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	<title>Política &#8211; Jornal Tribuna</title>
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	<description>O seu portal de notícias e artigos científicos</description>
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		<title>Bancos Brasileiros Perdem Trilhões ao Ignorar Economia da Longevidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gero.Health]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 12:35:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Autor de &#8220;Brasil 2060&#8221; aponta que mercado financeiro trata envelhecimento populacional como tema secundário enquanto setor movimenta US$ 45 trilhões globalmente São Paulo, 13 de maio de 2026 O Brasil envelhece em velocidade acelerada e o mercado financeiro ainda não acordou para o que isso significa em termos de negócio. Esse é o alerta de [&#8230;]]]></description>
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<p><strong>Autor de &#8220;Brasil 2060&#8221; aponta que mercado financeiro trata envelhecimento populacional como tema secundário enquanto setor movimenta US$ 45 trilhões globalmente</strong></p>



<p>São Paulo, 13 de maio de 2026</p>



<p>O Brasil envelhece em velocidade acelerada e o mercado financeiro ainda não acordou para o que isso significa em termos de negócio. Esse é o alerta de Willians Fiori, especialista em demografia e longevidade e autor do livro <em>Brasil 2060</em>, obra que mapeia a transformação silenciosa pela qual passa a sociedade brasileira. Enquanto bancos e instituições financeiras seguem oferecendo produtos genéricos para um público cada vez maior e mais diverso, uma das maiores oportunidades econômicas das próximas décadas segue sem ser aproveitada.</p>



<p>Os números são difíceis de ignorar. Em 2022, o Brasil registrava 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Segundo projeções demográficas apresentadas por Fiori, esse contingente chegará a 75 milhões em 2070, representando quase 38% da população total do país, uma fatia maior do que a população atual de toda a França.</p>



<p>&#8220;Isso não é detalhe demográfico. É mudança estrutural com impacto direto sobre consumo, saúde, trabalho, previdência e, especialmente, sobre o mercado financeiro&#8221;, afirma Fiori.</p>



<p><strong>Trilhões em jogo</strong></p>



<p>O fenômeno vai além das fronteiras brasileiras. A América Latina como um todo deve ter 280 milhões de pessoas com 50 anos ou mais até 2050. Segundo dados da AARP, organização americana de referência em estudos sobre longevidade, a chamada economia da longevidade movimentou US$ 45 trilhões em 2020, equivalente a 34% do PIB global. As projeções indicam que esse número pode saltar para US$ 118 trilhões até 2050, valor superior às economias combinadas dos Estados Unidos e da China nos dias de hoje.</p>



<p>Apesar disso, o mercado financeiro brasileiro ainda responde a essa demanda com produtos desenhados há décadas. O crédito consignado e os seguros genéricos seguem sendo as principais ofertas para um público que tem necessidades, projetos de vida e perfis de risco completamente distintos entre si.</p>



<p>&#8220;Os bancos seguem olhando para a maturidade pela lente estreita do consignado e do seguro genérico. Falta inteligência geracional&#8221;, critica Fiori.</p>



<p><strong>Cinco gerações, um mesmo erro</strong></p>



<p>Uma das distorções mais graves apontadas pelo especialista é a tendência de tratar todas as pessoas acima de 60 anos como um grupo homogêneo. No livro <em>Diversa IDADE</em>, escrito por Fiori em parceria com Tati Gracia, os autores defendem que cinco gerações convivem simultaneamente no trabalho, na família, no consumo e na vida cotidiana, mas sem necessariamente se compreender.</p>



<p>Na prática, as diferenças são profundas. Uma pessoa de 52 anos pode estar pagando a faculdade dos filhos enquanto cuida dos pais idosos. Uma de 68 pode estar na fase mais ativa e saudável da vida, viajando e reinvestindo patrimônio. Uma de 80 pode precisar, acima de tudo, de proteção patrimonial e instrumentos de defesa contra fraudes financeiras, que crescem de forma alarmante nessa faixa etária.</p>



<p>&#8220;São jornadas radicalmente diferentes, com riscos distintos e desejos que não cabem no mesmo produto de prateleira&#8221;, afirma Fiori.</p>



<p>O especialista chama atenção ainda para a feminização da longevidade. Mulheres vivem mais do que homens no Brasil e são maioria entre os idosos, mas chegam à maturidade com menor renda acumulada, carreiras mais fragmentadas pelas responsabilidades de cuidado e maior vulnerabilidade financeira no longo prazo. &#8220;Qual banco está desenhando produtos para essa vida real?&#8221;, questiona.</p>



<p><strong>Preconceito etário como barreira de negócio</strong></p>



<p>O próprio Banco Mundial já identificou os principais obstáculos para a inclusão financeira desse público: preconceito etário nos processos de desenvolvimento de produtos, ausência de dados segmentados por geração e inadequação das soluções disponíveis no mercado.</p>



<p>Para Fiori, o diagnóstico é direto. &#8220;Produto antigo com embalagem nova não é inovação&#8221;, afirma. A instituição financeira que compreender a longevidade de forma genuína terá condições de construir jornadas financeiras completas para cada fase da vida madura, transformando renda em proteção, patrimônio em autonomia e planejamento financeiro em liberdade real.</p>



<p><strong>Oportunidade ainda disponível</strong></p>



<p>O paradoxo apontado por Fiori é que, mesmo diante de dados tão expressivos, o espaço no mercado financeiro brasileiro voltado à longevidade segue amplamente disponível. Nenhuma instituição de grande porte consolidou ainda uma proposta de valor robusta e diferenciada para esse público.</p>



<p>&#8220;Quem tratar a maturidade como problema vai perder uma das maiores oportunidades econômicas das próximas décadas. Quem entender que longevidade é mercado, inovação e responsabilidade social ao mesmo tempo vai ocupar um espaço que está, por incrível que pareça, ainda aberto&#8221;, conclui o especialista.</p>



<p>A economia da longevidade não é tendência futura no Brasil. É realidade presente que cresce a cada ano, a cada nova safra de brasileiros que entram na maturidade com mais saúde, mais consciência financeira e mais poder de decisão do que as gerações anteriores. O relógio corre, e os bancos ainda não ouviram o alarme.</p>



