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	<title>casais &#8211; Jornal Tribuna</title>
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	<description>O seu portal de notícias e artigos científicos</description>
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		<title>A MECHA contra–ataca a UNHA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
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					<description><![CDATA[Inimigos nunca decepcionam, pois deles ninguém espera nada de bom. A decepção vem das pessoas amigas. Duvida? Judas Iscariotes era um dos 12 amigos de Jesus; Joaquim Silvério dos Reis era amigo de Tiradentes; Marcus Junius Brutus era filho adotivo de Júlio César. Todos foram traidores e por causa da traição, seus amigos morreram. Edu [&#8230;]]]></description>
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<p>Inimigos nunca decepcionam, pois deles ninguém espera nada de bom. A decepção vem das pessoas amigas. Duvida? Judas Iscariotes era um dos 12 amigos de Jesus; Joaquim Silvério dos Reis era amigo de Tiradentes; Marcus Junius Brutus era filho adotivo de Júlio César. Todos foram traidores e por causa da traição, seus amigos morreram.</p>



<p>Edu não é traidor. É apenas vacilão e seu vacilo causou estrago na UNHA – União Nacional dos Homens Afetados. Ele compartilha tudo com a esposa: senha do celular, conta bancária, cartão de crédito etc. Eva colocou laxante no seu café e, durante a reunião da UNHA, ele ficou no banheiro o tempo todo. Depois, acessou o celular do marido, ouviu e gravou a reunião secreta. </p>



<p>Milu convidou as esposas envolvidas para um chá e Eva exibiu o áudio da reunião da UNHA que tratou da Ameaça Pet e da Inteligência Artificial. Depois de criticarem os maridos pilantras, decidiram criar a MECHA – Mulheres Empoderadas Contra Homens Afetados.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não existe mulher como todos esses atributos? Como assim? Eu cuido das mãos, pés, cabelos, agenda, filhos, gato, marido, tudo ao mesmo tempo. Rola sexo uma vez por semana e no verão eu até tiro a blusa do pijama. O que mais ele quer? – questionou Chloe.</li>



<li>O meu prefere periguetes porque falam besteiras e gemem na hora H. Eu disse que posso fazer o mesmo. É só dizer quando é a hora H.</li>



<li>Fez bem, Aninha. Conta como foi.</li>



<li>Quando ele disse “agora”, comecei a falar: a diarista foi embora, o Júnior torceu o pé, eu bati seu carro. Sabe, miga, eu sofro de artrite reumatóide e o ciático também atacou. Aí, nem precisei fingir. Gemi de verdade.</li>



<li>Deu certo, amiga?</li>



<li>Não. Ele brochou e ainda pôs a culpa em mim. Vai entender esses homens.</li>
</ul>



<p>Milu, a anfitriã, só escutava. Juca, seu marido, é dono da padaria Lisboa e abriu uma filial, a Algarve. Acontece que ele também tem uma filial moreninha que usa mini saia. Milu depende financeiramente dele e é muito meiga para tomar providências severas.</p>



<p>Ainda no áudio da UNHA, Raul diz que Choe é um quebra-cabeças com peças faltando. Pedro diz que Hilda é livro sem capítulo final. Para João, todas são malucas mesmo. É muita safadeza falar isso das esposas. O marido de Hilda foi embora várias vezes, mas sempre volta. Não sabe como a camisa largada no banheiro reaparece no guarda-roupas, lavada e passada. Hilda chutou Pedro e arrumou outro. Ele apelou para a religiosidade da esposa e pediu para voltar, mas ela disse que Jesus mandou amar o próximo, não o ex. Pedro dançou!</p>



<p>Com exceção de Milu, ninguém sabe que foi Eva, esposa do Edu vacilão, que gravou o áudio da UNHA. Ela continuou monitorando as reuniões e telefonou para Chloe para dizer que os homens desconfiam de vazamento de informações para as esposas.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Como eles ficaram sabendo da MECHA e das nossas reuniões? &#8211; perguntou Chloe.</li>



<li>Talvez tenhamos uma traidora no grupo – argumentou Eva. Precisamos ficar atentas.</li>
</ul>



<p>Milu trata Juca com todo amor e carinho, mesmo ciente de sua filial moreninha de mini saia. Toda manhã, serve um café especial para o canalha. Na cama! As reuniões da UNHA e da MECHA prosseguiram, num jogo de gato e rato, até que Chloe constatou que há realmente uma traidora no grupo. Fuçou o WhatsApp do Raul e descobriu que vários têm o contato da Sharona, a solteira magrinha da MECHA. Marcaram reunião para desmascará-la, mas tiveram de cancelar quando souberam que o marido da Milu morreu de cirrose.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Poxa, amiga, o safado do Juca não bebia. Como teve cirrose hepática?</li>



