sobre um amiguinho. A mãe o interrompe e pede para passar o assunto pelas 3 Peneiras: 1) Verdade. O que você vai dizer é verdade? 2) Bondade. É algo bom? 3) Necessidade. Eu necessito saber? Se não é verdade, coisa boa ou necessária, melhor não dizer. O que o garoto disse era verdade, não era coisa boa, mas era necessário dizer: a avó do amiguinho, amiga de sua mãe, tinha morrido.</p>



<p>Imagino “As 3 Peneiras” hoje, na cabeça do Influenciador Digital que “orienta” sobre temas que ignora, têm bússola moral descalibrada e nunca leu Sócrates ou livros sobre Ética, Filosofia ou Sociologia. Seria mais ou menos assim:</p>



<p>Ariel, ex-cabeleireiro, ex-aluno de cursos inacabados, ex-Uber, ganhou notoriedade quando duas senhoras chamaram os Bombeiros para resgatar um gato numa árvore. Os Bombeiros constataram que o tal gato era Ariel, que subiu na árvore para fugir de um Poodle ameaçador. Ele, ou ela – ainda não se decidiu – tem pa-vor de altura, passou mal e precisou de coquetel de sais para reanimar. </p>



<p>Uma jovem, Evita Kaos, gravou o resgate e postou no Instagram. O vídeo viralizou, Ariel ficou famoso e se tornou Influenciador. Ganhou muito dinheiro, mas ignorou a jovem que o ajudou a ser descoberto pelo fascinante mundo digital. </p>



<p>Evita reconheceu Ariel, a pessoa que lhe causou muita dor. Antes da dúvida sobre o gênero, era um bad boy e bebia de tudo. Esperava encontrar respostas para os problemas no fundo do copo. Só não bebia acetona para não estragar o esmalte dos dentes. Tinha a mente aberta tão aberta que o cérebro fugiu.</p>



<p>Numa tarde, Ariel atraiu a jovem para um beco e seus parças abusaram dela. Ele gravou tudo, compartilhou as cenas com os amigos fiéis, mas o vídeo foi parar no Youtube. Evita Kaos, a vítima, hoje aluna de Direito, deu o troco. E com juros. Entrou anônima no Chat e disse a Ariel que tem um vídeo bombástico para postar. Ariel falou: </p>



<p><em>“</em><em>Pessoinha, antes de dizer qualquer coisa, saiba que atendo milhares de seguidores e n</em><em>ão tenho muito tempo. Primeiro você precisa passar seu vídeo bombástico pelas 3 Peneiras, para depois eu publicar nos canais. Muita calma nessa hora. Eu explico:</em></p>



<p><em>A primeira peneira é a Verdade. O que você vai me mostrar é verdade? Bem, se é ou não verdade, não tô nem aí. O que interessa nas Redes é “causar”. Verdade ou mentira, é apenas um detalhe. Verdade é só uma narrativa bem-acabada.</em></p>



<p><em>A segunda peneira é a Bondade, mas se o que vai mostrar é coisa boa, não me interessa. Coisas boas não bombam nas Redes Sociais e não rendem likes. O que vende bem e gera monetização é a fofoca. Quanto mais cabeluda, melhor.</em></p>



<p><em>A terceira peneira é a Necessidade. Pensando bem, vamos ficar com apenas duas peneiras. Ninguém liga para coisas necessárias. Aliás, quanto mais inútil, melhor. Meus seguidores adoram futilidades e só compartilham o lixo social. Coisas úteis só servem para os estudados. Eu só quero futilidades, que rendem likes e patrocínios.”</em></p>



<p>Evita Kaos disse que encaminhará o vídeo e Ariel decide o que fazer. Mas que vai bombar, isso vai. O Chat se alongou e Ariel não queria se atrasar para a sessão de procedimentos estéticos. A Clínica atende de graça, em troca de posts positivos. Por conta da pressa, Ariel se atrapalhou, postou o vídeo sem assistir e correu para a Clínica, pois tem de estar lindo(a) para a sessão de fotos e a entrevista para um canal alternativo de TV.</p>



<p>Após mais de 3 horas de banhos, cremes, cromoterapia e outros procedimentos, a Gerente da Clínica apresentou a fatura de R$ 4.500,00. Chocado(a), Ariel disse que acabaria com a Clínica nos posts. Tentou pagar no Cartão, mas não passou.  Pelo celular, soube que a entrevista e a sessão de fotos foram canceladas. Pasmou!</p>



<p>Ariel saiu da Clínica, chamou um Uber, mas já havia uma Viatura à porta. O material encaminhado por Evita embasou o indiciamento de Ariel e dos parças por abuso de menor. Ele posou para fotos, mas na Delegacia. Mesmo magoado(a), achou que as fotos ficaram &#8220;um arraso&#8221;! Atrás das grades, seu novo look e as investidas dos companheiros de cela ajudaram a definir a opção de gênero. </p>



<p>No final, ficou tudo bem para todos. Evita vingou o assédio e publicou um livro. Ariel foi eleita “Rainha do Presídio”, criou o Blog “Diário e Noturno da Cadeia” e os seus companheiros de cela não mais precisam de visita íntima externa. Vida que segue.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/04/as-3-peneiras-e-socrates-no-mundo-digital/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Condomínio, Congresso e Cabaré</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/condominio-congresso-e-cabare/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/condominio-congresso-e-cabare/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[condomínio]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=195914</guid>

					<description><![CDATA[Quem nunca morou em Condomínio ou jamais participou de uma Assembleia, não sabe o que é viver perigosamente. Tem jogo de poder, intrigas, maracutaia, desvio de verba, assédio e muito mais. Se você quer saber como é um Condomínio ou uma Assembleia, ligue a TV no noticiário ou canal público e acompanhe as sessões do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem nunca morou em Condomínio ou jamais participou de uma Assembleia, não sabe o que é viver perigosamente. Tem jogo de poder, intrigas, maracutaia, desvio de verba, assédio e muito mais. Se você quer saber como é um Condomínio ou uma Assembleia, ligue a TV no noticiário ou canal público e acompanhe as sessões do Congresso. É mais ou menos a mesma coisa. Só que os rolos de um condomínio afetam apenas seus condôminos. Já os do Congresso, afetam o país inteiro.</p>



<p>Assim como no Parlamento, nas assembleias condominiais também tem brigas, ameaça de morte (às vezes cumprida), fofocas, fake news, denúncias, conchavos, política, traições e promessas furadas. O Condomínio é um Congresso em miniatura e o Congresso é um grande Condomínio. O condômino para as taxas e o contribuinte os impostos. Se você mora em condomínio, paga os dois. KKK</p>



<p>Outra semelhança: boa parte dos condôminos não comparece às Assembleias. Depois, queixam-se do valor da taxa e da conservação do prédio. Muitos eleitores não se interessam por política, não votam, ou votam por obrigação. Nem se lembram em quem votaram. Depois reclamam dos impostos, da falta de segurança, da corrupção etc.</p>