<p><strong>Willians Fiori</strong></p>



<p>Especialista em Mercado de Longevidade desde 2003</p>



<p>Professor Pós-Graduação em Geriatria, Gerontologia e Mercados — Hospital Israelita Albert Einstein</p>



<p>Professor Convidado: FIA, UFRJ, PUC-SP e INSPER, FAAP</p>



<p>Autor dos Livros: Diversa-Idade, Brasil 2060,O cérebro que podemos proteger</p>



<p>Citado no livro Longevity Hub do MIT (Massachusetts Institute of Technology) como principal especialista brasileiro no tema</p>



<p>Premiado pela ONU Latin America e detentor do Selo Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo<br></p>



<p>Premiado pelo Premio Bstory Longevidade<br>Membro do conselho Europeu de Silver Economy</p>
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		<title>PCO lança pré-candidaturas ao governo e senado por MS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sander barbosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 19:18:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
		<category><![CDATA[MS]]></category>
		<category><![CDATA[PCO]]></category>
		<category><![CDATA[POLITICAS]]></category>
		<category><![CDATA[PRÉ-CANDIDATURAS]]></category>
		<category><![CDATA[SENADO]]></category>
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					<description><![CDATA[Por; Bob Monteiro O partido da causa operária – PCO, anuncia ainda que de forma provisória as pré-candidaturas do professor Sanderss ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e de Jorge Batista ao Senado Federal, sempre movidos pela convicção de que a política é a ferramenta mais poderosa para transformar  as estruturas e [&#8230;]]]></description>
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<p>Por; Bob Monteiro</p>



<p style="margin-top:16px">O partido da causa operária – PCO, anuncia ainda que de forma provisória as pré-candidaturas do professor Sanderss ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e de Jorge Batista ao Senado Federal, sempre movidos pela convicção de que a política é a ferramenta mais poderosa para transformar  as estruturas e também a vida das pessoas deste imenso estado de Mato Grosso do Sul.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="567" src="https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260420-WA0000.jpg" alt="" class="wp-image-200176" style="width:425px;height:auto" srcset="https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260420-WA0000.jpg 533w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260420-WA0000-282x300.jpg 282w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure>



<p><strong>Professor Sanderss pré-candidato ao governo de MS</strong>      </p>



<p class="has-text-align-left">&#8221; Hoje não dou apenas um passo na minha trajetória pública; dou um passo ao lado de cada um de vocês que acredita que o nosso estado pode e deve ser mais igualitário e justo com as politicas sociais, distribuição de riquezas, além de bens e serviços de grandes qualidades.</p>



<p class="has-text-align-left">Olho para os municípios do estado &nbsp;e vejo um potencial gigante, mas também vejo gargalos que travam o nosso crescimento. Vejo o pai de família preocupado com o emprego, a mãe que espera meses por uma consulta médica e o jovem e a criança que buscam &nbsp;uma educação de qualidade sendo em período normal ou integral em suas localidades, além disso buscam oportunidades para não precisar deixar sua terra ou seu estado.</p>



<p class="has-text-align-left">Não podemos mais aceitar o ditado de &#8220;sempre foi assim&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-left">Nosso pensamento é ouvir o clamor do povo do estado com suas demandas na busca por inovação e empreendedorismo. Clamor este que busca reduzir a burocracia para quem produz e mais incentivo para o pequeno, médio e grande negócio, que é quem gera mais&nbsp; empregos lá na ponta.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260418-WA0001-1-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-200177" style="aspect-ratio:0.7480484408624837;width:400px;height:auto" srcset="https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260418-WA0001-1-766x1024.jpg 766w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260418-WA0001-1-225x300.jpg 225w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260418-WA0001-1-768x1026.jpg 768w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260418-WA0001-1-696x930.jpg 696w, https://jornaltribuna.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260418-WA0001-1.jpg 958w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure>



<p><strong>Jorge Batista pré-candidato ao senado federal</strong></p>



<p>&#8221; Minha pretensão enquanto pré-candidato e ouvir e debater as propostas de todos os cantos do estado onde a vida acontece, nos municípios e na capital. Debatendo leis que protejam nossa economia, meio ambiente e nossos valores e soberania enquanto estado democrático.</p>



<p>Esta não será uma pré-campanha de uma pessoa só. É um movimento de quem não se conforma com o pouco. É hora de unir experiência, idéias novas.</p>



<p>Vamos construir em conjunto as propostas e alternativas que buscam aliar sempre o crescimento e desenvolvimento do estado &#8220;.</p>



<p>Estado este que sonhamos e queremos para nosso povo e &nbsp;todas as familias que aqui trabalham e geram rendas e constroem suas trajetórias pessoal e profissional.</p>
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		<title>A pressão silenciosa de concordar: quando o grupo manda mais que a verdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 19:18:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A forma como nos comportamos em grupo revela mais sobre nós do que gostaríamos de admitir. Quando estamos cercados por outras pessoas, nossas opiniões tendem a se moldar não apenas ao que pensamos, mas ao que sentimos que precisamos pensar para continuar pertencendo. Isso não acontece só em regimes autoritários ou em momentos extremos da história; acontece em uma reunião de trabalho, em uma roda de amigos, em discussões políticas nas redes sociais. Muitas vezes, a pergunta silenciosa não é “o que é verdade?”, mas “o que é seguro dizer aqui?”.</p>



<p>Nietzsche enxergou nessa dinâmica a chamada “moral de rebanho”: a tendência de se conformar ao grupo por medo, conveniência ou preguiça de pensar. Para ele, a maioria raramente é sinônimo de grandeza espiritual; é, geralmente, o lugar onde o indivíduo se dilui para não ter que enfrentar o peso de sua própria liberdade. Quando o certo se torna aquilo que “todo mundo faz”, o critério da verdade é substituído pelo critério da aderência. Em vez de perguntar “isso é justo?”, perguntamos “isso vai me trazer problemas?”.</p>