<li>Uma colher de cinzas no café, toda manhã. Não altera o sabor, nem a cor. A causa da cirrose não é detectável pela patologia forense.</li>
</ul>



<p>UNHA e MECHA foram desativadas. Para as esposas, é sinal de maturidade não falar mal ou amaldiçoar os canalhas que desgraçaram suas vidas. Milu conheceu um novo amor e deu um jantar para celebrar a união, mas não convidou Sharona, nome social de Jacinto Damião,  mulher trans que também atende por Jenniffer, com dois N e dois F, que foi amante de vários membros da UNHA e raspou suas finanças. Vida traíra e complicada que segue.</p>
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		<title>Piteiras de látex e o livro de Jó</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2023/09/piteiras-de-latex-e-o-livro-de-jo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Sep 2023 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[terapias]]></category>
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					<description><![CDATA[Sexta-feira, 18:30. A Livraria da Mulher Moderna se&#160;prepara para&#160;o&#160;mais aguardado lançamento dos últimos meses, o Livro de Jó, de autoria de Jósimar. Isso mesmo, apenas Jósimar, com acento no “ó”. O subtítulo é curioso: “50 Histórias Reais de Homens Traídos”. A obra aborda a traição feminina do ponto de vista de um Dom Juan moderno [&#8230;]]]></description>
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<p>Sexta-feira, 18:30. A Livraria da Mulher Moderna se&nbsp;prepara para&nbsp;o&nbsp;mais aguardado lançamento  dos últimos meses, o Livro de Jó, de autoria de Jósimar. Isso mesmo, apenas Jósimar, com acento no “ó”. O subtítulo é curioso: “50 Histórias Reais de Homens Traídos”. A obra aborda a traição feminina do ponto de vista de um Dom Juan moderno e é o assunto do momento nos salões de beleza, clínicas de estética, academias, revistas e redes sociais. Segundo a imprensa, a obra é algo na linha de 50 Tons de Cinza, mas em versão macho, e a Netflix já adquiriu os direitos de filmagem. O engraçado é que os maridos em geral desconhecem esse autor.</p>



<p>Informações obtidas sob condição de absoluto sigilo da fonte, garantem que o livro é baseado na experiência do autor, considerado pelas pacientes “o amante ideal”. O termo “paciente” percorre o texto e Jósimar, certamente um pseudônimo, jura que não se aproveita de mulheres infelizes no casamento. Afirma que é apenas um terapeuta matrimonial.</p>



<p>Após 18, 20 anos, a relação tende a cair no marasmo. Os maridos não vêm mais na esposa a jovem fogosa e curvilínea com quem se casaram. Ignoram a lei da gravidade e que homens também envelhecem. A mente masculina se recusa a aceitar a idade e eles extravasam as necessidades de afeto com as meninas boas das famílias más. Em muitos casos, a traição não decorre da falta de atenção da esposa, mas do prazer pela aventura e o perigo. Outra causa, segundo o autor, são os problemas típicos do universo masculino, menos frequentes depois do aparecimento do Viagra.</p>



<p>Adamastor (Astô) e Ariosvaldo (Valdo), colegas do tempo da faculdade, se encontraram na porta da livraria. Mesmo chegando antes do horário previsto, já havia fila considerável, curiosamente composta 80% por homens. Astô e Valdo foram ao lançamento a pedido das esposas Vânia e Vilma, que também exigem autógrafo e dedicatória. Como a fila se estendesse pela calçada, eles resolveram fumar e colocar a conversa em dia.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não sabia que você usa piteira, Astô.</li>



<li>Comecei há 6 meses, Valdo, presente da Vânia.</li>



<li>A minha foi presente da Vilma e é exatamente igual à sua.</li>



<li>Segundo a Vânia, é feita de látex ultra resistente e filtra 95% da nicotina e do alcatrão. Elimina o risco de câncer e tem sabor de menta. Às vezes fico com a piteira na boca, mesmo sem o  cigarro, só para curtir o sabor.</li>



<li>Vilma diz a mesma coisa, só que a minha tem sabor morango. É deliciosa!</li>



<li>Vânia é massoterapeuta e comprou a piteira de um cliente, para ajudá-lo. Ele sofre de estresse crônico por causa das dores constantes na virilha. Às vezes não consegue sair de casa e Vânia precisa atendê-lo em seu apartamento.</li>



<li>O mesmo acontece com a Vilma. Ela é&nbsp;acupunturista&nbsp;e também tem um cliente especial, com problemas de locomoção. Uma perna se atrofiou por causa da escoliose. Já o vi no consultório, todo torto, arrastando-se com auxílio do andador. Ultimamente ela passou a atendê-lo em domicílio. É um homem bem musculoso, difícil acreditar que tem tantos problemas.</li>