<p>A cada quatro anos, os políticos pedem seu voto dizendo que vão lutar pelo povo e corrigir as cacas, que na verdade eles mesmo fizeram. Mas o que eles querem é apenas garantir interesses pessoais. No Condomínio, se alguém pede seu voto para ser eleito síndico, desconfie da sua idoneidade, da sanidade ou de ambas.</p>



<p>Se você for à Assembleia para ver como é, atente para as seguintes dicas: 1) Nunca sugira coisa alguma; 2) Se uma ideia vier à cabeça, não a mencione; 3) Jamais aceite participar de Comissões, a menos que a comissão compense ($$); 4) Em nenhuma circunstância assuma qualquer cargo. </p>



<p>Na Assembleia de Condomínio, quem sugere muito vira Síndico. A menos que você tenha dinheiro no Banco Master, torça para a Portuguesa ou aguarda o dinheiro do golpe do INSS, jamais aceite ser síndico. Todos te cumprimentam, dizem que vão ajudar, mas depois somem. Pensa que manda, que é autoridade, porém é só um empregado dos vizinhos, sem férias remuneradas e escravo do zelador.</p>



<p>Alceu Dispor  nunca morou em condomínio. Recebeu uma convocação, foi à Assembleia, mas não atentou para as dicas do 5º parágrafo. Chegou curioso, palpitou bastante e saiu síndico eleito. Viúvo, gente boa, Contador aposentado, morador solitário, ex-assessor parlamentar, conhece maracutaias, golpes, conchavos, mas viu no cargo uma oportunidade para ocupar o tempo ocioso, fazer amizades e ser útil. Ledo engano.</p>



<p>Passou dias planejando o trabalho, negociando dívidas, refazendo prestações de contas viciadas, redefinindo funções dos empregados e mediando atritos entre os vizinhos. Subsíndico e conselheiros  jamais atendiam convites para reuniões, nem respondiam mensagens via WhatsApp. Além da Administradora, suas preocupações se resumem a 5 itens, todos iniciados com C: Condôminos, Crianças, Cachorros, Canos e Calote. Todo dia tem cano furado, briga de vizinhos, gritaria da criançada, reclamações sobre latidos, mordidas e pedidos para pagar a taxa com atraso. Sem multa, claro. Sua pacata vidinha de aposentado ganhou sabor de visita de sogra em feriado prolongado.</p>



<p>Eva Gabas foi a única a oferecer ajuda. Eles se entrosaram bem e ela não saia de seu apartamento. Não entende de gestão condominial, mas é ótima companhia. Levou a escova de dentes, depois as roupas, sapatos, e não saiu mais de lá. Não tardou a assinarem acordo de União Estável. Almas gêmeas, Eva sente tudo o que ele sente, antes mesmo dele sentir. Olha intensamente nos seus olhos, mas só para saber se ele está com conjuntivite.</p>



<p>Porém, ela não tardou a mostrar as credenciais. A ex-rapariga e ex-dona de Cabaré não pagava o aluguel e nem condomínio. Deve na praça, é procurada em 3 Estados e em poucos meses transferiu a aposentadoria do idoso para sua conta. Sumiu por um tempo e Alceu achou que ela tinha morrido. Eva Gabas largou várias bombas nas mãos do idoso, que foi preso por suspeita de feminicídio. Gente ruim também morre, pensou, mas isso não muda o que elas foram.</p>



<p>Por causa dela, Alceu responde processos por estelionato praticado em seu nome, intimações da Receita Federal, do INSS e da Prefeitura, além de ações de cobrança de fornecedores do Condomínio. Na cadeia, entrou para uma gangue, arrependeu-se, mas não teve como pular fora, pois a regra é “ninguém sai”. Um amigo pagou a fiança e Alceu Dispor foi solto.</p>



<p>Reencontrou Eva Gabas, reconciliaram-se e o aposentado usou as economias para reinaugurar o Cabaré. Hoje, vive cercado de piriguetes, de boa com traficantes, procurados pela Justiça, mas tem de lidar com fiscais e policiais corruptos. Oferece conforto e consolo a maridos abandonados e atura bêbados chorões diariamente. Porém, a vida é boa e ele é muito feliz junto à sua amada. </p>



<p>Alceu dispor conheceu de perto o Congresso, o Condomínio e o Cabaré. Das três zonas, prefere a terceira, bem mais honesta. Síndico de Condomínio, nem pensar! É muito perigoso! Vida que segue.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/condominio-congresso-e-cabare/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ordinário, por gentileza, desfilar!</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/ordinario-por-gentileza-desfilar/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/ordinario-por-gentileza-desfilar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geração Z]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=195142</guid>

					<description><![CDATA[Após concluir a Escola de Comando, o tenente coronel Célio Durão foi designado Adido Militar na ONU, onde ficou por quatro anos. Filho, neto e bisneto de generais, todos foram heróis nas duas Grandes Guerras e em missões de paz mundo afora. Foram feridos em combate e receberam a Medalha de Honra. O bisavô e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após concluir a Escola de Comando, o tenente coronel Célio Durão foi designado Adido Militar na ONU, onde ficou por quatro anos. Filho, neto e bisneto de generais, todos foram heróis nas duas Grandes Guerras e em missões de paz mundo afora. Foram feridos em combate e receberam a Medalha de Honra. O bisavô e o avô são nomes de ruas em várias cidades. O Coronel Célio Durão tem DNA de herói.&nbsp;</p>



<p>Primeiro colocado na Academia e na Escola de Aperfeiçoamento, Célio Durão serviu na Selva Amazônica e participou de missões no Caribe, na África, no deserto e em regiões inóspitas, com ótimos resultados. É fluente em seis idiomas, tem gosto apurado, é paraquedista, mergulhador, faixa preta no Judô e exímio atirador.</p>



<p>Por essas características e pela carga genética, foi designado para comandar o Batalhão Operacional, unidade de elite que o pai e o avô chefiaram. Sua missão é treinar soldados para operações especiais da ONU, em regiões em conflito bélico e em constante perigo. Missão impossível? Não para o futuro General Célio Durão.</p>



<p>Na cerimônia em que assumiu o comando, o subcomandante, Major Enzo, passou mal e foi atendido com sais aromáticos e chá de ervas. O Capitão Ariel, gênero fluido, socorreu-o com respiração boca a boca e massagem nas têmporas. Coube à Sargento Machadão liderar o desfile da tropa.</p>



<p>No dia seguinte, o Coronel Durão conheceu os oficiais, sargentos e recrutas recém incorporados. A missão de transformá-los em tropa operacional depende menos de suas habilidades, já comprovadas em várias missões, e mais do caráter dos oficiais, sargentos e, principalmente, da fibra dos recrutas.</p>



<p>O/a Tenente Luan, foi encarregado/a de mostrar-lhe as instalações. Ele usa ora o artigo masculino, ora o feminino antes do posto, visto que o vocábulo Tenente é comum de dois. Levemente maquiado, ostentando bigode e cabelos à máquina zero, está em transição de gênero, porém indeciso(a). Tão logo se decida, comunicará o Comando. Ou não, pois deixará de receber o Adicional de Transição.</p>