<p>Hannah Arendt, ao analisar o século XX, mostrou as consequências mais graves desse mecanismo. A “banalidade do mal” que ela descreve não nasce, em primeiro lugar, de monstros evidentes, mas de gente comum que abre mão de pensar por conta própria. É o funcionário que não questiona a ordem absurda, o cidadão que aceita a injustiça porque “é assim mesmo”, o indivíduo que se contenta em repetir o discurso dominante. Quando o julgamento pessoal é suspenso em nome do conforto do grupo, a responsabilidade moral se esvai – e o mal ganha terreno sem precisar de vilões caricatos.</p>



<p>Michel Foucault acrescenta outra camada a esse quadro ao mostrar que o poder não se reduz ao Estado, às leis ou à força física. Ele se espalha em discursos, normas, expectativas, olhares. Em grupo, passamos a ser vigiados por uma espécie de “tribunal invisível” que julga o que dizemos, como nos posicionamos, com quem concordamos. Não é necessário um policial para nos controlar; basta a possibilidade de sermos ridicularizados, cancelados, excluídos. Aos poucos, internalizamos essa vigilância e começamos a nos censurar antes mesmo que o outro nos censure.</p>



<p>O resultado dessa soma é perturbador: frequentemente preferimos estar errados com o grupo do que certos sozinhos. A solidão de uma posição impopular parece mais assustadora do que o desconforto íntimo de trair o próprio juízo. Aceitamos o “2 + 2 = 5” metafórico de uma maioria barulhenta porque o custo social de dizer “2 + 2 = 4” parece alto demais. É como se o medo de ficar à margem fosse mais forte que o compromisso com aquilo que nossa consciência aponta como verdadeiro.</p>



<p>No entanto, também seria simplista transformar toda discordância em heroísmo. Há quem se coloque contra o grupo apenas por vaidade intelectual, ressentimento ou desejo de se sentir especial. O fato de estar em minoria não garante que alguém esteja com a razão; garante apenas que está em minoria. O problema não é concordar ou discordar da maioria, mas terceirizar o próprio pensamento — seja para o coro, seja para um ego teimoso que recusa qualquer correção.</p>



<p>A vida em comum exige uma tensão difícil de sustentar. De um lado, precisamos do grupo: ninguém constrói conhecimento, cultura, afeto ou sentido de vida inteiramente sozinho. De outro, precisamos preservar um núcleo de autonomia que nos permita dizer “não” quando o grupo se desvia da justiça, da honestidade ou da razoabilidade. Isso significa cultivar duas virtudes raras: humildade para aprender com os outros e coragem para sustentar uma posição impopular quando ela se mostra melhor justificada.</p>



<p>Em última análise, a questão central não é se fazemos parte de grupos — isso é inevitável —, mas que tipo de pessoa nos tornamos dentro deles. Se, para pertencer, precisamos silenciar nossas dúvidas legítimas, engolir nossas convicções mais profundas e repetir aquilo em que não acreditamos, o preço da aceitação talvez seja alto demais. A maturidade ética consiste justamente em recusar esse pacto implícito de abdicar da própria consciência em troca de segurança social.</p>



<p>Continuaremos, inevitavelmente, sujeitos à pressão de concordar. Mas cada vez que escolhemos pensar antes de seguir, e responder com sinceridade mesmo diante de um coro contrário, deslocamos um pouco o eixo dessa dinâmica. A pergunta que fica é: até que ponto estamos dispostos a pagar o preço de estarmos certos sozinhos, quando o mundo ao redor parece mais interessado em estar confortável junto do que lúcido em silêncio?</p>
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		<title>O Retorno Triunfal do “Menor Aprendiz” do Século XIX</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 19:17:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[Romeu Zema, governador de Minas Gerais, recentemente defendeu o retorno do trabalho infantil no Brasil, argumentando que “o trabalho dignifica o homem” e que, se tivesse começado a trabalhar mais cedo, talvez “não tivesse virado político”. É quase comovente. Quem diria que a solução para a pobreza, a desigualdade e a crise educacional seria colocar [&#8230;]]]></description>
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<p>Romeu Zema, governador de Minas Gerais, recentemente defendeu o retorno do trabalho infantil no Brasil, argumentando que “o trabalho dignifica o homem” e que, se tivesse começado a trabalhar mais cedo, talvez “não tivesse virado político”. É quase comovente. Quem diria que a solução para a pobreza, a desigualdade e a crise educacional seria colocar crianças para trabalhar? Talvez o problema do país seja mesmo esse excesso de infância: tempo demais para estudar, brincar, se desenvolver – uma verdadeira tragédia para quem precisa de mão de obra barata.</p>



<p>Por trás desse discurso travestido de preocupação moral está uma lógica econômica velha, suja e extremamente eficiente: o Brasil precisa de um enorme excedente de mão de obra de baixa qualificação para manter salários achatados e direitos sob ataque. Quanto mais gente desesperada, mais fácil é empurrar qualquer tipo de trabalho em qualquer condição. E quem melhor para compor esse exército de reservas do capitalismo tupiniquim do que crianças pobres, que ainda não sabem o que é direito trabalhista, não tiveram tempo de se escolarizar e, obviamente, não vão discutir CLT, férias, hora extra ou adicional noturno?</p>



<p>A equação é simples, embora ninguém assuma em público: quanto mais cedo a criança começa a trabalhar, menos tempo tem para estudar; quanto menos estuda, menos se qualifica; quanto menos se qualifica, mais barata se torna sua força de trabalho; e quanto mais barata for a mão de obra, maior a margem de lucro de quem já concentra renda e poder. É o ciclo virtuoso do atraso. Enquanto crianças trocam livros por ferramentas, cadernos por caixas e salas de aula por chão de fábrica ou balcão de comércio informal, alguns empresários trocam qualquer resquício de responsabilidade social por dividendos e ganhos de produtividade.</p>



<p>Zema não vai dizer que quer produzir um contingente eterno de trabalhadores desqualificados, descartáveis e substituíveis. Soaria um pouco feio, mesmo para padrões atuais. Então o discurso vem embalado em palavras bonitas: “disciplina”, “formação de caráter”, “evitar o crime”, “ocupar a mente”. A retórica é perfeita: quem é contra o trabalho infantil é retratado como alguém que quer “criança vagabunda”, “na rua” ou “no crime”. Fica mais fácil empurrar exploração quando ela vem embrulhada em falsa preocupação moral.</p>



