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	<title>Crônicas &#8211; Jornal Tribuna</title>
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	<description>O seu portal de notícias e artigos científicos</description>
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		<title>Razão ou Emoção? Como o cérebro do homem decide.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[huor]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[Pensa numa pessoa rica, doce, gentil, humilde, pau para qualquer obra. Estou certo de que não chega aos pés de&#160;Décio Thário, cujo nome não lhe faz justiça. Caçula de três filhos, tornou-se empresário bem-sucedido, emprega os irmãos e ampara a mãe. Aos 32 anos, tem foco total nos negócios, mas não é celibatário, nem recluso. [&#8230;]]]></description>
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<p>Pensa numa pessoa rica, doce, gentil, humilde, pau para qualquer obra. Estou certo de que não chega aos pés de&nbsp;Décio Thário, cujo nome não lhe faz justiça.</p>



<p>Caçula de três filhos, tornou-se empresário bem-sucedido, emprega os irmãos e ampara a mãe. Aos 32 anos, tem foco total nos negócios, mas não é celibatário, nem recluso. Vai às festas, viaja, tem amigos, amigas, ficantes, mas nada sério.</p>



<p>Certa noite, a mãe disse que o ama muito e é grata pelo que fez, faz e fará por ela e pelos irmãos, ambos tapados e desorientados, mas está preocupada com ele.</p>



<p>&#8211; Por que se preocupa justo comigo, mãe? Eu sei me virar.</p>



<p>&#8211; Claro que sabe, meu filho. Você é inteligente, rico e querido por todos.</p>



<p>A mãe explicou que um dia encerrará a temporada terrena. Quem irá cuidar dele e fazer as comidinhas que gosta? Quem o sucederá nos negócios? Já é hora de escolher uma boa moça para se casar. Ela quer ser avó antes de partir desta vida.</p>



<p>Décio Thário pensou muito nas palavras da mãe. Ele vive bem, tem uma casa fantástica, com piscina, sauna e carrões na garagem. Não faltam mulheres em sua vida, mas nunca se decidiu por uma delas. A mãe está certa, pensou. É hora de se casar e gerar descendentes. A depender dos irmãos aloprados, ela nunca será avó.</p>



<p>No dia seguinte, durante o café da manhã, disse à mãe que pensou sobre a vida e que brevemente escolherá uma bela noiva. Garantiu que logo ela verá netinhos correndo pela casa. A mãe quase chorou.</p>



<p>Décio Thário consultou sua agenda, pesquisou as mulheres mais interessantes e visitou seus perfis nas redes sociais. Por fim, telefonou para Marilena e convidou-a para jantar. Disse que tinha algo muito importante a comunicar.</p>



<p>Marilena conhece bem Décio, mas eles só se encontraram em festas e eventos, nunca num jantar romântico. Será mesmo um jantar romântico? Bem, pensou, isso depende mais de mim do que dele. No dia marcado, produziu-se, perfumou-se e chegou ao restaurante na hora exata. Ela sabe que Décio Thário odeia atrasos.</p>



<p>Conversaram, jantaram, dançaram, então ele pegou algo do bolso do blazer e disse: isto é para você. Ela já estava com a mão direita estendida para receber o anel, mas era um envelope, com seu nome e a instrução: abra em casa e guarde segredo.</p>



<p>Morrendo de curiosidade, Marilena abriu o envelope ainda no elevador do prédio onde mora. Na carta, Décio diz que viajará por um mês e na volta pedirá alguém em casamento. Tinha um cheque de R$200.000,00 para gastar como bem entendesse.&nbsp;&nbsp;Quando retornar, jantarão novamente e ele perguntará o que fez com o dinheiro.</p>



<p>Marilena ficou muito feliz. Enquanto pensava em como usar o dinheiro, releu a carta várias vezes. Ele diz que vai pedir alguém em casamento, mas esse “alguém” pode não ser ela. Talvez tenha mais gente nessa parada.</p>



<p>Ela estava certa: tem mesmo. Marilene e Maria Helena também foram convidadas a jantar e receberam envelopes semelhantes. As três se conhecem, desconfiam que têm concorrentes, mas ninguém sabe quem está no páreo. A notícia vazou. Já viram moça jovem guardar segredo? O único segredo era quem mais jantou com o Décio Thário e recebeu um envelope. Os amigos fizeram um bolão com prêmio para quem acertar o nome da escolhida.</p>



<p>Quando Décio Thário retornou da viagem, convidou as três para jantar, uma por vez. Marilena chegou radiante. Usou o dinheiro para fazer preenchimento labial, peeling, Botox e comprou roupas chiques. Se ele a escolher, quer ser a noiva mais linda. Marilene chegou com caixas e sacolas com sapatos e roupas de grife, todas para ele. Ela quer que Décio seja o noivo mais elegante. Maria Helena chegou sorridente, mas nada nas mãos. Na hora de irem embora, abriu a bolsa e deu-lhe um cheque no valor de R$ 298.000,00. Disse que aplicou o dinheiro em derivativos, ações e criptoativos que renderam quase 50% em um mês.</p>



<p>Décio está indeciso: Marilena quer ficar linda para ele, Marilene quer vê-lo elegante e Maria Helena entende tudo de economia e finanças. Qual delas escolher? Após uma semana de muito pensar, Décio Thário escolheu Leninha. Ela não é linda, não tem bom gosto para roupas e não sabe nada de finanças. Mas tem o bumbum mais empinadinho que ele já viu! Além disso, cozinha muito bem.&nbsp;</p>



<p>A beleza um dia se acaba, mas a fome não! Parafraseando Blaise Pascal, o coração tem razões (e estômago também) que a própria razão desconhece. Vida que segue. E viva os noivos!</p>



<p><strong>OBS</strong>: Esta é minha 200a crônica neste jornal. 200 semanas consecutivas! Agradeço ao Jornal Tribuna pela oportunidade. Agradeço o apoio dos leitores. Que Deus tenha piedade de suas almas!</p>