<p>O pessoal do Rancho precisou de treinamento para renovar o cardápio, que agora tem as opções vegetariana, vegana e ogro (apenas sob demanda). Tem boa variedade de saladas, molhos, suflês, alimentos diet, sem glúten, sem lactose e sem sódio adicionado. Tudo bem, pensou o Comandante. Comida saudável é bem melhor para manter a tropa em forma.</p>



<p>Os alojamentos e os banheiros tiveram de ser adaptados ao perfil da tropa e às mais variadas opções de gênero. Os novos Mascotes das Companhias são Mulher Maravilha, Meninas Superpoderosas e o Aquaman. O Coronel Durão foi preparado para tolerar a diversidade, mas ficou imaginando o que seus antepassados diriam se conhecessem a tropa Geração Z.</p>



<p>Algumas surpresas estavam por vir. Ao visitar as instalações de ginástica, descobriu que os instrutores formados na Educação Física Militar foram substituídos por uma dúzia de personal trainer e o ringue de box deu lugar a uma quadra de Pickball. Na instrução de Ordem Unida, em vez de marchar com coturnos, a tropa desfila com sapatilhas, ao som de Anitta e Pablo Vittar. Mas a coreografia é realmente linda. </p>



<p>A barbearia oferece secador de cabelo, drenagem linfática, maquiador, manicure e pedicure. O Paiol é bem conservado, mas armamentos e munições permanecem intactos, pois os recrutas têm pavor de armas letais. Surpresa maior foi na saída. Quando vão para casa, em roupas civis, o Quartel parece o palco da SP Fashion Week. Os recrutas ficam irreconhecíveis. Um arraso! </p>



<p>Após 4 meses tentando impor disciplina, rigor e transformar os recrutas em militares casca grossa, preparados para o combate, o Coronel Durão estressou no limite e baixou ao Hospital Militar. O Batalhão Operacional foi desativado e o Alto Comando se retirou das Forças Especiais da ONU. Após a alta, o Coronel foi transferido para o Serviço Reservado, onde atuou disfarçado de especialista em moda, para tentar identificar os grupos progressistas que estão detonando a imagem dos militares. </p>



<p>Após algum tempo na nova missão, o Coronel Célio Durão se redescobriu. Passou para a Reserva e hoje dirige da divisão Army Trans Fashion da Yves Saint Laurent. Separou-se da mulher e uniu-se à Sargento Machadão. Assumiu-se Cely Duran e se diz realizada. Sorte que o país não se envolve em conflitos armados. Ai de nós se precisarmos da tropa Geração Z!</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/ordinario-por-gentileza-desfilar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Escutar é preciso. Falar, não é preciso.</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/escutar-e-preciso-falar-nao-e-preciso/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/escutar-e-preciso-falar-nao-e-preciso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[autoajuda]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=194378</guid>

					<description><![CDATA[O mundo tem mais de 8 bilhões de habitantes, mas muita gente vive só. No Brasil, os solitários contratam personal para dançar, acompanhantes para festas e viagens (agora é “fazer Job”) etc. No Japão, existem solitários que contratam atores amadores para desempenharem o papel de amigo, parente e até filho ou neto. A humanidade está [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mundo tem mais de 8 bilhões de habitantes, mas muita gente vive só. No Brasil, os solitários contratam personal para dançar, acompanhantes para festas e viagens (agora é “fazer Job”) etc. No Japão, existem solitários que contratam atores amadores para desempenharem o papel de amigo, parente e até filho ou neto. A humanidade está carente!</p>



<p>Vera Zol vive só, por opção. É excêntrica, não lida bem com relacionamentos e não segue ninguém nas Redes. Para ela, os Influenciadores são idiotas e os seguidores, uns abestalhados sem rumo. Quem a conhece acha que é falta de Omeprazol! Ela é religiosa, mas frequenta cultos on line e não ama o próximo. Só ajudará alguém quando o morcego doar sangue. Formada em Filosofia, criou o canal Ethos, voltado para a ética, cidadania e moral. Teve 19 seguidores e nunca monetizou.</p>



<p>Uma doença a deixou em coma por vários dias. Viu-se em um universo paralelo, de onde pode observar sua vida, atitudes, o que dizem a seu respeito e não gostou.&nbsp;Despertou do coma enquanto era banhada por uma auxiliar de enfermagem que fora várias vezes humilhada por ela quando era cuidadora de sua mãe. Reconheceu na auxiliar a voz do universo paralelo, que lhe dizia: “Tem gente que transforma o que recebe como missão em propriedade; serviço vira controle, dom vira vaidade”. Aquilo mexeu com Zol, que decidiu mudar de vida e ajudar o próximo. Quer fazer a diferença e desbestializar as pessoas sem rumo.</p>



<p>Zol agora é voluntária na ONG “Fala que eu escuto”. Todos os dias, por uma hora, ouve pessoas que só querem dizer algo, mas não tem quem as escute. Quer se tornar um poço de bondade, mas esse povo fala cada coisa!</p>



<p>Ari quer comprar carro com o desconto para PCD (Pessoa Com Deficiência) para trabalhar com Uber. Não aceitaram a condição de deficiente capilar, nem com foto do couro cabeludo e laudo do barbeiro. Godofredo sentou-se diante dela e ficou mudo por 5 minutos.</p>



<p>&#8211; O senhor tem quinze minutos para falar o que quiser. Fala que eu escuto!</p>



<p>&#8211; O tempo passa, estou ficando velho e vou morrer logo. Pronto. Falei tudo!</p>



<p>&#8211; Senhor, existem pessoas resilientes que recomeçam do zero, encontram o caminho e muito bem.</p>



<p>&#8211; Recomeço é uma nova oportunidade para dar tudo errado outra vez.</p>



<p>Escutar o que as pessoas querem dizer pode ter sido uma péssima ideia, ou, talvez, um dia ruim. No dia seguinte, Marilu, visivelmente agitada, disse:</p>



<p>&#8211; Tenho tanta coisa para falar que nem sei por onde começar.</p>



<p>&#8211; Que tal começar pelo começo?</p>



<p>&#8211; Quer saber, deixa para lá. Tchau!</p>



<p>&#8211; Então, tá!</p>



<p>Finalmente apareceu Theo, um falante. “Eu nunca deixo para amanhã o que pode dar errado hoje. E sempre dá errado. Não importa a escolha que eu faça, não dará certo e o universo não está nem aí. Abri uma Startup para enriquecer Urânio na Airfryer. Não sabia que era impossível, tentei e soube”.</p>



<p>&#8211; O senhor pensa que é o único que tem problemas?</p>



<p>&#8211; Não sou rico o suficiente para ter problemas. Só tenho aborrecimentos.</p>



<p>Um sessentão, fumando baseado de orégano, disse que ouve vozes de pessoas mortas.</p>