<p>O ponto central, porém, é outro: a defesa do trabalho infantil encaixa perfeitamente em um projeto mais amplo de precarização do trabalho no Brasil. Direitos como férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal, hora extra, adicional noturno, FGTS e tudo o que se conquistou à base de muita greve, perseguição, prisão e morte são obstáculos para quem enxerga trabalhadores apenas como custo. Para diminuir esse “custo”, é preciso enfraquecer quem trabalha. E não há forma mais eficaz de enfraquecer o trabalhador do que impedir que ele chegue à idade adulta com estudo, consciência de classe e noção de seus próprios direitos.</p>



<p>Uma criança que cresce trabalhando, exausta, sem tempo e estrutura para estudar, chega à vida adulta condicionada a aceitar qualquer coisa. Não é um trabalhador que entra no mercado perguntando: “quais são meus direitos?”. É alguém agradecido por ter emprego, mesmo que seja uma escala 6&#215;1, com jornada estourada, sem pagamento adequado de horas extras, sem possibilidade real de férias, aceitando banco de horas abusivo, metas inalcançáveis e ameaças veladas de demissão. Se ele disser “não”, há uma fila na porta. E essa fila começa justamente na infância empurrada para o trabalho ao invés da escola.</p>



<p>Quanto mais gente disputando vagas ruins, mais o patrão pode impor condições. É o famoso “se não quiser, tem quem queira”. Esse “quem queira” não é fruto do acaso: ele é produzido por políticas e discursos que normalizam a precarização, que empurram o pobre para trabalhar cedo, que sucateiam a escola pública, que demonizam sindicato, que tratam direito trabalhista como privilégio. O resultado é um mercado de trabalho repleto de pessoas que aceitam ganhar uma miséria e ainda abrir mão de seus direitos básicos, porque a alternativa é a fome. O medo da fome é o melhor gerente de recursos humanos que o capital já inventou.</p>



<p>É nesse contexto que a escala 6&#215;1, amplamente praticada em diversos setores, se torna símbolo dessa lógica. Um dia “de folga” por semana, muitas vezes num dia útil morto, em jornadas massacrantes, com pressão por produtividade. Com uma massa de trabalhadores formados desde cedo para aceitar qualquer coisa, não é difícil normalizar jornadas extensas, flexibilizar pagamentos de horas extras, empurrar “acordos” que só favorecem o empregador. Inclusive, com a casa sempre arrumada para essa conversa: “não dá pra manter todos os direitos, senão a empresa quebra”. Curioso que a empresa nunca quebra pelo lucro, só pelo direito do trabalhador.</p>



<p>A luta histórica que garantiu férias, limitações de jornada, adicional de hora extra, descanso semanal, proteção contra demissões arbitrárias e mínima dignidade no ambiente de trabalho foi, justamente, uma luta contra a ideia de que o trabalhador é descartável. E o que significa o discurso pró-trabalho infantil senão a tentativa de reativar, pela porta dos fundos, a mesma mentalidade que dominava o Brasil da escravidão e do pós-escravidão, em que a mão de obra negra, pobre e sem acesso à educação servia para tudo e não tinha direito a nada?</p>



<p>Quando figuras como Zema defendem que crianças vão trabalhar, o recado é cristalino: não queremos investir em educação, em escola de qualidade, em políticas públicas que tirem pessoas da miséria; queremos que elas aprendam cedo a se submeter. Não se trata de dar “oportunidade” para a criança pobre. Trata-se de garantir ao empresário de hoje e de amanhã um estoque permanente de mão de obra que não vai ter força para exigir férias bem pagas, jornada justa, limite de hora extra, adicional de insalubridade, nada disso. Afinal, quem passou a infância trabalhando “para não virar bandido” costuma achar que qualquer emprego é um favor.</p>



<p>O trabalho infantil, assim, não é um desvio isolado, um exagero de linguagem, uma “opinião polêmica”. É peça de um projeto de sociedade no qual existe uma classe que estuda, se forma, ocupa cargos de decisão, viaja, tira férias para “se reconectar consigo mesma” – e uma massa que começa a trabalhar criança, continua trabalhando exausta adulta e morre sem nunca experimentar o que é viver sem medo de perder o emprego amanhã. Para essa massa, direitos trabalhistas são tratados como luxo. Para a outra, lucros recordes são tratados como prova de competência individual.</p>



<p>No fim das contas, defender o trabalho infantil é defender o direito dos ricos de explorar os pobres com menos incômodo, menos resistência e menos culpa. É tentar apagar décadas de luta por dignidade e transformar novamente o Brasil em um país no qual quem nasce pobre tem duas opções: trabalhar cedo, por pouco e sem direitos, ou ser tratado como problema. O que o discurso de Zema revela não é preocupação com o futuro das crianças, mas com o conforto dos patrões. Não é sobre “dignificar” o trabalho; é sobre baratear a força de trabalho. Não é sobre evitar o crime; é sobre garantir que continue sendo crime, neste país, o pobre sonhar com uma vida que não seja de servidão.</p>
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		<title>A derrubada do veto presidencial: espetáculo de democratas hipócritas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[edicao]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 18:49:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[A democracia brasileira exige respeito às instituições e às decisões da Suprema Corte. Quando o Congresso, movido por interesses políticos, decide descumprir a dosimetria imposta pelo STF e cria regras retroativas para beneficiar transgressores da pátria — entre eles Jair Bolsonaro —, institucionaliza-se o desrespeito às decisões judiciais, abrindo caminho para um estado de desordem [&#8230;]]]></description>
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<p>A democracia brasileira exige respeito às instituições e às decisões da Suprema Corte. Quando o Congresso, movido por interesses políticos, decide descumprir a dosimetria imposta pelo STF e cria regras retroativas para beneficiar transgressores da pátria — entre eles Jair Bolsonaro —, institucionaliza-se o desrespeito às decisões judiciais, abrindo caminho para um estado de desordem institucional.</p>