<li>É, meu caro Valdo, temos de agradecer por sermos saudáveis, ou quase.</li>



<li>Por que “quase”, Astor? A saúde não vai bem?</li>



<li>É o problema da maioria dos homens da nossa idade. O desempenho não é o mesmo e as amantes são exigentes. Sem Viagra, não dá. Às vezes chego em casa depois de passar pela filial, a Vânia está acordada e tenho de inventar uma desculpa: gota, cólica, indisposição. Meu repertório é enorme e eu minto muito bem. Ela passou da idade do sexo constante e está menos exigente na cama.</li>



<li>Comigo, idem. A Vilma quase não me procura e nem espera que eu o faça. Quando fico até tarde no escritório para dar um trato na Sofia, chego em casa e ela já está deitada, com dor de cabeça, enxaqueca. Faço um agrado, dou um beijinho e durmo.</li>
</ul>



<p>A sessão de autógrafos começou e os amigos tinham terminado de fumar, mas continuaram conversando, com as deliciosas piteiras sabor menta e morango na boca. Eis que chega o Mixirica, barbeiro de Astô e Valdo.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mixirica! Também veio comprar o livro e pegar autógrafo para a patroa?</li>



<li>Olá doutores. Sou solteiro. Vim buscar o livro, mas o meu é presente do Jósimar.&nbsp;</li>
</ul>



<p>Mixirica explicou que Jósimar é seu freguês mais assíduo e interessante. Ele vai à barbearia duas  vezes por semana para retocar a cor ou aparar o cabelo, fazer a sobrancelha e barbear-se. Tem dezenas de pacientes e precisa estar muito bem apresentável. O atendimento é exclusivo, numa sala reservada só para ele. Cada dia é uma nova e picante história de esposas que buscam conforto em seus braços e em outra parte da anatomia que a Charlene depila com carinho todo especial. Foi o barbeiro quem sugeriu a Jósimar narrar os causos num livro, que se transformou num tremendo e picante sucesso literário!</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mixirica, estamos falando da mesma pessoa? Ouvi dizer que o autor é um homem simples e com vários problemas de saúde.</li>



<li>Cascata, doutor. Faz parte do personagem. Ele usa alguns disfarces só para enganar os maridos e divertir as esposas, que chama de pacientes. Traveste-se de bombeiro, mendigo, encanador, deficiente visual, cadeirante, motoboy e outras fantasias, só para apimentar a terapia.</li>



<li>Deve gastar uma boa grana na barbearia e com essas mulheres.</li>



<li>Eu não cobro, por causa das histórias que conta, mas ganho uma boa gorjeta. Ele diz que as pacientes pagam caro pelos seus serviços.</li>



<li>Não acredito. Disfarça de deficiente, pega a mulherada rica, fatura alto e ainda escreve um livro! Esse é o cara!&nbsp;</li>



<li>E nós aqui temos de sustentar os caprichos das amantes exigentes e ainda comparecer em casa!</li>



<li>Pois é, doutor. O pai dele morreu, deixou muita grana, imóveis de aluguel e uma rede de Motéis de luxo. Ele é rico, não precisa trabalhar e é metido a inventor. Criou uma máquina para reciclar preservativos, só por farra.</li>



<li>Que maluquice! O que ele faz com os preservativos reciclados?</li>



<li>Piteiras de látex com sabor de frutas. Depois vende para as pacientes presentearem os maridos.</li>
</ul>



<p>Astô e Valdo nunca mais fumaram!</p>
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		<title>Tipagem sanguínea, lei da compensação e dever de casa</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2023/06/tipagem-sanguinea-lei-da-compensacao-e-dever-de-casa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2023 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[huor]]></category>
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					<description><![CDATA[Jaimalice vive sonhando com sua festa de 15 anos. Acontece que seus pais, Jaime e Alice, se separaram há mais de cinco anos e o que já foi um lindo caso de amor se transformou em briga irreconciliável. Divergem em tudo, até mesmo sobre a festa da filha. Sobrou para a garota, que vive para [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Jaimalice vive sonhando com sua festa de 15 anos. Acontece que seus pais, Jaime e Alice, se separaram há mais de cinco anos e o que já foi um lindo caso de amor se transformou em briga irreconciliável. Divergem em tudo, até mesmo sobre a festa da filha. Sobrou para a garota, que vive para lá e para cá, ora com a mãe e o padrasto, ora com o pai e sua segunda esposa. </p>



<p>A paixão do pai começou no colégio. Jaime, moreno magrelo, aparelho nos dentes, por causa do rosto recheado de acne, foi apelidado de Chokito, aquele chocolate com cobertura de amendoim. Arrastava um bonde por Alice, a Barbie, loirinha linda e musa dos garotões sarados. Ele escrevia poemas cafonas para Berbie, que eram solenemente ignorados, quando não alvos de zombaria.</p>



