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	<title>etariedade &#8211; Jornal Tribuna</title>
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	<description>O seu portal de notícias e artigos científicos</description>
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		<title>O reencontro dos velhos amigos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[etariedade]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
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<p>O e-mail, o WhatsApp e as Redes Sociais trouxeram coisas ruins, como golpes e Fake News, mas também coisas boas, como a possibilidade de localizar velhos amigos. Gente que não se via há décadas, perdidas mundo afora, puderam se reaproximar. Para localizar amigas há um problema adicional: a mudança do sobrenome após o casamento. Em alguns casos, após vários casamentos.</p>



<p>Ana Lisa contou com a boa vontade relativa da filha solteira e ranzinza para localizar os colegas do Colégio. Conseguiu contatar Fatah Lismo, Lucas Katta e o Zeca Lorozzo. A comunicação não foi fácil, porque Fatah usa aparelho auditivo e não escuta bem as mensagens de áudio. Lucas tem problemas de visão e não participou das conversas por vídeo, porque não fala com quem não vê. Zeca tem TDAH (Déficit de Atenção e Hiperatividade). Fala muito, mas viaja em todos os assuntos. Ana Lisa, psicóloga, tem lapsos de memória e é estrábica, fala com as pessoas olhando para outro lado, não se lembra dos problemas dos pacientes e perdeu vários deles.</p>



<p>A alegria do contato com os antigos colegas, após décadas sem se falarem, foi imensa. Combinaram um longo encontro presencial para poderem se abraçar e conversar à vontade. Agendaram a reunião para três meses, no dia 5 de julho, 17 horas num restaurante italiano no Shopping Cidade Jardim.</p>



<p>Ana Lisa reservou mesa e, quando chegou, os três já estavam petiscando. A aparência mudou bastante, pois já faz quase meio século que não se veem. Ana sorriu, distribuiu abraços, beijos, derramou lágrimas e foi festejada por todos.</p>



<p>Se alguém tivesse filmado e gravado os diálogos, teria sido hilário. Todos falando ao mesmo tempo, não escutando direito, não conseguindo ler o menu e ninguém se entendendo. Celulares tocavam, ninguém atendia, não por educação, mas por não escutarem ou saberem que barulho era aquele.</p>



<p>Num dado momento, Lucas propôs um brinde, com café sem cafeína e leite sem lactose. Tentou se levantar, não conseguiu, então entoou o brinde sentado:</p>



<p>&#8211; Aos bons tempos do Colégio São Luiz!</p>



<p>&#8211; Não era Colégio São Paulo? – perguntou Lisa.</p>



<p>&#8211; Acho que estudei no Santa Catarina – disse Zeca.</p>



<p>&#8211; Então, um brinde aos amigos do Colégio Todos os Santos – emendou Lucas.</p>



<p>Lisa questionou o nome do Colégio ao Lucas, porém a estrábica parecia olhar para Fatah, que não respondeu por que ajeitava o aparelho auditivo e não ouviu nada. Todos tentavam lembrar onde estudaram e o que estavam fazendo ali. Zeca pediu licença para ir ao banheiro. Na volta, por causa do TDAH, sentou-se em outra mesa, onde três cegos aguardavam atendimento e não o notaram. Zeca não se fez de rogado e pediu café com leite a um policial da mesa ao lado. É um restaurante italiano, mas o dono mandou o pessoal atender os idosos no que desejarem.</p>



<p>Os celulares continuaram tocando insistentemente, até que a filha da Ana Lise chegou ao restaurante, com ajuda do rastreador do celular:</p>



<p>&#8211; Mãe, ligaram do Shopping Cidade Jardim procurando por você.</p>



<p>&#8211; Mas eu estou aqui, querida. O que eles querem comigo?</p>



<p>&#8211; Aqui é o Shopping Cidade de São Paulo, na avenida Paulista.</p>



<p>&#8211; Como é que meus amigos vieram ao local certo?</p>



<p>Chegaram mais três pessoas. O filho do Zeca, a filha do Lucas e a cuidadora da Wanda Lismo, prima da Fatah, também deficiente auditiva, que se desgarrou quando foi ao banheiro. Todos procurando os entes queridos que estavam sumidos a tarde toda.</p>



<p>Os supostos amigos eram Zeca Laffrio e Lucas Trado. Ana Lise se atrapalhou com os sobrenomes e  foi ao Shopping errado. Sentou-se com aquele grupo pensando serem os amigos. Dos seus reais amigos, Lucas Katta faleceu dias antes, Zeca Lorozzo entendeu 5 de junho, compareceu, esperou, não encontrou ninguém e foi embora. Fatah Lismo não ouviu direito a mensagem e ficou em casa.</p>



<p>Mas nem tudo foi ruim. Ana Lise fez três novos amigos e Mara Kuthaia, sua filha impaciente, engatou namoro com o filho do Lucas Trado, rapaz atencioso. Com auxílio dos filhos e da cuidadora, foram à Missa de Sétimo Dia do Lucas Katta. Após a missa, conversaram bastante, menos Fatah Lismo, que esqueceu o aparelho auditivo em casa.</p>



<p>Dizem que só existem duas coisas certas neste mundo: uma é a morte e outra é: para uma medida de arroz, duas de água. Tem quem prefira arroz integral, arbório parboilizado e há quem não coma arroz. Mas a morte é certa, e para todos. Então, celebremos a vida, mesmo com amigos que não enxergam ou escutam direito, amigos atrapalhados ou portadores de algum tipo de limitação. Para quem se acha normal, é bom lembrar que, de cada 4 idosos, um tem, algum tipo de problema mental. Antes de rotular os outros, examine três amigos. Se parecerem normais, o doido é você. Vida que segue.</p>
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