<p>Esse precedente é perigoso: se o Congresso pode, por conveniência, derrubar um veto presidencial e reescrever sentenças já transitadas em julgado, a porta da imoralidade fica escancarada. O caos político passa a ser liderado por falsos mandarins que se apresentam como defensores da República, mas agem em flagrante desprezo às regras democráticas.</p>



<p>A fala do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao considerar a articulação do deputado Paulinho da Força uma &#8220;construção política possível&#8221;, é sintomática e causa perplexidade pelo tamanho desprezo às regras democráticas. Favorecer condenados pelo 8 de janeiro — entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares de alta patente como Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e Augusto Heleno — não é construção política, mas demolição.</p>



<p>No Senado, o presidente Davi Alcolumbre, demonstrando descompromisso com os valores da República, reforça esse movimento conduzindo a derrubada do veto presidencial com espírito revanchista, como se fosse um sumo potentado. O veto, por sua vez, foi um ato de responsabilidade: o projeto de lei é inconstitucional e viola a separação dos poderes ao desrespeitar decisões definitivas da Suprema Corte.</p>



<p>Se a lógica for descumprir decisões judiciais, que se aplique o mesmo critério a todos os presos do país. Afinal, a Constituição consagra o princípio da igualdade, e não há espaço para privilégios seletivos.</p>



<p>Com a derrubada do veto, caberá ao STF reafirmar a Constituição e declarar a inconstitucionalidade da medida. Não se trata apenas de corrigir um desvio legislativo, mas de preservar o núcleo duro da República: a separação dos poderes e o respeito às decisões judiciais. Democracia não se negocia, não se relativiza e não se curva a conveniências políticas. É o alicerce que sustenta a igualdade e a justiça — e sem ele, o país mergulha no caos institucional.&nbsp;Cabe&nbsp;também ao eleitor exercer sua responsabilidade democrática: banir da reeleição os políticos que votaram pela derrubada do veto presidencial, pois quem despreza a Constituição não pode ser reconduzido para defendê-la.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Autor:</h2>



<p>Júlio César Cardoso</p>



<p>Servidor federal aposentado</p>



<p>Balneário Camboriú-SC</p>
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		<title>Pesquisas eleitorais: instrumento de manipulação ou de democracia? Eis a questão.</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/05/a-casa-virou-estudio-de-videos-e-isso-mudou-a-forma-de-cuidar-dela/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[edicao]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 10:19:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[Os institutos de pesquisa eleitoral, longe de fortalecer a democracia, muitas vezes acabam por fragilizá-la. Em vez de oferecer um retrato fiel da realidade, funcionam como ferramentas encomendadas para produzir resultados previamente esperados, em benefício deste ou daquele candidato. Os levantamentos são realizados em redutos escolhidos a dedo, o que compromete a credibilidade dos números [&#8230;]]]></description>
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<p>Os institutos de pesquisa eleitoral, longe de fortalecer a democracia, muitas vezes acabam por fragilizá-la. Em vez de oferecer um retrato fiel da realidade, funcionam como ferramentas encomendadas para produzir resultados previamente esperados, em benefício deste ou daquele candidato. Os levantamentos são realizados em redutos escolhidos a dedo, o que compromete a credibilidade dos números divulgados.&nbsp;</p>



<p>Grande parte das pessoas entrevistadas está distante dos problemas sociais mais urgentes. Jovens e idosos pouco engajados, ou já alinhados a partidos específicos, tendem a responder de acordo com suas preferências pessoais, e não com uma análise crítica da conjuntura. O resultado é um efeito cascata: pesquisas que induzem o eleitorado a votar nos candidatos mais bem posicionados, criando uma falsa sensação de consenso.&nbsp;</p>



<p>A imprensa, em vez de amplificar esses números, deveria assumir um papel mais pedagógico e informativo. O eleitor precisa conhecer a trajetória dos candidatos: sua vida pregressa, sua conduta moral, sua formação cultural e profissional, os serviços prestados à sociedade. É esse conjunto de informações que realmente permite uma escolha consciente, e não estatísticas manipuladas por institutos diversos.&nbsp;</p>



<p>Vejam, por exemplo, a divulgação da pesquisa da&nbsp;AtlasIntel&nbsp;sobre intenções de voto de Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Muitos sequer conheciam esse instituto, mas seus números ganharam manchetes. Além disso, proliferam simulações com candidatos sem representatividade, que apenas confundem o eleitor e alimentam o mercado de notícias. No Brasil, tais práticas deveriam ser seriamente repensadas — se não proibidas, ao menos reguladas com rigor.&nbsp;</p>



<p>Vale lembrar que esse modelo de pesquisa é importado, sobretudo dos Estados Unidos, mas aqui se distancia ainda mais da realidade. Uma pesquisa verdadeiramente útil seria aquela voltada para ouvir a população sobre temas estruturais: o sistema político, a insegurança pública, a qualidade da educação, o funcionamento do sistema de saúde, o desemprego, a falta de habitação digna, a precariedade da infraestrutura urbana. Questões como o saneamento básico, o controle de natalidade para prevenir a proliferação de crianças em redutos de extrema indigência, e o impacto da pobreza extrema na formação de futuras gerações deveriam ser objeto de debate nacional.&nbsp;</p>



<p>Em vez disso, o que se vê são levantamentos superficiais, que reduzem a democracia a uma corrida de cavalos. Pesquisas eleitorais, da forma como são conduzidas hoje, não esclarecem: confundem. Não informam: manipulam. E, sobretudo, não fortalecem a democracia — antes a enfraquecem, transformando o voto em reflexo de estatísticas enviesadas, e não em expressão consciente da cidadania.&nbsp;</p>



<p>A bem da democracia e da transparência, deveria ser proibida a divulgação de pesquisa eleitoral, principalmente nos períodos próximos às&nbsp;eleições.&nbsp;</p>