<p>Após a formatura eles seguiram diferentes caminhos. Jaime formou-se em Turismo, montou uma agência de viagens que cresceu rapidamente e ele enricou, mas vivia só. Alice fez Enfermagem no Interior. No final do curso, procurou Jaime, pediu desculpas pela forma como o tratou no colégio e o convidou para ser seu par no baile de formatura. Ele levitou de tanta felicidade. Depois do baile passaram a noite num motel e na semana seguinte Alice comunicou a gravidez. Não foi como ele queria, mas era tudo o que queria: a Barbie finalmente era sua!</p>



<p>Jaimalice nasceu prematura de sete meses, embora com três quilos e 49 centímetros de altura. Foi uma enorme alegria para ambas as famílias, até que a menina precisou passar por delicada cirurgia e então veio a súbita separação .</p>



<p>Havia duas versões. As tias maternas, afirmavam que o Jaime traiu Alice no quarto do hospital durante a cirurgia da filha, enquanto a mãe aguardava o fim do procedimento na sala de espera. Do lado paterno, Alice enganou Jaime, deu o “golpe da barriga” e continuou traindo. Ambas as versões têm certo fundo de verdade, mas por pressão dos avós de ambos os lados, ninguém comenta os detalhes para preservar a menina.</p>



<p>No dia seguinte à separação, Alice foi morar com o ex-professor na faculdade de Enfermagem, doutor Zinho, rico e próspero ginecologista. Jaime casou-se com a Ester Elisa, rival de Alice no colégio e na faculdade, que testemunhou a paixão não correspondida de Jaime e apenou-se do amigo esnobado pela Barbie.</p>



<p>Num fim de semana que passou com o pai, Jaimalice pediu ajuda para fazer um trabalho escolar com o tema Superação e Compensação. No domingo, acordou cedo, vasculhou as gavetas do escritório e encontrou uma foto dos pais tirada na noite do baile de formatura. No verso da foto, havia um poema: “A lei da compensação”:</p>



<p><em>Ela me iludiu, em compensação, não liguei.</em></p>



<p><em>Ela me esnobou, em compensação, ignorei.</em></p>



<p><em>Ela me ofendeu, em compensação, perdoei.</em></p>



<p><em>Ela me recusou, em compensação, persisti.</em></p>



<p><em>Ela se foi, em compensação, enriqueci.</em></p>



<p><em>Ela voltou, bela, arrependida, sofrida, em compensação, me aceitou!</em></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pai, que lindo poema! Você era mesmo apaixonado pela mamãe.</li>



<li>Sim, eu gostei dela desde que a conheci no colégio.</li>



<li>Por que se separaram?</li>



<li>Eu quis dar o troco e transei com a Ester. Vingancinha besta.</li>



<li>Dar o troco? Vingar o quê?</li>
</ul>



<p>Jaime ignorou o apelo dos avós e contou tudo. Quando a filha precisou ser operada, o hospital solicitou sangue e ele foi doador. Ester Elisa era enfermeira no Banco de Sangue e viu que o tipo sanguíneo do pai é incompatível com o da filha. Quem tem sangue tipo “AB” não pode gerar filhos tipo “O”. Como tira-teima, pediu teste de DNA de ambos. O resultado saiu no dia da cirurgia e confirmou o que todos já sabiam: Jaime não é o pai biológico de Jaimalice. Ester Elisa consolou Jaime e eles transaram no quarto do hospital. Terminada a cirurgia, Alice foi descansar e surpreendeu a antiga rival saindo do quarto, descabelada, suada e abotoando o jaleco. Gritou com Jaime, mas ele tinha o exame de DNA em mãos. Após a alta, mãe e filha foram para a casa do doutor Zinho, que também não era o pai da garota.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Poxa, que confusão. Então quem é meu pai?</li>



<li>Acho que nem sua mãe sabe. A Ester disse que Alice era a musa das festas do Diretório Acadêmico. Namorou metade dos colegas de classe e os rolos continuaram durante os encontros da turma. No ano passado houve um engavetamento na estrada depois do evento e vários colegas morreram. Talvez seu pai estivesse num daqueles carros.</li>



<li>Nossa! Não sabia disso. Mas por que se casou com ela?</li>



<li>Quando ela soube que estava grávida, ninguém quis assumir. Então ela me procurou, deu o golpe da barriga e eu caí direitinho.</li>



<li>Pai, então você é corno?</li>



<li>Sim. Em compensação você é adotada e talvez órfã. Nunca saberemos!</li>
</ul>