<p></p>
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		<title>O olhar que nunca veio</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/04/o-olhar-que-nunca-veio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Patricia Lopes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 23:56:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando ainda era uma criança, Ana sentiu na pele a dor de ser julgada pelas mães de suas coleguinhas por ser uma menina diferente. Com olhares ressabiados e cochichos ao pé do ouvido de suas filhas, Ana presenciava aquelas mães puxando suas filhas pelo braço quando estavam na companhia dela, tentando alertar os seus tesouros [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando ainda era uma criança, Ana sentiu na pele a dor de ser julgada pelas mães de suas coleguinhas por ser uma menina diferente.</p>



<p>Com olhares ressabiados e cochichos ao pé do ouvido de suas filhas, Ana presenciava aquelas mães puxando suas filhas pelo braço quando estavam na companhia dela, tentando alertar os seus tesouros de que Ana não era uma boa coleguinha por ser muito pobre e destemida.</p>



<p>Sem compreender direito o sentido das palavras rejeição e preconceito, Ana tentava fazer de conta que não entendia aqueles comportamentos, mas, claro, ela compreendia, infelizmente.</p>



<p>Ana tinha o costume de fazer barulho, ou seja, de não deixar passar batida nenhuma injustiça. Lutava pelos seus direitos, principalmente o de ser ouvida. Essa era sua marca registrada desde tenra idade e à medida que o tempo ia passando, cresceu ao longo de sua vida.</p>



<p>As lutas que travava na escola, na rua onde morava, dentro da igreja, a faziam se sentir&nbsp; um patinho feio perante a sociedade.</p>



<p>Dentro do seu ambiente familiar, Ana sentia que era diferente. Odiava algumas brincadeiras que eram feitas, principalmente as sarcásticas, e sempre entrava na defensiva de quem quer que fosse. Era combatente de bullying, mesmo sem saber ao certo que era assim que se chamava.</p>



<p>Mas, o que mais entristecia Ana eram os olhares condenatórios daqueles olhares adultos das mães de suas coleguinhas. Aquelas mulheres insistiam em colocá-la numa cruz sem nem mesmo conhecer a história de Ana.</p>



<p>Ana cresceu num berço de espinhos. Paupérrima, ela buscava ocupar seu tempo com madeiras e bonecas quebradas para passar o tempo. O quintal de sua casa era um verdadeiro pomar, o que acalentava as duras dificuldades financeiras que a família dela enfrentava.</p>



<p>Mas, Ana não sofria por ser pobre e estar naquela condição, mas, sim,&nbsp; por se sentir injustiçada por pessoas que eram tão pobres quanto ela e pela total falta de empatia nos olhares diversos que recebia.</p>



<p>Intimamente, Ana sonhava em dar e ter condições melhores para sua família, mas esse sonho era tão distante quanto a distância da terra para o buraco negro mais próximo.</p>



<p>Mas, ela não se dava por vencida. Tentando combater todos os rótulos recebidos pelas mães daquelas amizades, sonhava em um dia ser digna de respeito e ver nos olhos daquelas mães um olhar enternecido por ela.Essa expectativa se arrastou ao longo dos anos e essas atitudes nunca aconteceram.</p>



<p>Ana cresceu se sentindo injustiçada, pois tinha plena convicção de que todos os seus comportamentos eram em prol de um bem maior: de justiça na sociedade.</p>



<p>Mas, tinha algo em Ana que nenhum olhar que a condenasse poderia dizer o contrário: ela era senhora de seu tempo.</p>



<p>Mesmo tendo consciência e certeza disso, Ana carregava o gosto amargo de se sentir rejeitada em sua infância por aquelas donas de casa que limitavam o seu acesso às suas amizades que era a alegria de Ana.</p>



<p>Aos cinquenta e poucos anos de idade, nada mudou no cenário de Ana. Ela ainda encontrava mães de coleguinhas travestidas de outras pessoas na sociedade por não ter uma graduação tampouco ter tido sucesso profissional como ela almejava ter.</p>



<p>Chorando sozinha, levou alguns anos para Ana sentir que tinha que passar a página desse cenário dolorido e acreditar que, de fato, ela não era aquilo que as pessoas rotularam por tantos anos. Mas, esse dia chegou e, pela primeira vez, Ana deixou de buscar nos outros o olhar que nunca veio. E, no silêncio, reconheceu o que sempre foi: um cisne que ninguém teve coragem de enxergar.</p>
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		<title>As 3 peneiras e Sócrates, no mundo digital</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/04/as-3-peneiras-e-socrates-no-mundo-digital/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[Influenciadores]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos anos 1960, no Curso Primário, hoje Ensino Fundamental, a escola exigia muita leitura, mas de livros, não sites ou Blogs. Íamos à Biblioteca Municipal para ler ou pegar livros emprestados. Não existiam Internet (pena), nem Influenciadores Digitais (graças a Deus). Foi por isso que eu e todos os meus amigos aprendemos a pensar. Bem, [&#8230;]]]></description>
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<p>Nos anos 1960, no Curso Primário, hoje Ensino Fundamental, a escola exigia muita leitura, mas de livros, não sites ou Blogs. Íamos à Biblioteca Municipal para ler ou pegar livros emprestados. Não existiam Internet (pena), nem Influenciadores Digitais (graças a Deus). Foi por isso que eu e todos os meus amigos aprendemos a pensar. Bem, quase todos os amigos. Ou melhor, alguns deles.</p>



<p>Li “As 3 Peneiras”, obra inspirada em Sócrates. Uma criança procura a mãe para dizer algo sobre um amiguinho. A mãe o interrompe e pede para passar o assunto pelas 3 Peneiras: 1) Verdade. O que você vai dizer é verdade? 2) Bondade. É algo bom? 3) Necessidade. Eu necessito saber? Se não é verdade, coisa boa ou necessária, melhor não dizer. O que o garoto disse era verdade, não era coisa boa, mas era necessário dizer: a avó do amiguinho, amiga de sua mãe, tinha morrido.</p>



<p>Imagino “As 3 Peneiras” hoje, na cabeça do Influenciador Digital que “orienta” sobre temas que ignora, têm bússola moral descalibrada e nunca leu Sócrates ou livros sobre Ética, Filosofia ou Sociologia. Seria mais ou menos assim:</p>