<p>Júlio César Cardoso</p>



<p>Servidor federal aposentado</p>



<p>Balneário Camboriú-SC</p>
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		<title>Governo cogita fim da &#8220;taxa das blusinhas&#8221; para conter desgaste eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Grayce Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 18:51:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Mendlowicz]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Wicz]]></category>
		<category><![CDATA[Correios]]></category>
		<category><![CDATA[Economista Sincero]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[receita federal]]></category>
		<category><![CDATA[Taxa das blusinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[Com prejuízo recorde nos Correios e queda no poder de compra, Planalto estuda reverter imposto sobre importações; economista Charles Mendlowicz analisa o cenário.]]></description>
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<p>O governo federal iniciou discussões para reverter a taxação de produtos importados de até US$ 50, a popular &#8220;taxa das blusinhas&#8221;, em uma tentativa de reduzir o desgaste político e melhorar a popularidade antes das eleições de 2026. A medida, que incide sobre compras em sites como Shein, Shopee e AliExpress, tornou-se um símbolo de insatisfação entre eleitores de baixa renda, apesar de ter gerado uma arrecadação de R$ 425 milhões em janeiro deste ano, segundo dados da Receita Federal.<br> <br>Ainda de acordo com a Receita Federal, o volume de compras internacionais em desacordo com as normas caiu 60% em 2025, uma vez que a cobrança passou a ser feita de forma direta no ato da transação. Contudo, o custo eleitoral parece estar pesando mais que o benefício fiscal.<br> <br>O economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, aponta uma forte contradição na postura do governo. Segundo ele, o imposto foi defendido pela própria gestão atual como algo positivo para a economia nacional.<br> <br>&#8220;O governo criou uma taxa, defendeu, disse que era uma boa para o país, que era uma boa para as empresas varejistas, que era uma boa para as pessoas. Agora, o governo olha e fala: &#8216;Não, esse negócio aqui não é bom, foi ruim para os pobres. Precisamos acabar'&#8221;, comenta o economista.<br> <br>Mendlowicz destaca que o principal impacto foi a redução drástica do poder de compra das classes C e D. Ele exemplifica que o consumidor que antes conseguia adquirir duas peças de roupa com o mesmo orçamento, agora se vê limitado a comprar apenas uma devido ao aumento de preços gerado pelos tributos.<br> <br>&#8220;A pessoa gasta a mesma coisa e compra menos, o site ganha a mesma coisa, e a única pessoa que está se dando bem é o governo porque passou a ficar com parte do que o consumidor compraria&#8221;, avalia o Economista Sincero.<br> <br><strong>Crise nos Correios</strong><br><br>A situação financeira dos Correios também é um fator de pressão. A estatal fechou o ano de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões. Embora haja tentativas de associar o rombo à queda no volume de encomendas internacionais por conta da taxa, Mendlowicz vê a questão como um problema de gestão. “A ‘taxa das blusinhas’ está sendo usada pelos Correios como uma cortina de fumaça para a desorganização da instituição”, conclui o economista.<br> <br>Enquanto o governo federal estuda os próximos passos, parlamentares e setores da indústria nacional prometem resistir à reversão, mantendo o debate sobre a carga tributária brasileira e a proteção ao mercado interno no centro da pauta política.<br> <br><strong>Sobre o Economista Sincero</strong><br> <br><a href="https://www.instagram.com/charles.wicz" data-wpel-link="external" target="_blank" rel="nofollow external noopener noreferrer">Charles Mendlowicz</a> é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management <a href="https://www.instagram.com/tickerwealth/" data-wpel-link="external" target="_blank" rel="nofollow external noopener noreferrer">Ticker Wealth</a>, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller &#8220;18 princípios para você evoluir&#8221;. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.</p>
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		<title>Absurdo: parlamentares querem censurar críticas a Israel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[edicao]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 17:35:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[O Brasil atravessa um momento delicado, marcado por miséria crescente, desemprego alarmante e insegurança pública que corrói o cotidiano da sociedade. Em vez de se debruçar sobre esses problemas urgentes, alguns parlamentares parecem preferir legislar sobre temas completamente alheios às necessidades nacionais. A proposta de classificar como antissemitas aqueles que criticam Israel é um exemplo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil atravessa um momento delicado, marcado por miséria crescente, desemprego alarmante e insegurança pública que corrói o cotidiano da sociedade. Em vez de se debruçar sobre esses problemas urgentes, alguns parlamentares parecem preferir legislar sobre temas completamente alheios às necessidades nacionais. A proposta de classificar como antissemitas aqueles que criticam Israel é um exemplo gritante dessa desconexão. Trata-se de um absurdo institucionalizado, fruto da insensatez&nbsp;política&nbsp;e da falta de compromisso com a coletividade.&nbsp;</p>



<p>Mais grave ainda é que essa iniciativa se insere em um contexto em que vozes de grupos que se consideram &#8220;politicamente corretos&#8221; tentam impor regras absurdas. Hoje, qualquer manifestação crítica corre o risco de ser tachada de preconceito racial, misoginia, assédio sexual ou outras aberrações. O ambiente público está se tornando sufocante: não se pode mais externar opiniões sem o risco de ser mal interpretado por grupos que se dizem melindrados com tudo. Esse excesso de &#8220;mimimi&#8221; transforma o debate democrático em um campo minado, onde até a crítica responsável a um país é vista como crime.&nbsp;</p>



<p>Ora, se um cidadão não é simpatizante deste ou daquele governo estrangeiro, por que não pode, com responsabilidade, expressar sua crítica? Confundir divergência&nbsp;de opinião e&nbsp;política com preconceito&nbsp;ou&nbsp;antissemetismo&nbsp;é um desvio perigoso e autoritário. A liberdade de expressão é um direito constitucional, pilar da democracia, e não pode ser restringida por caprichos ideológicos ou por pressões de grupos que se autoproclamam guardiões da moral.&nbsp;</p>



<p>Enquanto a fome, a desigualdade e a violência clamam por soluções, nossos parlamentares preferem se ocupar com projetos artificiais e desconectados da vida nacional. Como disse Nelson Rodrigues, com seu sarcasmo certeiro: &#8220;Não existe político doce.&#8221; O que vemos é a tentativa de impor uma mordaça, de transformar divergência em crime, de sufocar o debate público.&nbsp;</p>