<p>A história da origem de Jaimalice não é um conto de fadas, mas pelo menos ela entendeu o que é a Lei da Compensação e fez o dever de casa. Vida que segue!</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Homens X Mulheres: mudança e conformidade</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2023/03/homens-x-mulheres-mudanca-e-conformidade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[quase morte]]></category>
		<category><![CDATA[vida extracorpórea]]></category>
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					<description><![CDATA[As mulheres querem que os homens mudem, mas eles não mudam. Os homens querem que as mulheres não mudem, mas elas mudam. Autor desconhecido e infeliz. Muitos pensamentos, ditos e frases de efeito são creditados como “provérbio chinês” ou “autor desconhecido”. É melhor aceitar a autoria atribuída do que conferir. No texto acima, creio que o autor preferiu o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right">As mulheres querem que os homens mudem, mas eles não mudam.</p>



<p class="has-text-align-right">Os homens querem que as mulheres não mudem, mas elas mudam.</p>



<p class="has-text-align-right">Autor desconhecido e infeliz.</p>



<p>Muitos pensamentos, ditos e frases de efeito são creditados como “provérbio chinês” ou “autor desconhecido”. É melhor aceitar a autoria atribuída do que conferir. No texto acima, creio que o autor preferiu o anonimato a sofrer sanções da esposa. Mas às vezes as mudanças acontecem e de forma inusitada. Vejamos dois casos:</p>



<p>Eduardo e Maria,&nbsp;casados há 6 anos, vivem um sonho. João e Mônica estão juntos há 4 anos, como pombinhos apaixonados. Esses casos parecem ser exceção ao dito popular acima, porém pouca gente sabe que há menos de 6 meses estavam a um passo do divórcio. Para conhecer os pormenores é preciso voltar no tempo. Detalhe: esses 2 casais não se conheciam.</p>



<p>Numa fria madrugada de junho, Mônica e Maria foram chamadas ao Hospital Geral. Horas antes, Eduardo pegou sua moto e foi encher a cara após discutir com Maria. Ele tem boas intenções, mas nunca cumpre qualquer promessa. Enquanto isso, João perdia dinheiro na sinuca, com cigarro, bebidas e a cabeça cheia com as brigas com Mônica. Não lembra os votos do casamento e ela não quer que ele volte. </p>



<p>Quis o destino que os 2 se cruzassem, ou melhor se chocassem. A violenta colisão, minutos após serem expulsos dos bares onde se embriagaram, deu perda total nas motos. Bateram capacete com capacete, foram parar na fonte da praça e a água amorteceu a queda. No hospital, sem reação aos estímulos, foram entubados lado a lado na UTI, onde fizeram todo tipo de exame. Até um padre foi chamado.</p>



<p>O professor de neurobiologia explicava aos residentes que monitoravam os dois o funcionamento dos hemisférios do cérebro, corpo caloso e TPJ – Função Temporoparietal. A separação dos dois hemisférios e a TPJ podem causar a sensação de flutuar fora do corpo. Um raio caiu sobre a rede elétrica e cortou a energia do hospital. O gerador é acionado automaticamente até 7 segundos, mas coisas estranhas aconteceram naquele curtíssimo lapso de tempo.</p>



<p>Eduardo observava os corpos, o professor e os residentes enquanto tentava entender o que aconteceu quando alguém (ou algo) o “atravessou”. Era o João.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Olá amigo. O que faz por aqui?</li>



<li>Sei lá. Depois do trovão, caminhei em direção ao sol, mas uma voz repetia “Fique longe da luz” e aí eu me afastei. Mas eu sempre quis viajar até o sol.</li>



<li>Você é louco? A temperatura lá é de 5.500 graus! Ninguém aguentaria.</li>



<li>Eu sei. Por isso pensei em ir de noite, sacou?</li>



<li>Ah tá! Então é melhor partir do alto mar.&nbsp;</li>



<li>Por quê?</li>



<li>Ninguém cria gado no oceano e não tem o pum das vacas que contém o gás Metano que causa o efeito estufa e aumenta o calor.</li>



<li>Valeu! Sinto-me estranho, leve, flutuando. Quem são esses dois aí?</li>



<li>Parece que somos nós. Acho que morremos e desencarnamos.</li>



<li>Qual deles sou eu e qual é você?</li>



<li>Não sei. Nunca me vi por esse ângulo.</li>



<li>O gerador não vai funcionar? – perguntou um dos residentes.</li>



<li>Calma! Espere 7 segundos – respondeu o professor.</li>



<li>Cara, o filme da minha vida passou num segundo! – disse João.</li>



<li>Também aconteceu comigo. Se eu pudesse voltar, faria muita coisa diferente.</li>