<p>Ariel, ex-cabeleireiro, ex-aluno de cursos inacabados, ex-Uber, ganhou notoriedade quando duas senhoras chamaram os Bombeiros para resgatar um gato numa árvore. Os Bombeiros constataram que o tal gato era Ariel, que subiu na árvore para fugir de um Poodle ameaçador. Ele, ou ela – ainda não se decidiu – tem pa-vor de altura, passou mal e precisou de coquetel de sais para reanimar. </p>



<p>Uma jovem, Evita Kaos, gravou o resgate e postou no Instagram. O vídeo viralizou, Ariel ficou famoso e se tornou Influenciador. Ganhou muito dinheiro, mas ignorou a jovem que o ajudou a ser descoberto pelo fascinante mundo digital. </p>



<p>Evita reconheceu Ariel, a pessoa que lhe causou muita dor. Antes da dúvida sobre o gênero, era um bad boy e bebia de tudo. Esperava encontrar respostas para os problemas no fundo do copo. Só não bebia acetona para não estragar o esmalte dos dentes. Tinha a mente aberta tão aberta que o cérebro fugiu.</p>



<p>Numa tarde, Ariel atraiu a jovem para um beco e seus parças abusaram dela. Ele gravou tudo, compartilhou as cenas com os amigos fiéis, mas o vídeo foi parar no Youtube. Evita Kaos, a vítima, hoje aluna de Direito, deu o troco. E com juros. Entrou anônima no Chat e disse a Ariel que tem um vídeo bombástico para postar. Ariel falou: </p>



<p><em>“</em><em>Pessoinha, antes de dizer qualquer coisa, saiba que atendo milhares de seguidores e n</em><em>ão tenho muito tempo. Primeiro você precisa passar seu vídeo bombástico pelas 3 Peneiras, para depois eu publicar nos canais. Muita calma nessa hora. Eu explico:</em></p>



<p><em>A primeira peneira é a Verdade. O que você vai me mostrar é verdade? Bem, se é ou não verdade, não tô nem aí. O que interessa nas Redes é “causar”. Verdade ou mentira, é apenas um detalhe. Verdade é só uma narrativa bem-acabada.</em></p>



<p><em>A segunda peneira é a Bondade, mas se o que vai mostrar é coisa boa, não me interessa. Coisas boas não bombam nas Redes Sociais e não rendem likes. O que vende bem e gera monetização é a fofoca. Quanto mais cabeluda, melhor.</em></p>



<p><em>A terceira peneira é a Necessidade. Pensando bem, vamos ficar com apenas duas peneiras. Ninguém liga para coisas necessárias. Aliás, quanto mais inútil, melhor. Meus seguidores adoram futilidades e só compartilham o lixo social. Coisas úteis só servem para os estudados. Eu só quero futilidades, que rendem likes e patrocínios.”</em></p>



<p>Evita Kaos disse que encaminhará o vídeo e Ariel decide o que fazer. Mas que vai bombar, isso vai. O Chat se alongou e Ariel não queria se atrasar para a sessão de procedimentos estéticos. A Clínica atende de graça, em troca de posts positivos. Por conta da pressa, Ariel se atrapalhou, postou o vídeo sem assistir e correu para a Clínica, pois tem de estar lindo(a) para a sessão de fotos e a entrevista para um canal alternativo de TV.</p>



<p>Após mais de 3 horas de banhos, cremes, cromoterapia e outros procedimentos, a Gerente da Clínica apresentou a fatura de R$ 4.500,00. Chocado(a), Ariel disse que acabaria com a Clínica nos posts. Tentou pagar no Cartão, mas não passou.  Pelo celular, soube que a entrevista e a sessão de fotos foram canceladas. Pasmou!</p>



<p>Ariel saiu da Clínica, chamou um Uber, mas já havia uma Viatura à porta. O material encaminhado por Evita embasou o indiciamento de Ariel e dos parças por abuso de menor. Ele posou para fotos, mas na Delegacia. Mesmo magoado(a), achou que as fotos ficaram &#8220;um arraso&#8221;! Atrás das grades, seu novo look e as investidas dos companheiros de cela ajudaram a definir a opção de gênero. </p>



<p>No final, ficou tudo bem para todos. Evita vingou o assédio e publicou um livro. Ariel foi eleita “Rainha do Presídio”, criou o Blog “Diário e Noturno da Cadeia” e os seus companheiros de cela não mais precisam de visita íntima externa. Vida que segue.</p>
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		<title>Seja uma bruxona!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Monica Graciete]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 20:27:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[#bbb]]></category>
		<category><![CDATA[Empoderamento]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
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					<description><![CDATA[Engraçado. Nunca fui de me interessar pelo BBB, mas, nas últimas semanas, tenho sido fisgada pelo protagonismo da Ana Paula. Mais alguém que não gosta de perder tempo à toa anda impressionada com a “bruxona”? A coragem de ser quem ela é, sua forma de assumir os riscos de expor suas verdades, é admirável e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h1 class="wp-block-heading"></h1>



<p>Engraçado. Nunca fui de me interessar pelo BBB, mas, nas últimas semanas, tenho sido fisgada pelo protagonismo da Ana Paula. Mais alguém que não gosta de perder tempo à toa anda impressionada com a “bruxona”? A coragem de ser quem ela é, sua forma de assumir os riscos de expor suas verdades, é admirável e inspiradora! Enquanto mulheres, precisamos muito de uma representatividade assim: alguém que impõe seus limites, é fiel aos seus aliados e tem consciência de classe. Mesmo sendo riquíssima, luta pela igualdade e pelo respeito, e abomina a injustiça.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O silêncio</h2>



<p>Felizmente, ela representa e influencia muitas mulheres que estão passando — ou precisam passar — pelo processo de autoconhecimento e empoderamento. Por isso, ela está sendo tão necessária nesta edição, principalmente diante do aumento no número de feminicídios. Basta uma pesquisa rápida no Google e você encontra os seguintes dados no portal Mundo GTV: no ano de 2024, os registros de feminicídio foram 1.459, subindo para 1.568 em 2025. É assombroso o fato de que, em média, quatro mulheres são assassinadas por dia. É lamentável perceber que, em meio a tantos números, nada muda, pois dados iniciais já indicam um aumento agora em 2026, com o crescimento de casos em estados como o Rio Grande do Sul. Onde vamos parar?</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quem disse que isso é destino?</h2>