<p>Precisamos pôr fim a esse despropósito.Democracia&nbsp;não é unanimidade, é pluralidade de vozes. O cidadão não pode ser amordaçado no seu direito de se manifestar.&nbsp;O que necessitamos é de representantes que enfrentam os problemas reais, não de legisladores que buscam relevância em pautas artificiais e desconectadas da vida nacional.</p>



<p>O Brasil carece de soluções concretas&nbsp;para os seus problemas, não de censura. Criminalizar a crítica é um retrocesso civilizatório. O Parlamento deveria ser o espaço da defesa da liberdade, não da sua restrição.&nbsp;</p>



<p>Aos signatários desse projeto excrescente, que se esquecem de questões relevantes sociais, lembrem-se de que, nas próximas eleições, cada um de vocês prestará contas à sociedade nas urnas, caso almejem a reeleição. E que proposta absurda como essa em detrimento de pautas relevantes sociais sejam lembradas pelos eleitores.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Autor:</h2>



<p>Júlio César Cardoso</p>



<p>Servidor federal aposentado</p>



<p>Balneário Camboriú-SC</p>
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		<title>1964: o que ainda nos resta dizer?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[edicao]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 10:17:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[Em um momento de forte polarização política no Brasil, em que o passado volta a ser intensamente disputado no espaço público e em que parte da sociedade relativiza ou até nega a existência da ditadura militar, o debate sobre memória, verdade e democracia se torna ainda mais urgente. Nesse cenário marcado por autoritarismos, extremismos, desinformação [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em um momento de forte polarização política no Brasil, em que o passado volta a ser intensamente disputado no espaço público e em que parte da sociedade relativiza ou até nega a existência da ditadura militar, o debate sobre memória, verdade e democracia se torna ainda mais urgente. Nesse cenário marcado por autoritarismos, extremismos, desinformação e negacionismo, uma pergunta ganha força renovada: o que ainda nos resta dizer sobre 1964? A resposta é simples e, ao mesmo tempo, decisiva: ainda há muito a dizer.</p>



<p>Muito já se escreveu e se produziu, nos últimos tempos, seja no formato de livros, de documentários, de filmes de ficção e de seriados, sobre o ano de 1964 e os seus impactos sobre a sociedade e a política brasileira. Sem dúvida a diversidade promoveu novas análises sobre os seus desdobramentos. Aliás, o processo de democratização nos anos de 1980, a mobilização da sociedade se revelou através de situações concretas, como as reveladas pelo grupo Tortura Nunca Mais. Mais recentemente o debate sobre o futuro do prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) no Centro do Rio de Janeiro, e sobre a parte do seu acervo ter sido transferido para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ) reacende a discussão.</p>



<p>O golpe de 1964 é um dos acontecimentos mais impactantes na história do Brasil. De um lado, representa o ápice da radicalização de forças antagônicas que disputavam projetos distintos de desenvolvimento econômico e social, bem como divergiam quanto à atuação política e cultural no país. Ao mesmo tempo, simboliza o ponto de partida da estruturação de uma ditadura militar que teve consequências profundas para a sociedade brasileira. Refletir sobre o golpe exige considerar o embate de forças nele implicadas. Se, para estruturar e fortalecer a ditadura militar no Brasil, os militares se apropriaram do aparato do Estado, contaram com apoio de empresários e de parcelas da sociedade civil, além de empregarem sistematicamente a violência física e simbólica, contudo, isso não impediu a criação de estratégias diversificadas de resistência.</p>



<p><strong>Coletânea inscrita no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026</strong></p>



<p>Inscrita no Jabuti Acadêmico de 2026, a coletânea &#8216;1964: O que ainda nos resta dizer?&#8217; abre caminho ao buscar elementos que fogem ao padrão das interpretações já existentes. O livro mostra como a ditadura manifestou em diferentes escalas e experiências, deixando marcas materiais e simbólicas que ainda atravessam o presente. O mérito da coletânea está justamente em demonstrar que ainda temos muito a dizer sobre a ditadura militar brasileira, especialmente quando deslocamos o olhar para temas que nem sempre ocuparam lugar de destaque nos debates mais consolidados, mais tradicionais. O livro mostra, assim, que a história da ditadura não se esgota nos marcos mais conhecidos da repressão política, mas se amplia quando observada com olhar sobre novos temas, com a possibilidade novas abordagens.</p>



<p>É isso que se percebe na leitura dos seus oito capítulos. O livro aborda a demolição do prédio da Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, destruindo, junto aos escombros, memórias e identidades; um curta-metragem que, em 1968, abordava a homossexualidade no contexto da contracultura, algo inovador até então; a investigação no campo das artes plásticas em eventos ocorridos em Salvador e Belo Horizonte, em 1966 e 1968, respectivamente; as&nbsp; canções e vozes femininas na resistência ao autoritarismo, recorrendo a discos de vinil, o Long Play, como fonte documental; o genocídio dos povos originários, em particular os Kinja e os Krenak, assim como do reconhecimento recente dos crimes cometidos também contra os Guarani-Kaiowá; a luta dos trabalhadores pela posse da terra, que não começou com o MST; as remoções de moradores das favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro para lugares distantes, violência perpetrada durante a ditadura dos militares com a conivência da sociedade; e, por fim, a luta da Comunidade do Horto, no Jardim Botânico, também na Zona Sul da cidade, para garantir o seu direito à moradia.</p>



<p>Ao reunir temas tão diversos, a coletânea amplia o campo das perguntas. Como lembra o historiador Jorge Ferreira (autor de João Goulart: Uma biografia) em sua apresentação sempre há o que dizer sobre 1964. Questões e temas que até então eram considerados sem importância são reavaliados pela sua relevância e mérito. Nesse sentido, o livro não apenas revisita 1964, mas aponta que ainda é possível discutir temas originais, inéditos e relevantes sobre a ditadura civil-militar brasileira.</p>