<li>Perdeu, mané! Já era! O que acontece agora?</li>
</ul>



<p>Dizem que a estrada para o inferno é pavimentada por boas intenções. João e Eduardo eram bem intencionados e a porta das profundezas se abriu para os dois. Partiriam sem jamais terem entendido as esposas. Desde o namoro, eles nunca mudaram, mas as esposas exigiam que mudassem. Eles queriam que elas continuassem como as conheceram, mas elas mudaram.</p>



<p>Ouviu-se novo estrondo e a eletricidade tentou voltar. Os vultos mergulharam de volta aos corpos sem saber se a reentrada foi correta. A luz piscou várias vezes e estabilizou. Os aparelhos voltaram a funcionar e indicavam sinais vitais em ordem.</p>



<p>As esposas puderam ver os maridos, mas foram alertadas quanto ao estado de consciência e a possível amnésia, curta ou duradoura. Não deveriam contrariá-los, nem abordar assuntos polêmicos. Precisariam ter muita paciência!</p>



<p>Após 4 meses, os casais viviam como as esposas sempre sonharam. Os dois maridos finalmente mudaram! Muito mais gentis e parceiros, boas companhias para exposições, teatro, comédias românticas na TV, dança de salão, shopping etc. Maria e Mônica conversavam sempre, mas não se visitavam por temerem uma recaída caso eles se lembrassem do acidente. O neurobiologista disse a elas que era preciso fazer mais exames e testes psicológicos. O eletroencefalograma indicou possível problema na reentrada do ectoplasma após a experiência de quase morte. Falou sobre a TJP, os hemisférios cerebrais e disse que pode ter ocorrido troca de personalidades. Mônica e Maria confabularam por algum tempo e depois foram taxativas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Doutor, o filósofo americano Henry Thoreau dizia que não é aquilo para o que você olha que importa, mas sim aquilo que você vê.</li>



<li>E o que isso quer dizer?</li>



<li>Quem olha para o Edu e o João, reconhece as pessoas com quem casamos, mas o que nós duas vemos agora, de verdade, é que se tornaram os maridos que sempre sonhamos. É apenas isso o que importa e ninguém vai destrocar personalidades porcaria nenhuma! Entendeu? Fica tudo do jeito que está!</li>
</ul>



<p>Se não for em vida, na quase morte a mulher sempre consegue o que quer!</p>
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		<title>Dilema: é melhor agradar o marido ou livrar-se dele?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Dec 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[traição]]></category>
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					<description><![CDATA[Existem dois tipos de casamento: os que acabam bem e os que duram para sempre. Alguns casais vivem em paz por anos e outros permitem que os problemas se acumulem e se tornem insolúveis. É o caso da união de 22 anos da Val, a doutora Valdirene, juíza e do Lalau, doutor o Everaldo, desembargador. Com o [&#8230;]]]></description>
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<p>Existem dois tipos de casamento: os que acabam bem e os que duram para sempre. Alguns casais vivem em paz por anos e outros permitem que os problemas se acumulem e se tornem insolúveis. É o caso da união de 22 anos da Val, a doutora Valdirene, juíza e do Lalau, doutor o Everaldo, desembargador. Com o tempo, deixaram de viajar, passear ou socializar. O sexo é tão intenso quando o dos ursos Panda e tão excitante quanto dançar com a tia avó. Lalau pensa em se separar, aposentar e curtir a vida com Sofie, que satisfaz os desejos que a mulher nega. Val quer apenas um parceiro romântico que a leve jantar e dançar. Para ela, sexo 2 ou 3 vezes por mês, sob a coberta, no escuro e com apenas uma perna fora do pijama é mais do que suficiente. Além disso é pura tara, é luxúria. Se ele morresse logo, com a pensão do desembargador viveria muito bem. Eles se culpam pela crise no casamento, mas ninguém quer ceder.</p>



<p>            Val procurou um conselheiro matrimonial que lhe disse: se vocês quase não fazem sexo, seu marido está se virando de algum jeito. Ela contratou um investigador particular e obteve informações e fotos do marido com Sofie. A moça tem 36 anos, é ex stripper e foi ré em vários processos julgados por Lalau e inocentada em todos. Ela ouviu novamente o consultor.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>O homem tem necessidades que, se não satisfaz em casa, procura outra fornecedora.</li><li>Nossa! Que coisa! E o que eu faço?</li><li>Simples. Ou tolera a sócia, ou muda sua postura. </li><li>Mudar minha postura? Como assim?</li><li>Sorria, seja agradável e faça tudo para ele se sentir bem. Mantenha cerveja na geladeira e não o atrapalhe quando assistir futebol. Pare de ver novelas, não o chateie com futilidades do universo feminino e não fale sobre seus problemas. Use roupas sensuais e faça sexo várias vezes por semana. Tem curso para isso, sabia? Satisfaça as fantasias e eu garanto que a paixão retorna.</li></ul>