<p>Nada melhor do que ter uma mulher forte sendo protagonista em rede nacional, justamente no momento em que o cenário atual está cheio de situações que nos silenciam. Lembro-me de inúmeras situações em meu último relacionamento nas quais eu tinha que silenciar para evitar receber toda a arrogância dele, para não receber &#8220;cara feia&#8221;, para não ser chamada de dramática e exagerada; silenciei para não ser tachada de louca, ou culpada por apenas ter sentimento. Descobri que isso tem nome: gaslighting! Silenciei diante de situações que ultrapassavam meu limite e, pior, chamava todo o abuso da relação de &#8220;destino&#8221;.</p>



<p>Desde quando o destino é sofrer calada? Infelizmente, a ideia de carma traz essa armadilha: se você está sofrendo, é porque merece; você escolheu essa vida para pagar suas dívidas de vidas passadas. Respeito toda crença, mas, sinceramente, muitas mulheres perdem suas vidas por acharem que Deus quer assim, que seu destino é viver ao lado de um abusador ou de um narcisista até morrer porque &#8220;merecem&#8221; isso.</p>



<p>Não merecem! Não merecemos! Minha avó decidiu isso para ela, e respeito, pois nada mais posso fazer. Mas, daqui para frente, é outra história. Quebrei as correntes e joguei água nas tochas!</p>



<h2 class="wp-block-heading">Que nenhuma mulher seja queimada</h2>



<p>Provavelmente, muitas outras &#8220;vozinhas&#8221; aceitaram abusos todos os dias e foram silenciadas de algum modo — silenciadas em vida ou com o fim dela. A Ana veio para trazer luz à escuridão de muitas mulheres contemporâneas que ainda se permitem viver situações da &#8220;Idade da Pedra&#8221;, acreditando que seu lugar é na caverna. Mas não! Seu lugar é onde você quiser! &nbsp;</p>



<p>Se ser forte, ter voz, não aceitar abusos e lutar pelo que acredita é ser &#8216;bruxa&#8217;, minha cara, seja uma bruxona!</p>



<p>Que nenhuma mulher seja queimada — seja ela bruxa, seja ela livre! </p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Antes de entender, já disseram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wenilson Salasar de Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 20:26:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bibliografias]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Em tempos de redes sociais, estudar sobre um assunto é apenas um detalhe a se desconsiderar. O importante é opinar, mesmo sem ter o mínimo conhecimento sobre o que se está comentando. Eu vejo isso acontecer com nitidez dentro da sala de aula. Não é uma cena excepcional; se repete com uma naturalidade que chega [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em tempos de redes sociais, estudar sobre um assunto é apenas um detalhe a se desconsiderar. O importante é opinar, mesmo sem ter o mínimo conhecimento sobre o que se está comentando.</p>



<p>Eu vejo isso acontecer com nitidez dentro da sala de aula. Não é uma cena excepcional; se repete com uma naturalidade que chega a inquietar. Apresento um tema, abro espaço, e as falas surgem rápidas, seguras, com uma forma que impressiona. Há construção, vocabulário, firmeza, intenção. Falta base.</p>



<p>Peço então um gesto mínimo. Mostre-me onde isso está no texto. Não elevo a voz, não tensiono o momento. Apenas devolvo a pergunta ao lugar de origem. O aluno volta ao papel. Os olhos percorrem as linhas com uma pressa que já não encontra o que procurava. A resposta não está ali. A fala que antes parecia inteira começa a se desfazer em silêncio.</p>



<p>Em outra aula, um texto curto. Uma página, talvez menos. Pedi a tese. A palavra tese ainda assusta alguns, como se carregasse um peso desnecessário. Vieram respostas que rodeavam o assunto, que tocavam o tema sem entrar nele. Pedi que apontassem um trecho. Um só. Houve um instante de suspensão. Foi ali que alguns perceberam que tinham falado antes de ler de fato.</p>



<p>Com os vídeos, a coisa ganha outra densidade. A imagem prende, a fala conduz, a conclusão chega pronta. O aluno repete. Repete bem. Repete com convicção. Pergunto o que sustenta aquilo. A frase perde o corpo. Voltamos ao vídeo. Pausamos. O que antes parecia cheio revela espaços vazios. O olhar muda. Não completamente, mas o suficiente para criar uma fresta.</p>



<p>Há um momento curioso nesse processo. Quando proponho que leiam com calma, algo no corpo reage. A inquietação aparece nos dedos, no olhar que escapa, na tentativa de sair antes de entrar. Permanecer diante de um texto exige uma espécie de disciplina que não se ensina com regra, mas com insistência e alguma intolerância à inércia.</p>



<p>Um aluno me disse, quase em tom de descoberta, que nunca tinha relido um parágrafo. Leu de novo. Depois mais uma vez. Na terceira leitura, encontrou algo que não tinha visto. Não havia novidade no papel. A novidade estava nele.</p>



<p>Essas pequenas experiências vão se acumulando. Não fazem barulho. Não rendem frases prontas. Mas deslocam alguma coisa.</p>



<p>A opinião continua surgindo com facilidade. É um ato que chega antes, ocupa espaço, pede reconhecimento imediato, firmada em si mesma. A sustentação exige outro tipo de movimento. É necessário voltar, procurar, sustentar o que se diz com algo que não seja apenas a própria vontade de dizer.</p>



<p>Ler, então, passa a ser um exercício de demora, ato não cumulativo, um gesto que contraria a pressa, o enfrentamento silencioso com aquilo que não se entrega de imediato.</p>



<p>Eu fico com a sensação de que o problema não está na fala porque sei que falar sempre foi parte da evolução humana. O que se alterou foi o instante anterior. O entendimento deixou de ser condição e passou a ser consequência eventual, quase descartável.</p>