<p>&#8211; Pessoas conhecidas?</p>



<p>&#8211; Sim. Muito conhecidas: Elvis, Joplin, Bob Marley.</p>



<p>Só aparecem doidos no &#8220;Fala que eu escuto&#8221;. Zol gravava as sessões para aperfeiçoar o trabalho e, após alguns meses, deixou a ONG, transcreveu as maluquices que ouviu e criou o canal MIMIMI, no Youtube. Atingiu mais de 280 mil seguidores e conseguiu patrocinadores. O faturamento é alto. </p>



<p>Pesquisadores de Harvard estudaram o canal e concluíram que a razão do sucesso é o modo como ela se relaciona com os seguidores patéticos e sem rumo. É um canal verdadeiro, sem firulas, que fala a mesma linguagem do seu público e entrega o que eles querem ouvir.</p>



<p>Zol entendeu que bondade não vira manchete, nem dá dinheiro. Mas besteirol fatura alto. O canal de autoajuda ajudou muito, a Zol, que enricou! Os seguidores, continuam abestalhados sem rumo, e sonham se tornarem tão influentes, poderosos e ricos como ela. Sem esforço. Tem doido para tudo!</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/escutar-e-preciso-falar-nao-e-preciso/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bodas de Brilhante, Memória e Tecnologia</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/bodas-de-brilhante-memoria-e-tecnologia/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/bodas-de-brilhante-memoria-e-tecnologia/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=193414</guid>

					<description><![CDATA[Antigamente, as pessoas memorizavam todas as informações importantes: números de telefones, endereços, aniversários, trajetos, RG, CPF. Hoje, o celular, o Waze e os Apps fazem tudo isso. Se roubarem o celular, ninguém sabe um único número de telefone para pedir ajuda, nem o caminho de volta para casa. Eu mesmo, quando me pedem o número [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antigamente, as pessoas memorizavam todas as informações importantes: números de telefones, endereços, aniversários, trajetos, RG, CPF. Hoje, o celular, o Waze e os Apps fazem tudo isso. Se roubarem o celular, ninguém sabe um único número de telefone para pedir ajuda, nem o caminho de volta para casa. Eu mesmo, quando me pedem o número do celular ou placa do carro, preciso olhar na tela ou no documento.</p>



<p>O Facebook lembra os aniversários do dia e sugere frases para cumprimentar. Mas é preciso recordar quem é esse aniversariante e de onde o conhecemos. Tem pessoas com vários perfis no Facebook e muitasvezes cumprimentamos no perfil que o aniversariante nunca vê e nem lembra que criou.</p>



<p>Tenho uma prima tão atrapalhada que, no dia do próprio aniversário, cumprimentou a si mesma no seu outro perfil. Achou engraçado ter alguém com mesmo nome e mesma data de nascimento. Em compensação, ela não cumprimentou a filha. É que a moça usa um avatar criado por Aplicativo em vez da foto no perfil, e a mãe não a identificou. A moça usa tanta maquiagem que o reconhecimento facial do celular nem sempre desbloqueia a tela.</p>



<p>A memória pode sofrer desgaste pela idade ou por patologia degenerativa (patologia é doença, para quem não lembra). Tia Gertrudes não anda bem da memória e os filhos deram um smartphone para ela gravar números de telefones, compromissos, consultas e tomar remédios. A tia não lembra onde deixou o aparelho, ou esquece de carregar a bateria. Quando faz tudo certo, não lembra a senha.</p>



<p>&#8211; Mãe, você não anotou a senha?</p>



<p>&#8211; Eu anotei, na agenda do celular, mas para acessar preciso da senha. </p>



<p>&#8211; E o remédio para a memória que o doutor prescreveu?</p>



<p>&#8211; Nunca lembro de tomar.</p>



<p>Idoso, memória e senha não combinam! Tem senha para a conta bancária, para o cartão de crédito, celular, Facebook, PIX etc. Uma vizinha ficou horas no hall do elevador porque esqueceu a senha da fechadura eletrônica. Nem lembrou que tinha a chave na bolsa e não telefonou para o marido. Ele confunde os toques do celular, do micro-ondas e do rádio relógio, e não sabe usar nenhum dos três!</p>



<p>Quando usamos “Recuperar Senha”, o sistema sugere uma combinação forte, com mais dígitos e letras do que número de chassi. Ninguém memoriza! Se escolho criar uma senha, o sistema recusa todas as que já usei alguma vez na vida. Como eles se sabem as senhas que já usei e eu não?</p>



<p>Tem gente que não tem problemas de memória, mas é muito distraída. O filho do vizinho chegou em casa de madrugada porque roubaram seu carro, o celular e ele não sabe os telefones do pai e da mãe. Ao registrar o B.O, não lembrava a placa do carro. Foi para a faculdade de Uber e, pasmem, encontrou seu carro no mesmo lugar onde sempre estaciona. Procurou na rua errada, por isso não encontrou. Dias depois, foi parado numa Blitz e detido porque dirigia um carro roubado!</p>



<p>A coisa tende a se complicar com cada vez mais pessoas em idade avançada e senhas cada vez mais complexas. Feliz mesmo é seu Nicanor, 97 anos de vida 100% analógica. Ainda leva no bolso fichas da Telesp, mas não encontra Orelhão que aceite. Sua memória já dá sinais confusos, mas isso não impediu a neta, jornalista, de cavar entrevista na TV por ocasião das Bodas de Brilhante – 75 anos casado com dona Popô. O casal foi para o estúdio, filhos, netos e bisnetos acompanharam pela TV.</p>



<p>&#8211; Seu Nicanor, como era estudar no seu tempo, sem computador, Google ou celular?</p>



<p>&#8211; A gente tinha de ler muitos livros e decorar tudo: equações, fórmulas químicas, fatos históricos, Capitais, pronomes oblíquos, ossos do corpo humano, afluentes do rio Amazonas. Tudo!</p>



<p>&#8211; Poxa! O senhor deve ter sido um ótimo aluno.</p>



<p>&#8211; Fui sim, mas nunca precisei usar quase nada das coisas que decorei.</p>



<p>&#8211; E a Dona Popô? O que acha disso?</p>



<p>&#8211; Popô é muito tímida. Nem queria vir no seu programa. Sou mais falante.</p>



<p>&#8211; Como é estar casado há 75 anos? Rola ciúme, alguma briguinha?</p>



<p>&#8211; Popô tem péssimo olfato e eu tiro o aparelho de surdez para dormir. Não ouço ela roncar e solto gases à vontade. Por isso a gente não briga.</p>



<p>&#8211; Quando o namoro começou? Aliás, qual é o nome da dona Popô?&nbsp;</p>



<p>&#8211; Como se chama o lado triângulo do Pitágoras cujo quadrado é a soma dos quadrados dos catetos?</p>



<p>&#8211; Acho que é Hipotenusa.</p>



<p>&#8211; Isso mesmo! Hipotenusa, meu bem, quando começamos namorar?</p>



<p>Seu Nicanor esqueceu o nome da dona Popô e hoje vai dormir no sofá. Quem riu da memória dele, sua hora vai chegar. Agora que terminei o texto, é só programar a publicação no Jornal Tribuna, tão logo eu lembre a droga da senha.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/bodas-de-brilhante-memoria-e-tecnologia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Perguntas objetivas, respostas nem tanto</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/perguntas-objetivas-respostas-nem-tanto/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/perguntas-objetivas-respostas-nem-tanto/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=192728</guid>