<p>Na dúvida entre agradar Lalau ou livrar-se dele, Val disse que consultou um terapeuta e logo será a mulher dos seus sonhos, mas ele terá de esquecer a Sofie. Lalau gelou ao ouvir aquele nome. Como ela descobriu o caso? Então ele decidiu mandar mensagem terminando o romance com a moça e foi trabalhar. Val também saiu e, ao voltar, encontrou uma carta do doutor Ivo, médico de Lalau: </p>



<p><em>“Nobre desembargador. Os resultados dos exames clínicos chegaram. Seu caso preocupa, mas tem cura. Mande manipular a receita anexa, tome os remédios diariamente e talvez não precise de cirurgia. Você pode ter vida longa e quase normal, mas se contrair doenças sexualmente transmissíveis novamente, viverá uns 6 meses, no máximo. Aí, nem cirurgia resolve. Vou viajar por 15 dias e depois nos falamos”.</em></p>



<p>Val, furiosa, queimou a carta e a receita. Sofie não aceitou a dispensa pelo WhatsApp, decidiu confrontar o amante e cobrar a conta do cabaré. Val atendeu à porta e reconheceu a moça, linda e <em>profissa</em> da cabeça aos pés. Não aceita ser trocada por aquela vadia.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>O doutor Everaldo se encontra?</li><li>Ele não está. Posso ajudar? Espera, acho que te conheço. Você já esteve na vara do doutor, certo? Ré ou arrolada?</li><li>De ré, arrolada, tanto faz. Quando da zebra ele paga o tratamento.</li><li>Não é disso que estou falando. Esquece. O que você quer?</li></ul>



<p>Sofie nada sabia sobre a vida privada de Lalau, mas sacou logo. Aquela é a esposa e seus processos estiveram com o marido dela. Precisa ser esperta.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Ele usa uns equipamentos meus há anos, nunca pagou e agora quer simplesmente devolver. Tenho dezenas de comprovantes. Veja!</li><li><em>Abundat non pejus</em>.</li><li>Senhora, eu não estou faltando com o respeito e exijo&#8230;</li><li>Só disse “o que abunda não prejudica”. Vou ligar para ele. Espere aí.</li><li>Claro, mas não saio daqui sem o meu dinheiro.</li></ul>



<p>Três minutos depois&#8230;</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Ele disse que não quer mais os equipamentos porque são antigos, a potência é fraca e as tomadas de entrada são folgadas.</li><li>Os equipamentos não são novos, mas ele sabia e estão muito bem conservados. A potência é ótima. É ele que não sabe usar. As entradas não são folgadas. O plug dele é que é pequeno.</li><li>Direi quando ele chegar, mas quero mostrar isto: é uma ordem de restrição para que se mantenha a mais de 100 metros desta casa.</li><li>Também quero mostrar algo: os resultados dos meus exames.</li><li>Você está grávida? Testou positivo para Covid?</li><li>Calma, negativo para Covid. Mas positivo para meia dúzia de DST.</li></ul>



<p>Lalau chegou em casa tarde, tenso e perguntou&nbsp;à esposa:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>O que aquela doida queria?</li><li>Dinheiro. Ameacei chamar a polícia se não fosse embora.</li><li>Fez muito bem. O doutor Ivo ligou? Falou dos meus exames?</li><li>Ligou sim amor. Fique tranquilo e não se preocupe com nada. Sua saúde está per-fei-ta!</li></ul>



<p>Vingança de mulher traída&nbsp;é pior&nbsp;que praga de sogra. E de mulher vingativa, até o diabo foge!</p>
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		<title>Casais em homework</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laerte Temple]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jun 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[casais]]></category>
		<category><![CDATA[homework]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
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					<description><![CDATA[A quarentena obrigou muita gente trabalhar em casa, no tal homework. Morar e trabalhar no mesmo endereço, ao lado do parceiro ou parceira, parece bom, mas pode causar problemas no trabalho e na relação. Uma coisa é dormir juntos, acordar cada um no seu tempo, tomar o café na padaria, retornar à noite em horário [&#8230;]]]></description>
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<p>A quarentena obrigou muita gente trabalhar em casa, no tal homework. Morar e trabalhar no mesmo endereço, ao lado do parceiro ou parceira, parece bom, mas pode causar problemas no trabalho e na relação. Uma coisa é dormir juntos, acordar cada um no seu tempo, tomar o café na padaria, retornar à noite em horário qualquer, conversar no intervalo da novela e dormir. Outra coisa é conviver com o parceiro 7 X 24 – 7 dias por semana, 24 horas por dia – todos os dias, durante meses a fio, sem viagens, futebol, chope e pôquer com amigos, sem passeios, drinques e compras com amigas. Se um dos dois está possuído, uma coisinha à toa se transforma em estopim para atritos e pode até por fim à relação.</p>