<p>E nesse intervalo, estreito e praticamente invisível, a leitura continua esperando alguém que aceite ficar um pouco mais.</p>
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		<item>
		<title>As coisas que fazemos sobrevivem a nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Monica Graciete]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 19:34:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[FAMÍLIA]]></category>
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					<description><![CDATA[Acabei de levantar depois de ler uma mensagem da Ana Paula sobre minhas crônicas. A Ana é uma professora de excelência; trabalhamos juntas em uma escola particular aqui da cidade. Amante da Literatura e da Arte e dona de um coração puramente humano. Havia lhe enviado uma crônica que escrevi, pois queria sua opinião. E [&#8230;]]]></description>
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<p>Acabei de levantar depois de ler uma mensagem da Ana Paula sobre minhas crônicas. A Ana é uma professora de excelência; trabalhamos juntas em uma escola particular aqui da cidade. Amante da Literatura e da Arte e dona de um coração puramente humano. Havia lhe enviado uma crônica que escrevi, pois queria sua opinião. E quando li a frase dela dizendo que <em>minha escrita é um ímã, que fisga — no bom sentido — não apenas os amantes da Arte e, consequentemente, da literatura, como também quem venera a vida</em>, foi mais do que suficiente para me fazer vir direto da cama para o notebook. Sabe aqueles dias que tentam te engolir antes do pôr do sol? Pois bem, foi hoje. Mas é aquela história: nada foge do controle de Deus. E ler sua mensagem foi mais potente do que se tivesse tomado duas xícaras de café torrado.</p>



<p>Outro acontecimento maravilhoso do dia foi receber a mensagem do advogado confirmando a curatela provisória do meu avô. Agora, legalmente, sou responsável por aquele homem que eu esperava na porta de casa após as onze da manhã dos sábados, que sempre me trazia pipoca e leite naquela bicicleta amarela. Agora, com Alzheimer, as memórias estarão se despedindo aos poucos, mas em mim ficarão para sempre. E para garantir que o tempo não as leve jamais, as eternizarei aqui.</p>



<p>Quando, no domingo antepassado, minha avó em sonho avisou que algo me aconteceria, mas que tudo ficaria bem, fiquei um pouco angustiada, preocupada e até incrédula por aquela comunicação. Então veio a segunda-feira, onde minha genitora nos abandonou friamente e, mais uma vez, meus pés não encontraram o chão. A terça foi um dia de escuridão. Mas na quarta voltei a ver o sol, e Janete começou a trabalhar aqui, cuidando do meu avô e do meu filho. Olhando para os dois, sentia que a dor de mais um abandono precisaria esperar. A necessidade do cuidado é mais urgente. Isso me faz perceber agora que preciso criar uma lista de espera para as dores. Não há tempo para atender a todas de uma vez. Mas com organização e paciência a gente chega lá.</p>



<p>Há dois dias, coloquei uma câmera no quarto do meu avô. Como não consegui pagar uma pessoa para ficar no horário da tarde com ele, a solução mais rápida foi instalar uma câmera de segurança com áudio para continuar cuidando à distância. E têm sido dois dias bastante divertidos. Para ele, é um celular na parede. Hoje cedo, já no trabalho, ativei a voz para lembrá-lo de beber água. Tomou um susto e ficou procurando de onde vinha a voz. Foi até a varanda, mas voltou à cadeira de balanço quando expliquei que eu estava no telefone acima da porta e poderia ouvi-lo da cadeira mesmo. O Alzheimer não tira férias. Seria bom se o fizesse às vezes.</p>



<p>Estive pensando, enquanto o olhava em tempo real, que, para além da necessidade urgente do cuidado atual, colocar essa câmera me garante mais uma forma de eternizar tudo isso. E vejo que o que vozinha disse em sonho era realmente real. De alguma forma ela viu tudo, como se nos assistisse por uma câmera de segurança que apresenta o futuro. E com a paz começando a fazer parte dos nossos dias, consolida a certeza que ela me deu: &#8220;Minha filha, tudo vai ficar bem!&#8221;.</p>



<p>Ainda dói não poder acariciar os seus cabelos e, por enquanto, ainda não deu tempo de chorar toda essa dor. Por isso, como dizia antes, eu a deixarei na fila de espera. Não sei se um dia vou deixar de sentir o que sinto hoje — talvez nem queira, ou talvez nem possa. Afinal, não doer é como parar de sentir a saudade, e isso eu sei que nunca vai acontecer. Espero, ao menos, que minha face se inunde de lágrima quando chegar a vez dela na fila. Pois, no final, eu sei que tudo vai ficar bem. Ela mesma me garantiu</p>



<p>Olho as câmeras enquanto escrevo e o vejo dormindo um sono leve e merecido. Ontem adormeci com o celular na mão, observando-o, congelada e reflexiva. Uma sensação de paz, mesmo em meio ao caos. Lembro da fala que ouvi no trabalho essa semana: &#8220;Ninguém quer saber dos seus problemas pessoais, querem saber da Mônica profissional. Você sabia do trabalho que teria trazendo seu avô para morar com você. Se organize! Para fazer um nome leva tempo, mas para perder é fácil&#8221;. Foi um momento em que me senti a <em>Frozen</em>, sem nenhum esforço. O choro não veio, mas a certeza de que ali não era o meu lugar ficou evidente.</p>



<p>Sinceramente, já não espero ser compreendida. Muito menos que ofereçam apoio ou que deixem de ser quem são. Na verdade, não espero absolutamente nada! Afinal, aprendi que o outro é território inabitável e, se há um espaço com que devo me preocupar, é o meu — embora sinta que nem ele me pertence por inteiro. Foi assim que compreendi que nada vale mais do que estar ao lado de quem a gente realmente ama e que nos ama de volta. No fim das contas, nada compensa a dor do arrependimento de não ter ficado mais tempo. Dos almoços não compartilhados. Das risadas que não existiram. Da vitamina que não foi preparada, do banho que não foi dado. Da unha que não foi pintada. Do cabelo que não foi cortado. Absolutamente nada vale esse preço.</p>



<p>Por isso, quando olho o seu sono tranquilo, sei que é exatamente ali que habita o meu coração. É nesse instante que recordo a frase do livro Extraordinário: &#8216;As coisas que fazemos sobrevivem a nós&#8217;. Compreendo, enfim, que mesmo depois de mim, vocês são o que deve permanecer. Pois, felizmente, a gente só encontra a paz de verdade quando decide que o amor é o único território que realmente nos pertence</p>