					<description><![CDATA[João Leiva espera o dia em que Leivinha, 5 anos, fará aquela pergunta. E ele fez: Pai, de onde eu vim? E não é que na hora H, o pai vacilou! Falou sobre abelhinhas, cegonha, flores, mas as respostas não colaram. Leivinha insistiu: O Pedrinho disse que veio da Bahia. E eu? De onde eu [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>João Leiva espera o dia em que Leivinha, 5 anos, fará aquela pergunta. E ele fez: Pai, de onde eu vim? E não é que na hora H, o pai vacilou! Falou sobre abelhinhas, cegonha, flores, mas as respostas não colaram. Leivinha insistiu: O Pedrinho disse que veio da Bahia. E eu? De onde eu vim? Criança tem cada pergunta!&nbsp;</p>



<p>Respostas desconexas não são dadas apenas por pais inseguros, alunos relapsos ou estranhos. Muitas pessoas, quando fazem perguntas ao cônjuge, colegas de trabalho e até a amigos, ouvem respostas atravessadas e que nada têm a ver.</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Oi Malu! Melhorou da enxaqueca?</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Aleluia! Até que enfim! Você ainda está vivo?</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Vivo, positivo e operante. Perguntei se você está melhor da enxaqueca.</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Não é da enxaqueca que estou falando.</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Mas eu sim! Foi sobre isso que perguntei. E já me arrependi.</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Talvez um dia você entenda.</p>



<p class="has-text-align-left">&#8211; Vem cá, são seus hormônios ou você é doida mesmo?</p>



<p>Ele perguntou três vezes, não obteve resposta adequada e não tem ideia do que ela está falando. Melhor cortar o papo. Tem aquela estória, agora é ficção, do fanho que foi na farmácia e disse: “Ã Fã Fã Fuia”. O balconista não entendeu, perguntou outra vez e ouviu a mesma coisa. Chamou o Chefe e o fanho repetiu: “Ã Fã Fã Fuia”. Ele também não entendeu. O Gerente assumiu o caso, mas deu na mesma. A faxineira, notando o clima tenso, perguntou ao já nervoso cliente:</p>



<p>&#8211; Bom dia. O que o senhor deseja?</p>



<p>&#8211; “Ã Fã Fã Fuia”.</p>



<p>&#8211; Poxa, lamento, “Ã Fã Fã Fuia” acabou!</p>



<p>&#8211; Ã! Tá bãum. Bri bri brigadu.</p>



<p>A mulher também não entendeu o que o fanho queria, mas sabe que quem pergunta algo, tudo o que deseja é uma resposta. Porém, tem muita gente desconfiada que desconversa ou responde com outra pergunta. Lembram dos filmes policiais? O detetive pergunta: Você é Fulano de Tal? E a pessoa responde: Talvez. Quem quer saber?</p>



<p>Tudo bem que é filme, diálogo entre investigador e suspeito que não se conhecem e o fulano não quer se incriminar nem dedurar comparsa. Mas no mundo real, quando as pessoas se conhecem e uma delas é meio lesada, a coisa complica.</p>



<p>&#8211; Carol, você tem algum programa para sábado à noite?</p>



<p>&#8211; Talvez sim. Talvez não. Por que quer saber?</p>



<p>&#8211; Se estiver à toa, tem um filme legal estreando.</p>



<p>&#8211; E eu com isso? Para quem mais você perguntou?</p>



<p>Conhecem alguém assim? Se a conversa for por telefone, diga três “alôs” seguidos, finja que a ligação falhou, desligue o celular e retire a bateria para não correr o risco de religar sem querer. Se for uma conversa pessoal, simule um AVC e fuja! A pessoa é lesada em alto grau e ainda reclama que nunca a convidam para nada. Conversa entre homens é diferente, ao menos entre homens convencionais. É direta, objetiva, papo reto. Se não for, só pode ser homem alternativo. Sem &#8220;H&#8221;.</p>



<p>&#8211; Qual é?</p>



<p>&#8211; De boa!</p>



<p>&#8211; Bora tomar umas?</p>



<p>&#8211; Demorou!</p>



<p>Telefonema entre homens é muito simples. Nada de “Oi amiga. Há quanto tempo! Desde ontem que a gente não se fala. O que você está vestindo? Conta tu-di-nho! O mundo feminino é bem diferente do masculino, nas perguntas, nas respostas, ainda mais se forem melhores amigas. Elas precisam de uma terceira amiga para falar mal pelas costas. Falar na cara é falta de educação. Conversam sobre namorados, mas não sobre as amigas deles. Namorado não tem amiga. Tem só “aquela vadia”.</p>



<p>&#8211; E aí migucha. Descobriu alguma coisa?</p>



<p>&#8211; Nadinha. Verifiquei os bolsos de todas as calças. Nenhum bilhete. </p>



<p>&#8211; Que coisa mais estranha!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&#8211; As camisas não têm manchas de maquiagem, nem fio de cabelo comprido.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Pasmei!</p>



<p>&#8211; Cheirei paletós e blusas. Nenhum perfume.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Conferiu o celular?</p>



<p>&#8211; Quando ele estava no banho, chequei tudo. Nenhuma mensagem suspeita.</p>



<p>&#8211; Nossa, miga! Caótico! Isso não é normal!</p>



<p>&#8211; Estou preocupada. Será que ele é gay?</p>



<p>No ramo das respostas dissimuladas, ninguém supera os políticos matreiros. Ou não sabem de nada, ou culpam a oposição. Alguns ainda dizem ao repórter: Pode perguntar o que quiser. Mas respondem o que bem entenderem. Alguma pergunta?</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/perguntas-objetivas-respostas-nem-tanto/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carnaval muito louco e o efeito quarta-feira de Cinzas</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/carnaval-muito-louco-e-o-efeito-quarta-feira-de-cinzas/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/carnaval-muito-louco-e-o-efeito-quarta-feira-de-cinzas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=191845</guid>

					<description><![CDATA[Se é verdade que o ser humano nunca está satisfeito, também é verdade que é resiliente, costuma se reerguer após os tombos, reinventar-se e seguir em frente. Quando os pais de Elzo e de Jayma arranjaram o casamento, ela não imaginava que ele fosse um nerd viciado em aplicativos, com nariz avantajado que identifica cheiros [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se é verdade que o ser humano nunca está satisfeito, também é verdade que é resiliente, costuma se reerguer após os tombos, reinventar-se e seguir em frente.</p>



<p>Quando os pais de Elzo e de Jayma arranjaram o casamento, ela não imaginava que ele fosse um nerd viciado em aplicativos, com nariz avantajado que identifica cheiros a distância e orelhas de abano que lhe renderam o apelido Dumbo. Mas isso não a incomoda, pois Elzo é milionário, porém sonhador, cabeça dura e metido a inventor. Se põe uma ideia na cabeça, vai até o fim, mesmo que as evidências indiquem fracasso. Há anos desenvolve um algoritmo para identificar o par perfeito.</p>