<p>Sabrina Vip e Xavier moram juntos e trabalham em homework desde o início do isolamento, no apartamento dele, de 68m2, 2 quartos e mini varanda. Continuaram assim depois do retorno às atividades presenciais, mas o analista contábil necessita de silêncio total e concentração e a blogueira de fofocas do meio artístico conversa o tempo todo com semi celebridades, em voz alta e entre sonoras gargalhadas. O clima sempre tenso piora quando ela grava vídeos, podcasts ou faz a <em>live</em> diária. A música de fundo e os gritinhos histéricos deixam Xavier maluco.</p>



<p>JotaBeS (José Benedito Silva), o patrão de Sabrina, administra o blog, o site e o canal de Youtube onde ela veicula as fofocas. Moram a 12 estações de metrô um do outro. Ele conversa diariamente com Sabrina, com anunciantes e edita vídeos e podcasts sempre em alto volume, para desespero da companheira Miakuda. A oriental recatada é designer de móveis planejados e passa horas no computador criando projetos para revistas de decoração e elaborando orçamentos para clientes. O abafador de ruídos que JotaBeS lhe deu incomoda e a impede de ouvir a música zen e o tranquilizante burburinho da água da sua cascata artificial.</p>



<p>Sabrina&nbsp;e Xavier querem&nbsp;mudar para um imóvel com mais conforto e privacidade. O sonho dela é morar no prédio do JotaBeS, pois facilitaria muito seu trabalho. O patrão disse que um vizinho mudou-se e o apartamento está para alugar.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Querida, o apartamento dele é menor que o nosso.</li><li>Só dois metros a menos, mas tem ampla varanda gourmet.</li><li>O nosso também tem varanda, mas você não quer trabalhar de lá.</li><li>Claro que não! Preciso de espaço e conforto para gravar vídeos e entrevistar pessoas. Já falei para você trabalhar no nosso quarto, mas você resiste.</li><li>Mal cabem a cama e a TV. Preciso de mesa, cadeira confortável, computador, impressora, livros e silêncio total.</li><li>Se você vendesse a coleção de miniaturas de carros e aquele piano enorme e sempre mudo, podia trabalhar na sala.</li><li>Nunca! Nem morto. Já disse que vou voltar às aulas de piano. Por que você não se livra dos 130 bichos de pelúcia? Por causa deles nem temos mesa de jantar. E a sua esteira ergométrica enferrujando na varanda? Vende logo!</li><li>Tá louco? Coleciono aqueles bichinhos desde os 4 anos de idade. São parte da minha vida. A esteira foi legado de meu pai e eu vou voltar a malhar.</li></ul>



<p>A discussão é tensa e com acordo improvável. Após algum tempo, concluíram que não da mais para continuar naquele clima e talvez mudar para o prédio do patrão dela seja mesmo melhor.</p>



<p>Para ajudar o casal, Miakuda enviou sugestões de decoração: varanda com fechamento em vidro, cortinas para o conforto do Xavier e o segundo dormitório parecido com o estúdio do JotaBeS, com divã e estrutura para gravação de vídeos e podcasts. O problema é o que fazer com a coleção de carros, os bichos pelúcia, o piano e a esteira, além do custo da reforma.</p>



<p>Para refinar as ideias, uma visitou o apartamento da outra: Sabrina foi conhecer o estúdio do patrão e Miakuda foi avaliar as necessidades de Xavier. Ambas passaram o dia todo trocando ideias com o marido da outra. É assim que tem de ser. Os casais devem conversar sempre para enfrentar as dificuldades da vida a dois, expressar os pontos de vista e ouvir o outro para identificar a raiz do problema e chegar à uma solução. Às vezes, o que está pegando não é aquilo que aparenta e só o diálogo franco e sincero pode ajudar a identificar as causas. Numa relação, cada um tem de flexibilizar e ceder um pouco. O segredo é dialogar com sinceridade, pois afinal o que importa é ser feliz. Um forte temporal paralisou o Metrô, gerou blackout em toda a cidade e obrigou Sabrina e Miakuda a dormirem no apartamento da outra.</p>



<p>No dia seguinte, após longa e civilizada conversa, tudo se resolveu como num passe de mágica. Roupas e objetos foram encaixotados e a mudança aconteceu, sem despesas com reforma ou mobiliário. A conversa honesta e gentil trouxe de volta a paz e a harmonia. Sabrina foi morar com JotaBeS e Miakuda com Xavier. Agito num lar, sossego no outro. A troca de parceiros agradou a todos, custou menos e pôs fim às discussões. É conversando que a gente se entende.</p>
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