<p><em>27 de março de 2026</em></p>



<p></p>
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		<title>Condomínio, Congresso e Cabaré</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[condomínio]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Quem nunca morou em Condomínio ou jamais participou de uma Assembleia, não sabe o que é viver perigosamente. Tem jogo de poder, intrigas, maracutaia, desvio de verba, assédio e muito mais. Se você quer saber como é um Condomínio ou uma Assembleia, ligue a TV no noticiário ou canal público e acompanhe as sessões do [&#8230;]]]></description>
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<p>Quem nunca morou em Condomínio ou jamais participou de uma Assembleia, não sabe o que é viver perigosamente. Tem jogo de poder, intrigas, maracutaia, desvio de verba, assédio e muito mais. Se você quer saber como é um Condomínio ou uma Assembleia, ligue a TV no noticiário ou canal público e acompanhe as sessões do Congresso. É mais ou menos a mesma coisa. Só que os rolos de um condomínio afetam apenas seus condôminos. Já os do Congresso, afetam o país inteiro.</p>



<p>Assim como no Parlamento, nas assembleias condominiais também tem brigas, ameaça de morte (às vezes cumprida), fofocas, fake news, denúncias, conchavos, política, traições e promessas furadas. O Condomínio é um Congresso em miniatura e o Congresso é um grande Condomínio. O condômino para as taxas e o contribuinte os impostos. Se você mora em condomínio, paga os dois. KKK</p>



<p>Outra semelhança: boa parte dos condôminos não comparece às Assembleias. Depois, queixam-se do valor da taxa e da conservação do prédio. Muitos eleitores não se interessam por política, não votam, ou votam por obrigação. Nem se lembram em quem votaram. Depois reclamam dos impostos, da falta de segurança, da corrupção etc.</p>



<p>A cada quatro anos, os políticos pedem seu voto dizendo que vão lutar pelo povo e corrigir as cacas, que na verdade eles mesmo fizeram. Mas o que eles querem é apenas garantir interesses pessoais. No Condomínio, se alguém pede seu voto para ser eleito síndico, desconfie da sua idoneidade, da sanidade ou de ambas.</p>



<p>Se você for à Assembleia para ver como é, atente para as seguintes dicas: 1) Nunca sugira coisa alguma; 2) Se uma ideia vier à cabeça, não a mencione; 3) Jamais aceite participar de Comissões, a menos que a comissão compense ($$); 4) Em nenhuma circunstância assuma qualquer cargo. </p>



<p>Na Assembleia de Condomínio, quem sugere muito vira Síndico. A menos que você tenha dinheiro no Banco Master, torça para a Portuguesa ou aguarda o dinheiro do golpe do INSS, jamais aceite ser síndico. Todos te cumprimentam, dizem que vão ajudar, mas depois somem. Pensa que manda, que é autoridade, porém é só um empregado dos vizinhos, sem férias remuneradas e escravo do zelador.</p>



<p>Alceu Dispor  nunca morou em condomínio. Recebeu uma convocação, foi à Assembleia, mas não atentou para as dicas do 5º parágrafo. Chegou curioso, palpitou bastante e saiu síndico eleito. Viúvo, gente boa, Contador aposentado, morador solitário, ex-assessor parlamentar, conhece maracutaias, golpes, conchavos, mas viu no cargo uma oportunidade para ocupar o tempo ocioso, fazer amizades e ser útil. Ledo engano.</p>



<p>Passou dias planejando o trabalho, negociando dívidas, refazendo prestações de contas viciadas, redefinindo funções dos empregados e mediando atritos entre os vizinhos. Subsíndico e conselheiros  jamais atendiam convites para reuniões, nem respondiam mensagens via WhatsApp. Além da Administradora, suas preocupações se resumem a 5 itens, todos iniciados com C: Condôminos, Crianças, Cachorros, Canos e Calote. Todo dia tem cano furado, briga de vizinhos, gritaria da criançada, reclamações sobre latidos, mordidas e pedidos para pagar a taxa com atraso. Sem multa, claro. Sua pacata vidinha de aposentado ganhou sabor de visita de sogra em feriado prolongado.</p>



<p>Eva Gabas foi a única a oferecer ajuda. Eles se entrosaram bem e ela não saia de seu apartamento. Não entende de gestão condominial, mas é ótima companhia. Levou a escova de dentes, depois as roupas, sapatos, e não saiu mais de lá. Não tardou a assinarem acordo de União Estável. Almas gêmeas, Eva sente tudo o que ele sente, antes mesmo dele sentir. Olha intensamente nos seus olhos, mas só para saber se ele está com conjuntivite.</p>



<p>Porém, ela não tardou a mostrar as credenciais. A ex-rapariga e ex-dona de Cabaré não pagava o aluguel e nem condomínio. Deve na praça, é procurada em 3 Estados e em poucos meses transferiu a aposentadoria do idoso para sua conta. Sumiu por um tempo e Alceu achou que ela tinha morrido. Eva Gabas largou várias bombas nas mãos do idoso, que foi preso por suspeita de feminicídio. Gente ruim também morre, pensou, mas isso não muda o que elas foram.</p>



<p>Por causa dela, Alceu responde processos por estelionato praticado em seu nome, intimações da Receita Federal, do INSS e da Prefeitura, além de ações de cobrança de fornecedores do Condomínio. Na cadeia, entrou para uma gangue, arrependeu-se, mas não teve como pular fora, pois a regra é “ninguém sai”. Um amigo pagou a fiança e Alceu Dispor foi solto.</p>



<p>Reencontrou Eva Gabas, reconciliaram-se e o aposentado usou as economias para reinaugurar o Cabaré. Hoje, vive cercado de piriguetes, de boa com traficantes, procurados pela Justiça, mas tem de lidar com fiscais e policiais corruptos. Oferece conforto e consolo a maridos abandonados e atura bêbados chorões diariamente. Porém, a vida é boa e ele é muito feliz junto à sua amada. </p>