<p>Jayma quer que o rico esposo se revele um garanhão, sonho que se esvai quando o vê treinando gargarejo de bruços, “esporte” no qual tenta ser tricampeão. Quando os avós cobram netos, ele pede paciência. Primeiro o algoritmo, depois o filho.</p>



<p>Não fosse pelo dinheiro, que satisfaz todos os desejos não amorosos, já o teria abandonado. Jayma soube de um Swing de luxo, com troca de casais entre milionários. Levou Elzo, pensando em trocá-lo por outro ricaço, mas após o evento, todos voltam para casa com o mesmo cônjuge.</p>



<p>Os pais de Elzo, com idade avançada, deram um xeque-mate. Exigiram que o filho lhes dê um neto, sob pena de deserdá-lo. Jayma convenceu o marido a irem a Veneza, imaginando que o Baile de Máscaras do famoso Carnaval poderá animá-lo.</p>



<p>Para apimentar as coisas, irão ao baile sem que um saiba qual é a fantasia do outro. Tentarão flertar com alguém para fazer cena de ciúme e aumentar o desejo quando retornarem ao hotel. Enquanto o marido cochilava, Jayma vestiu a fantasia e pegou o barco taxi rumo ao Baile de Máscaras. Elzo, que nunca bebe álcool, vestiu-se, tomou umas doses de whisky para criar coragem e saiu.</p>



<p>Sem palavras, apenas com gestos e olhares, ele conquistou uma linda Colombina. O whisky fez efeito e o nariz identificou o perfume. Entraram num cômodo reservado e transaram, sem tirar as máscaras e sem conversar. Depois voltaram ao baile e se afastaram.</p>



<p>Quando Elzo retornou ao hotel, Jayma dormia. Ao se desfazer da fantasia, notou no lixo do hotel, o traje da Colombina que o atraiu. Dormiram até a hora do almoço, passearam pela cidade, no dia seguinte foram a Paris e retornaram ao Brasil sem trocar qualquer palavra sobre o Baile.</p>



<p>Pouco tempo depois, Jayma descobriu-se grávida. O rebento veio ao mundo em dezembro, olhinhos como os da mãe, mas pele mourisca, diferente do pai ruivo. A alegria era tamanha que ninguém reparou. Com o tempo, pele, olhos e cabelos mudam, pensou, mas quando Elzo Júnior completou 4 meses, o nariz aquilino e orelhas pontiagudas tipo Doutor Spock dispensavam exame de DNA para saber que o filho não é dele.</p>



<p>Jayma, vestida de Vênus Lasciva, nem foi ao baile. Transou com um árabe no barco taxi e queimou a fantasia. Elzo foi de Pierrot e se entregou à Colombina que usava o mesmo perfume da esposa. Não foi o nariz que o enganou, mas a falta de tato. Porém, criam Elzo Jr. como se fosse realmente deles.</p>



<p>Meses mais tarde, uma atriz pornô asiática à caça de fortunas acionou Elzo na Justiça em processo de investigação de paternidade. Como prova, enviou fotos feitas às escondidas. Todos os meses Elzo manda dinheiro para a mãe e a japinha ruiva que nunca verá. Na falta de um filho, agora sustenta dois. Não sabe quem é o pai do Júnior, nem conhece a mãe ou a japinha que sustenta. Mas é um eterno otimista, resiliente e trabalha com afinco no algoritmo. Um dia conhecerá seu par perfeito.</p>



<p>No Carnaval, ninguém é de ninguém. Se for a um baile de máscaras, não beba!&nbsp;</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/carnaval-muito-louco-e-o-efeito-quarta-feira-de-cinzas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>NOLT versus NONT</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/nolt-versus-nont/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/nolt-versus-nont/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[NOLT]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=191048</guid>

					<description><![CDATA[O ser humano é um eterno insatisfeito e está sempre querendo mais: riqueza, reconhecimento, fama, glória.Na busca por satisfação, muitas vezes não dá valor e nem usufrui daquilo que possui. Se o Governo taxasse a insatisfação humana, arrecadaria dez vezes mais. Ary Melão, 70 anos, trabalhou duro desde a adolescência. Eram tempos difíceis, ele queria [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O ser humano é um eterno insatisfeito e está sempre querendo mais: riqueza, reconhecimento, fama, glória.Na busca por satisfação, muitas vezes não dá valor e nem usufrui daquilo que possui. Se o Governo taxasse a insatisfação humana, arrecadaria dez vezes mais.</p>



<p>Ary Melão, 70 anos, trabalhou duro desde a adolescência. Eram tempos difíceis, ele queria sempre mais. Com o tempo, conseguiu transformar a quitanda herdada do pai na gigante atacadista Melão &amp; Cia. Como todo pai que não teve infância, criou o filho Aryzinho cheio de mordomias.</p>



<p>O garoto era lindo, de fino gosto e bons modos, mas nunca se interessou por futebol, pescaria ou MMA, como o pai queria. Seus prazeres eram artes, design e dança. Aos 14 anos quis aprender balé. O pai não deixou por não ser coisa de macho. Aos 16 quis ser modelo e aos 18 estilista. O pai negou, pelo mesmo motivo: é coisa de gay. Aos 24 anos, Aryzinho não é gay. É apenas um rapaz refinado, sensível e que não sabe fazer porcaria nenhuma.</p>



<p>Ele nunca se formou, não tem profissão e não quer trabalhar na Melão &amp; Cia, como é o desejo do pai. Por ser bonito, forte, charmoso e dançar muito bem, arrumou um bico como dançarino e stripper no Clube das Mulheres, em troca de gorjetas.&nbsp;</p>



<p>Cansado de sustentar o parasita, tão logo enviuvou, o pai vendeu a empresa e foi para o Nordeste com uma bela vizinha. Mantinha contato com o filho por WhatsApp e enviava dinheiro todo mês, até interromper as remessas, sem aviso prévio.</p>



<p>O Clube das Mulheres faliu e Aryzinho ouviu dizer que tem muito mais mulher do que homem nas escolas de Dança de Salão. Resolveu matricular-se para parasitar uma viúva ricaça e arrumar umas jovens  para se divertir.</p>



<p>Na primeira aula, fez par com Amnésia. O nome seria Anésia, como o da sua avó, mas o Cartório errou feio. Ela é solteira, pouco mais velha do que ele, fala num si bemol irritante e é fraca de feição. A moça é tão feia que quando entrou num vestiário masculino, ninguém deu em cima dela. É muito antipática, dança mal, tem péssimo humor, mas é multimilionária. Amnésia é a única herdeira de 40% das ações de um banco, tem casa no campo, na praia, apartamento em Miami e duas fazendas.</p>



<p>Não demorou até Aryzinho se mudar para o duplex cobertura de Amnésia, mas os planos não saíram como ele queria. Controladora, metódica e enérgica, Amnésia libera uns trocados no cartão de débito dele e o Acordo de União Instável prevê severas penas em caso de traição ou performance ruim no rala e rola diário. É marcação cerrada 24 horas por dia!</p>