<p>Desse modo, estar inscrito na disputa ao Jabuti Acadêmico de 2026 não é um mero detalhe. Reforça um trabalho que, ao mesmo tempo, dialoga com uma tradição consolidada de estudos sobre a ditadura e abre caminho para novas abordagens. Em um campo já marcado por muitas publicações, que envolvem desde a corporação militar, a doutrina de segurança nacional, a propaganda política, os órgãos de repressão, o movimento estudantil, a luta armada, o terrorismo de Estado, a transição democrática, a anistia e tantos outros temas, a coletânea demonstra que esse passado está longe de se esgotar, se reafirma pela relevância do tema, e pela sua atualidade política e intelectual.</p>



<p>Mais do que responder de maneira definitiva à pergunta que levanta, a coletânea reafirma que sempre haverá o que dizer sobre 1964. E essa talvez seja sua principal contribuição hoje: insistir que a reflexão sobre a ditadura continua sendo parte da luta por memória, verdade, justiça e democracia. Em um país ainda atravessado por resíduos autoritários, revisitar criticamente esse passado não é apenas um exercício acadêmico. É também uma forma de defender, no presente, um país mais justo, independente, plural e democrático.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Autora:</h2>



<p>Luciene Carris é doutora e mestre em História Política (UERJ) e graduada e licenciada em História pela mesma universidade. Realizou estágios pós-doutorais no Laboratório de Geografia Política (USP), no Departamento de História (PUC/Rio) e no Departamento de História (UERJ). É pesquisadora do Laboratório de Imagem, Memória, Arte e Metrópole (IMAM) da UFRJ, integra o GT de História Urbana da ANPUH/Rio, é sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro (IHGRJ) e sócia honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Atualmente, atua como gerente do Centro de Ensino e Pesquisa do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Anatomia do Dogma: Quando a Fé Política Corrói a Alma de uma Nação</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/04/a-anatomia-do-dogma-quando-a-fe-politica-corroi-a-alma-de-uma-nacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 13:30:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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					<description><![CDATA[Há, nas sombras da arena pública, um processo insidioso que transcende a mera persuasão. Não se trata do embate dialético, da saudável fricção entre ideias que lapida o pensamento e forja o consenso. É, antes, uma engenharia da alma, uma cirurgia sem bisturi que extirpa, com a precisão de um algoritmo, a própria raiz da [&#8230;]]]></description>
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<p>Há, nas sombras da arena pública, um processo insidioso que transcende a mera persuasão. Não se trata do embate dialético, da saudável fricção entre ideias que lapida o pensamento e forja o consenso. É, antes, uma engenharia da alma, uma cirurgia sem bisturi que extirpa, com a precisão de um algoritmo, a própria raiz da dúvida. O que se implanta no lugar do discernimento crítico é um sistema operacional fechado, um universo de certezas inabaláveis que se retroalimenta, blindado contra qualquer intromissão da realidade. A evidência, por mais contundente que seja, é tratada como uma heresia, um vírus a ser erradicado pelo firewall da lealdade incondicional. Foi essa metamorfose, essa transfiguração da política em devoção cega, que se alastrou pelo corpo social brasileiro, transformando a praça pública em um altar onde a razão foi sacrificada em nome de um dogma.</p>



<p>O custo dessa fé, calculado em vidas, ergue-se como um monumento macabro à irracionalidade. Mais de setecentas mil mortes não foram apenas estatísticas frias; foram os degraus de um patíbulo onde a ciência foi crucificada e a compaixão, vilipendiada. A pandemia, longe de ser apenas uma crise sanitária, revelou-se o palco de um ritual sombrio: a vacina, transmutada em veneno; o isolamento, em covardia; a cloroquina, em sacramento. Enquanto os corpos se acumulavam em valas comuns, a defesa do dogma não apenas resistiu, mas se fortaleceu, alimentada pelo próprio sofrimento que ajudou a semear. A programação mostrou sua eficácia mais perversa: conseguiu que seus fiéis negassem a realidade visível, palpável, sufocante, em prol de uma verdade revelada pelas telas e pelos púlpitos. A tragédia não era um fato a ser lamentado, mas um campo de batalha narrativo a ser vencido, custe o que custar.</p>



<p>E assim, quando a figura central do culto, o demiurgo de sua própria mitologia, foi apeada do poder, a seita não se dissolveu em pó. Ela realizou sua transubstanciação final, uma alquimia perversa da narrativa. O líder terreno transmutou-se em mártir celestial, um profeta incompreendido em seu próprio tempo. A derrota nas urnas foi recodificada como perseguição épica; a responsabilidade legal, como martírio político. A narrativa, ágil como um camaleão e oportunista como um parasita, trocou de pele sem alterar sua essência. Os mesmos slogans, agora sussurrados como ladainhas ou bradados como hinos de resistência, mantêm o rebanho coeso, aguardando a prometida redenção. A melodia é a mesma, apenas transposta para uma clave de lamento e revanche, garantindo que a sinfonia do antagonismo nunca cesse, ressoando nos ecos da memória coletiva.</p>



<p>Este ecossistema de crenças não floresce no vácuo. Ele é irrigado por um rio subterrâneo de apoio internacional, onde figuras marginais e interesses escusos de outras latitudes encontram eco e amplificação. Para o fiel programado, esse reconhecimento estrangeiro funciona como a bênção de um papa paralelo, validando o sentimento de pertencimento a uma cruzada global contra inimigos comuns. É o ciclo perfeito da alienação: a informação de dentro é dogma inquestionável, a validação de fora é absolvição divina. A bolha de percepção torna-se uma fortaleza inexpugnável, onde a dissonância cognitiva é abafada pelo coro uníssono dos convertidos, e a realidade exterior é apenas uma miragem a ser desdenhada.</p>



<p>Portanto, não se iluda pensando que o fenômeno se esgota com um mandato, ou que a queda de um ídolo desmantela a estrutura. Ideologias convertidas em religiões seculares são organismos tenazes, dotados de uma resiliência assustadora. Elas não morrem; hibernam, se fragmentam em células ainda mais puras e agressivas, ou se adaptam, como um vírus que muta para sobreviver. A pergunta que fica, ecoando no silêncio pós-tempestade, não é sobre o fim do ciclo, mas sobre a possibilidade de cura. Como desprogramar uma nação que teve sua capacidade de pensar por si mesma atrofiada? Como reensinar o olhar a ver além das cortinas de fumaça,</p>
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