<p>Alceu dispor conheceu de perto o Congresso, o Condomínio e o Cabaré. Das três zonas, prefere a terceira, bem mais honesta. Síndico de Condomínio, nem pensar! É muito perigoso! Vida que segue.</p>
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		<title>Os felizes e os tristes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Monica Graciete]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 17:49:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Enquanto o sol se despedia lentamente ontem a noite, estava eu, sentada na varanda com meu avô. Ali, em silêncio, observei que ele precisava falar e ser ouvido. É tão simples, no entanto, tão raro. E lá estávamos: eu escrevendo e ele falando dezenas de vezes a mesma coisa, como se nunca o tivesse dito, [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22-768x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-195350" srcset="https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22-768x1024.jpeg 768w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22-225x300.jpeg 225w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22-1152x1536.jpeg 1152w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22-696x928.jpeg 696w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22-1068x1424.jpeg 1068w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-11-at-11.06.22.jpeg 1199w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>



<p>Enquanto o sol se despedia lentamente ontem a noite, estava eu, sentada na varanda com meu avô. Ali, em silêncio, observei que ele precisava falar e ser ouvido. É tão simples, no entanto, tão raro. E lá estávamos: eu escrevendo e ele falando dezenas de vezes a mesma coisa, como se nunca o tivesse dito, coisas do alzheimer. Fiz algumas fotos e continuei escrevendo minhas crônicas. Um ventinho refrescante ali na varanda, sua voz ao lado repetindo cenários e lembrando do tempo em que morou no sul. Havia trabalhado com cana-de-açúcar. Surpreendentemente, ele dizia que, se tivesse no que trabalhar, o faria. Ao questionar, em tom de graça, sua vontade de trabalhar aos setenta e nove anos, ele caiu na risada. Enquanto ouvi sua gragalhada, senti gratidão, por cada vez que riamos diferente da mesma coisa que foi dita.</p>



<p>Se o Alzheimer me escutasse, eu lhe diria com toda convicção: você não vai roubar o riso&#8230; Pode roubar as memórias, a caminhada pela manhã, a chamada de vídeo com o irmão, a vitamina às 9h, o banho às 5h, a visita às 16h, o passeio ao shopping, mas o riso, não!</p>



<p>No escuro deste quarto, às cinco e trinta e seis da manhã, acordo grata! Grata porque Deus é bom e nada foge do Seu controle. Sou a bebê que seria doada no hospital, mas acabou sendo adotada por uma família da zona campesina. Os dois fatos são ruins, mas aprendi bastante. Me levaram a trilhar caminhos inimagináveis e a viver uma vida que seria improvável. Aos poucos superei obstáculos e hoje posso garantir ao meu avô— quem me criou — de uma vida digna e confortável.</p>



<p>Abri os olhos nesta manhã e me lembrei do Gil, o rapaz latino-americano que me disse que sua motivação diária é acordar e ter a possibilidade de fazer o melhor possível. Esse é o segredo da vida: a forma como olhamos e nos sentimos diante do que nos acontece. Gil é aquele rapaz que enxerga o copo meio cheio; ele me fez lembrar que também sou assim. As decepções quase me afundaram, mas, como nada foge do controle de Deus, lá estava o Gil para me lembrar a essência.</p>



<p>Esqueci de desligar o despertador. Acordei antes da hora que desejava, mas, diferente de ontem, me sinto agradecida. E isso faz toda a diferença. A louça está suja, a casa por varrer, as roupas para dobrar, o banheiro para lavar e — julgue-me se preferir — tudo é transitório demais para que meu tempo seja apenas para cumprir tarefas domésticas. Gosto do que é eterno. Escrever é eternizar. Agora mesmo, eternizei minha louça por lavar muito mais do que se a tivesse lavado. Entendes? Acho que isso é um belo presente que me dou no Dia Internacional da Mulher. Quem disse que o domingo precisa começar com a casa limpa, quando a alma já amanhece lavada?</p>



<p>Vejo minha vozinha na tela de bloqueio, um sorrisinho leve. São cinco e cinquenta e dois. Ouço os passos do meu avô pelas cerâmicas. Já despertou. Vou ficar aqui mais um pouco. Às 7h preparo sua vitamina e sua aveia com banana. Ouço o chuveiro ligado; hoje o seu banho está sendo às seis e quatro — geralmente é às quatro e meia, no máximo às cinco.</p>



<p>Meu filho está na casa da avó. Devido às suas condições neurológicas, ele está sempre irritado, imitando um Godzilla ou qualquer outro dinossauro. Qualquer coisa que eu peça para ele fazer, ele reclama. A qualquer &#8220;não&#8221; que receber, virá um Godzilla. Queria que ele sentisse gratidão pela vida, mas ele se sente insatisfeito vinte e quatro horas por dia.</p>



<p>A gratidão deve ser um exercício diário. Preciso encontrar um método de treinar essa habilidade nele. Será que existe? Vou descobrir. Porque a grande diferença entre os felizes e os tristes é o <strong>ponto fixo</strong>. O ponto fixo do triste é o que lhe causa desânimo; o feliz não tem um ponto fixo de dor, senão também seria um triste. Tudo é transitório. E a alma lavada não teme a louça suja; ela sabe que o eterno mora no intervalo entre o sinal do despertador e o primeiro gole de café.</p>



<p></p>
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		<title>Casca Grossa, Casca Fina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rosiane Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 18:07:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Casal de idosos escolhe frutas em uma banca de laranjas em feira livre
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Saber escolher boas frutas e vegetais é um marco de adultez. Nada me faz sentir tão preparada para a vida quanto identificar as excelências do hortifrúti a partir de espessuras, cores, peso. Essa semana, porém, minhas certezas foram abaladas por um casal idoso e uma banca de laranjas.</p>



<p>Já estava com minha sacola pra lá da metade, quando um senhor muito gentil aconselhou: “Não pega essas aí não, minha filha, essas da casca grossa é que são boas.” Antes que eu pudesse pensar numa resposta, a esposa dele, do outro lado da banca, retaliou: “Que besteira. Todo mundo sabe que laranja da casca fina e lisa é que presta.”</p>



<p>Minhas escolhas acompanhavam a ideia da mulher, mas a julgar pelos olhares não muito amigáveis entre o casal, resolvi não tomar partido. A disputa continuou com os dois muito convictos, inserindo aqui e acolá algum argumento doméstico, como: “eu é que faço o suco lá em casa, então eu é que sei.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Lições de uma banca de laranjas</h2>