<p>O trabalho duro que nunca teve agora é satisfazer Amnésia para garantir a boa vida, mas a tarefa é complicada: ter ótimo desempenho com uma mulher com baixa resolução, chata e aparência de Pardal na quimioterapia não é nada fácil.</p>



<p>Por causa de falsas promessas de namoro, em vez de milhares de seguidoras nas redes sociais, Aryzinho tem apenas perseguidoras, processos de investigação de paternidade e vários maridos traídos querendo acabar com ele. O rapaz terminou com Amnésia e foi procurar o pai no Nordeste.&nbsp;</p>



<p>Leu numa revista um artigo sobre NOLT – <em>New Older Living Trend</em>, em português Nova Tendência de Vida Madura. São pessoas longevas que rejeitam a condição de idoso ou melhor idade. Em vez de ficarem vendo o tempo passar, voltam a estudar, aprendem tecnologias, constroem nova carreira e aproveitam a vida. É o meu pai, pensou. O velho pegou a vizinha, se mandou, deve ter montado algum negócio genial e está nadando em dinheiro. Quem sabe me aceita como empregado. </p>



<p>O novo endereço do pai é uma edícula pequena e modesta, na periferia.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Como estão os negócios, meu bom e velho pai?</p>



<p>&#8211; Crescendo como rabo de cavalo, para baixo e para trás.</p>



<p>&#8211; Cadê a Dorinha?</p>



<p>&#8211; Rapou minha conta bancária e fugiu com um surfista.</p>



<p>&#8211; Mas você ainda ficou com alguma coisa, não é?</p>



<p>&#8211; Sim, uma barraca de cocos na praia. Mal paga o aluguel da edícula.</p>



<p>Para animar o pai, Aryzinho mostrou o artigo sobre o NOLT. Disse que ele pode voltar a estudar, se reinventar, montar um novo grande negócio e empregar o filho. O pai disse que ele é quem devia estudar, montar um negócio e sustentá-lo.</p>



<p>&#8211; Nada de NOLT. Sou mais o NONTI.</p>



<p>&#8211; O que é NONT, pai?</p>



<p>&#8211; Nontinteressa. Agora você vai vender cocos no meu quiosque enquanto eu cisco a dona da edícula. É minha vez de galinhar.</p>



<p>Tempos difíceis formam homens fortes. Homens fortes criam tempos fáceis. Tempos fáceis geram homens fracos. O mundo está cheio de Aryzinho!</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/nolt-versus-nont/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>4</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Novidades e inovações. O que funciona?</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/novidades-e-inovacoes-o-que-funciona/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/novidades-e-inovacoes-o-que-funciona/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[exames clínicos]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=190200</guid>

					<description><![CDATA[Quando a tecnologia avança, muitas práticas antigas que funcionavam bem são abandonadas. Não é porque a coisa é nova que a antiga deve ser descartada. É preciso distinguir novidade, o que é novo, de inovação, o novo que funciona comprovadamente melhor do que o antigo. Exemplos: Antes, o ginecologista consultava, analisava o exame de urina [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a tecnologia avança, muitas práticas antigas que funcionavam bem são abandonadas. Não é porque a coisa é nova que a antiga deve ser descartada. É preciso distinguir novidade, o que é novo, de inovação, o novo que funciona comprovadamente melhor do que o antigo. Exemplos:</p>



<p>Antes, o ginecologista consultava, analisava o exame de urina e dizia: você está grávida e o bebê nascerá entre os dias X e Y. E era o que acontecia! Ele não confundia gravidez com barriga d&#8217;água, nem nasciam trigêmeos ou um Poodle em vez de um único bebê. O método tradicional funcionava!</p>



<p>O político antigo dizia: urna e barriga de grávida, para saber o que tem dentro, só abrindo, mas o ultrassom permite ver o ventre sem abrir. Isso é inovação. A pesquisa eleitoral deveria apontar tendências e antecipar resultados, mas a manipulação faz com que ninguém saiba quem será eleito. Urna Eletrônica é inovação, agiliza a apuração mas, ao contrário do ultrassom, surpresas acontecem.</p>



<p>A tecnologia afeta todas as atividades. As bonecas chinesas modernas competem com a mais antiga das profissões. Tem Pai de Santo que faz trabalho com cachaça sem álcool, vela eletrônica e caldo Knnor. Mas será que essas novidades são melhores que o modo tradicional?</p>



<p>A tecnologia criou os caixas eletrônicos, o Internet Banking e caíram roubos a bancos e aos clientes. Os criminosos investiram em inovação e criaram golpes digitais, mais rentáveis e menos arriscados. Os bancos economizam, os bandidos prosperam e os correntistas ficaram no prejuízo.</p>



<p>Voltando à saúde, no passado os exames clínicos eram só sangue, urina, fezes e chapa de pulmão. O doutor apalpava, baixava a língua com a espátula (eu quase vomitava), media pressão, auscultava o coração, diagnosticava, receitava pílulas, injeção, xarope e em 7 dias o cabra sarava. Simples assim.</p>



<p>Hoje, ninguém sai do médico sem páginas de pedido de exames. Tem gente que até faz testamento, depois liga para o convênio, ouve música chata por 40 minutos e o exame é agendado para 4 meses mais tarde. Às vezes a pessoa nem retorna ao médico, porque já sarou ou morreu. Caso retorne, o diagnóstico é: virose. Depois prescreve pílulas, injeção, xarope etc. Para que tanto exame?</p>



<p>A tecnologia médica favoreceu mais a mulher que o homem. Para gravidez, câncer de mama e do colo, ultrassom, ressonância magnética, tomografia computadorizada, cintilografia, mamografia etc. Para o homem, a última inovação tecnológica para exame de próstata foi o cortador de unha!</p>



<p>Olof Talmo não vê a medicina com bons olhos. Só vai ao médico para saber se o doutor está bem. O trauma começou quando precisou fazer Colonoscopia. Foram dois dias botando tudo para fora, como um vulcão de cabeça para baixo. Levou um colchão para o banheiro para facilitar as idas à privada. O intestino ficou tão limpo que evacuava água potável. Após o exame, ficou traumatizado a ponto de precisar fazer análise. Sua analista se suicidou e deixou bilhete pondo a culpa nele.</p>



<p>Só foi ao proctologista após a esposa Ester Elisa o ameaçar com divórcio. Agendou com um médico que não pede exames vexatórios. Na consulta, o doutor só conversou, perguntou qual é seu time de futebol, preferência política, qual foi o melhor Capitão da Enterprise, James Tiberius Kirk ou Jean Luc Picard etc. Depois disse que precisa examinar sua urina.</p>



<p>&#8211; O convênio exige pedido por escrito. Qual laboratório recomenda?</p>



<p>&#8211; Nada disso. Volte amanhã com a primeira urina do dia numa garrafa de Coca-Cola, bem limpinha.</p>