<p>“Aí é que está”, concluiu o senhor. “Não quero pra suco, quero pra chá.” Nesse momento, a esposa desistiu do que iria dizer e eu me manifestei, curiosa sobre a finalidade apresentada pelo homem. Recebi a explicação detalhada de vários remédios caseiros à base de casca grossa de laranja e seus benefícios.</p>



<p>Tomamos rumos diferentes, o casal agora debatendo a importância de sucos e chás e eu matutando sobre uma verdade elucidada a mim numa banca de laranjas: às vezes a diferença não está entre ser bom ou ruim, mas entre ser bom para objetivos diferentes. Olhei para minha sacola de laranjas de cascas variadas, satisfeita pelo novo conhecimento, mas inquieta com o questionamento: Quantas decisões tomamos na vida, tentando ser suco, quando, na verdade, talvez fôssemos melhores para chá?</p>



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<p></p>
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			</item>
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		<title>Ordinário, por gentileza, desfilar!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Geração Z]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
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					<description><![CDATA[Após concluir a Escola de Comando, o tenente coronel Célio Durão foi designado Adido Militar na ONU, onde ficou por quatro anos. Filho, neto e bisneto de generais, todos foram heróis nas duas Grandes Guerras e em missões de paz mundo afora. Foram feridos em combate e receberam a Medalha de Honra. O bisavô e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após concluir a Escola de Comando, o tenente coronel Célio Durão foi designado Adido Militar na ONU, onde ficou por quatro anos. Filho, neto e bisneto de generais, todos foram heróis nas duas Grandes Guerras e em missões de paz mundo afora. Foram feridos em combate e receberam a Medalha de Honra. O bisavô e o avô são nomes de ruas em várias cidades. O Coronel Célio Durão tem DNA de herói.&nbsp;</p>



<p>Primeiro colocado na Academia e na Escola de Aperfeiçoamento, Célio Durão serviu na Selva Amazônica e participou de missões no Caribe, na África, no deserto e em regiões inóspitas, com ótimos resultados. É fluente em seis idiomas, tem gosto apurado, é paraquedista, mergulhador, faixa preta no Judô e exímio atirador.</p>



<p>Por essas características e pela carga genética, foi designado para comandar o Batalhão Operacional, unidade de elite que o pai e o avô chefiaram. Sua missão é treinar soldados para operações especiais da ONU, em regiões em conflito bélico e em constante perigo. Missão impossível? Não para o futuro General Célio Durão.</p>



<p>Na cerimônia em que assumiu o comando, o subcomandante, Major Enzo, passou mal e foi atendido com sais aromáticos e chá de ervas. O Capitão Ariel, gênero fluido, socorreu-o com respiração boca a boca e massagem nas têmporas. Coube à Sargento Machadão liderar o desfile da tropa.</p>



<p>No dia seguinte, o Coronel Durão conheceu os oficiais, sargentos e recrutas recém incorporados. A missão de transformá-los em tropa operacional depende menos de suas habilidades, já comprovadas em várias missões, e mais do caráter dos oficiais, sargentos e, principalmente, da fibra dos recrutas.</p>



<p>O/a Tenente Luan, foi encarregado/a de mostrar-lhe as instalações. Ele usa ora o artigo masculino, ora o feminino antes do posto, visto que o vocábulo Tenente é comum de dois. Levemente maquiado, ostentando bigode e cabelos à máquina zero, está em transição de gênero, porém indeciso(a). Tão logo se decida, comunicará o Comando. Ou não, pois deixará de receber o Adicional de Transição.</p>



<p>O pessoal do Rancho precisou de treinamento para renovar o cardápio, que agora tem as opções vegetariana, vegana e ogro (apenas sob demanda). Tem boa variedade de saladas, molhos, suflês, alimentos diet, sem glúten, sem lactose e sem sódio adicionado. Tudo bem, pensou o Comandante. Comida saudável é bem melhor para manter a tropa em forma.</p>



<p>Os alojamentos e os banheiros tiveram de ser adaptados ao perfil da tropa e às mais variadas opções de gênero. Os novos Mascotes das Companhias são Mulher Maravilha, Meninas Superpoderosas e o Aquaman. O Coronel Durão foi preparado para tolerar a diversidade, mas ficou imaginando o que seus antepassados diriam se conhecessem a tropa Geração Z.</p>



<p>Algumas surpresas estavam por vir. Ao visitar as instalações de ginástica, descobriu que os instrutores formados na Educação Física Militar foram substituídos por uma dúzia de personal trainer e o ringue de box deu lugar a uma quadra de Pickball. Na instrução de Ordem Unida, em vez de marchar com coturnos, a tropa desfila com sapatilhas, ao som de Anitta e Pablo Vittar. Mas a coreografia é realmente linda. </p>



<p>A barbearia oferece secador de cabelo, drenagem linfática, maquiador, manicure e pedicure. O Paiol é bem conservado, mas armamentos e munições permanecem intactos, pois os recrutas têm pavor de armas letais. Surpresa maior foi na saída. Quando vão para casa, em roupas civis, o Quartel parece o palco da SP Fashion Week. Os recrutas ficam irreconhecíveis. Um arraso! </p>



<p>Após 4 meses tentando impor disciplina, rigor e transformar os recrutas em militares casca grossa, preparados para o combate, o Coronel Durão estressou no limite e baixou ao Hospital Militar. O Batalhão Operacional foi desativado e o Alto Comando se retirou das Forças Especiais da ONU. Após a alta, o Coronel foi transferido para o Serviço Reservado, onde atuou disfarçado de especialista em moda, para tentar identificar os grupos progressistas que estão detonando a imagem dos militares. </p>



<p>Após algum tempo na nova missão, o Coronel Célio Durão se redescobriu. Passou para a Reserva e hoje dirige da divisão Army Trans Fashion da Yves Saint Laurent. Separou-se da mulher e uniu-se à Sargento Machadão. Assumiu-se Cely Duran e se diz realizada. Sorte que o país não se envolve em conflitos armados. Ai de nós se precisarmos da tropa Geração Z!</p>
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