<p>&#8211; Depois tem o famigerado exame de toque retal, certo?</p>



<p>&#8211; Bobagem. Basta eu olhar a urina e terei o diagnóstico.</p>



<p>Olof Talmo, feliz da vida, contou tudo à esposa. Ester Elisa não encontrou avaliações do doutor na Internet e desconfia que é charlatão. Para testar o método, Olof coletou urina, pegou xixi da esposa, da filha adolescente, pôs na garrafa de Coca e mexeu com a vareta do nível do óleo do Marea Turbo. O médico analisou demoradamente. </p>



<p>&#8211; E aí, doutor, o que o senhor me diz.</p>



<p>&#8211; Lamento, mas mão tenho boas notícias.</p>



<p>&#8211; É grave, doutor? – perguntou o debochado Olof Talmo.</p>



<p>&#8211; Muito grave. Sua mulher tem infecção urinária, sua filha está grávida, o motor do Marea vai fundir e o seu caso é câncer mesmo!</p>



<p>Não existe novidade tecnológica que faça tais diagnósticos. É pura experiência!</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/02/novidades-e-inovacoes-o-que-funciona/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sonhos e aulas de Geografia</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/01/sonhos-e-aulas-de-geografia/</link>
					<comments>https://jornaltribuna.com.br/2026/01/sonhos-e-aulas-de-geografia/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornaltribuna.com.br/?p=189664</guid>

					<description><![CDATA[Fim de tarde, com frio e garoa, Chico e Bento encontraram-se no bar do Mixirica. Amigos desde o Colégio, o papo teve início com temas escolares. Mixirica, sensitivo que ouve até o que as pessoas não dizem, apresentou um cliente aos amigos. É o Gonzalo Prado lava dinheiro para o Crime Organizado e diz ter como resolver os problemas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fim de tarde, com frio e garoa, Chico e Bento encontraram-se no bar do Mixirica. Amigos desde o Colégio, o papo teve início com temas escolares.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Aprendi muita coisa que nunca usei. Tirei nota baixa em Geografia por não saber os afluentes do rio Amazonas e as serras do Maciço Central*. Qual é a utilidade disso? Só serve para o professor de Geografia ferrar aluno na prova. E trigonometria? Quem usa esse troço? – perguntou Bento.</li>



<li>Calma lá. Trigonometria é fundamental para jogar Sinuca. Mas concordo com você. Também aprendi coisas que nunca usei. Você queria conversar comigo e disse que era urgente. O que é que está rolando? – perguntou Chico.</li>



<li>Você namorou, noivou, casou e eu vivo só. Sua vida é puro romance. Você é meu ídolo! Preciso de umas aulas sobre relacionamentos. Não quero morrer solteiro.</li>



<li>Romance? Só se for de terror, do Stephen King. A Teca ferrou minha vida. Controla até meu tempo no chuveiro. Tive de inventar consulta para vir aqui. Sorte que o Doutor Zinho me deu atestado.</li>



<li>A Teca sempre foi tão legal. O que aconteceu?</li>



<li>A gente se casou, oras! Ela parece arqueóloga, fuçando meu passado. Vivo pensando em como me livrar dela. Já cogitei até assassino de aluguel. Mas tem de parecer acidente, ou fico fora da herança. Só bebo cerveja sem álcool para chegar em casa com bafo. Você nem imagina como você é sortudo!</li>
</ul>



<p>Mixirica, sensitivo que ouve até o que as pessoas não dizem, apresentou um cliente aos amigos. É o  Gonzalo Prado lava dinheiro para o Crime Organizado e diz ter como resolver os problemas dos três. O Crime tem quase um bilhão de dólares ocultos e ele sabe como aliviar 60 milhões sem ninguém notar, mas precisa de ajuda para o golpe.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você quer nos transformar em ladrões?</li>



<li>Não é ladrão quem rouba ladrão. São 20 milhões cada e uns trocados para o Mixirica. Vocês fogem para o exterior, arrumam namoradas e vivem bem. Eu largo esse emprego maldito e me mando para o Caribe com a minha peguete.</li>



<li>Como posso arrumar peguetes? – perguntou o interessado Bento.</li>



<li>Sustento uma após a segunda esposa fugir com meu sócio, se bem que tem homem com peguete que continua casado. Jornada dupla!</li>
</ul>



<p>O trio se encontrou várias vezes para acertar detalhes. Gonzalo Prado fez um croqui e explicou o plano em detalhes para Chico e Bento, que começaram a ensaiar.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Chico, acho que podemos encerrar o treinamento. Já sabemos tudo!</li>



<li>Só a prática leva à perfeição, amigo. Exceto na Roleta Russa.</li>
</ul>



<p>Num fim de tarde, com frio e garoa, Chico e Bento fizeram o serviço e foram para o sítio do Gonzalo, sem saber que Teca e Diva, a peguete, instalaram aplicativo de monitoramento em tempo real nos celulares deles. Elas se conheceram na Delegacia, quando faziam o B.O. A Polícia, que não teve trabalho para surpreender os três meliantes no sítio, bebendo e comemorando o sucesso.</p>



<p>Diva e Teca encontraram os dólares no porta-malas. Deram 10 milhões para acalmar os policiais e dividiram o restante. Fizeram plástica, Botox, Aplique e compraram roupas de grife. O trio pegou 8 anos de cadeia, Gonzalo Prado e Bento em regime fechado, sem direito à visita íntima. Chico, que queria se livrar da esposa, pegou prisão domiciliar. Teca exigiu que a tornozeleira fosse ajustada para os limites da Edícula e todo o dia tortura o marido. Depois, sai com Diva, agora melhores amigas. Curtem a vida no Bingo, balada, bares e outras farras. Para as duas, o crime deles compensou. </p>



<p>Chico violou a tornozeleira para ser transferido para a penitenciária, ambiente bem mais tranquilo. Os três fazem cursos <em>on line</em> para abater o tempo da pena. Gonzalo Prado faz Direito, Chico Política e Bento Geografia: Afluentes do Amazonas, Serras do Maciço Central, Regime Pluvial dos EUA, Clima do Japão e outras inutilidades.</p>



<p>Beneficiados por indulto, num fim de tarde, com frio e garoa, os três se encontraram no bar do Mixirica, onde tudo começou. O novo plano é bem mais audacioso, porém legal: eleger Mixirica para o Senado, propor lei obrigando a disciplina Relacionamentos no Colégio e aplicar golpes financeiros sob a proteção do Foro Privilegiado. Muito mais rentável e seguro.</p>



<p>Mixirica gostou da ideia de se tornar Senador e nem cobrou pela bebida. Naquela tarde fria e com garoa, os quatro amigos sonham com o futuro: Mixirica Senador, Gonzalo e Chico seus assessores e Bento lecionando Geografia para ferrar os alunos nas provas, cobrando conteúdos que nunca irão usar. Vida que segue.</p>



<p>(*) Homenagem à profa. Daisy, so Ascendino, que me fez decorar isso. Nunca usei. KKK.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jornaltribuna.com.br/2026/01/sonhos-e-aulas-de-geografia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
