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	<title>Cinema &#8211; Jornal Tribuna</title>
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	<description>O seu portal de notícias e artigos científicos</description>
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		<title>Redes sociais de influenciador Byel são suspensas e caso gera repercussão na internet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 17:39:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Byel]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Tribuna]]></category>
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					<description><![CDATA[O influenciador digital Byel teve suas redes sociais suspensas recentemente, em um episódio que rapidamente ganhou repercussão entre seguidores e páginas de entretenimento nas plataformas digitais. O criador de conteúdo, que reúne milhões de seguidores e forte engajamento online, ficou fora do ar após a remoção de seus perfis principais. A suspensão chamou atenção principalmente [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>O influenciador digital Byel teve suas redes sociais suspensas recentemente, em um episódio que rapidamente ganhou repercussão entre seguidores e páginas de entretenimento nas plataformas digitais. O criador de conteúdo, que reúne milhões de seguidores e forte engajamento online, ficou fora do ar após a remoção de seus perfis principais.</p>



<p>A suspensão chamou atenção principalmente pela velocidade com que o assunto passou a circular entre usuários da internet. Comentários sobre o caso se espalharam por diferentes redes sociais, onde seguidores demonstraram preocupação com a ausência do influenciador nas plataformas em que mantinha atuação frequente.</p>



<p>O episódio também reacende discussões sobre os sistemas automatizados utilizados por grandes empresas de tecnologia para monitoramento e aplicação de regras internas. Atualmente, plataformas digitais utilizam inteligência artificial para detectar possíveis violações de diretrizes, prática que vem sendo alvo de críticas devido a relatos de bloqueios considerados indevidos por usuários.</p>



<p>Nos últimos anos, influenciadores e criadores de conteúdo passaram a depender diretamente das redes sociais para manter audiência, fechar campanhas publicitárias e fortalecer a própria imagem pública. Com isso, suspensões repentinas podem gerar impactos imediatos tanto na comunicação quanto na atividade profissional desses perfis.</p>



<p>Especialistas do setor digital avaliam que casos envolvendo contas de grande alcance evidenciam a necessidade de maior transparência nos processos de revisão das plataformas. Em muitos episódios semelhantes, usuários relatam dificuldades para acessar suporte humanizado ou obter respostas rápidas sobre o motivo das restrições aplicadas.</p>



<p>Enquanto o caso segue repercutindo, o nome de Byel continua sendo mencionado em páginas voltadas ao entretenimento e ao universo digital. Seguidores também passaram a compartilhar mensagens de apoio e pedidos para que os perfis do influenciador sejam restabelecidos.</p>



<p>Até o momento, não houve divulgação de informações oficiais sobre o motivo específico da suspensão das contas associadas ao influenciador.</p>



<p></p>
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		<title>Cinema: &#8220;Uma Batalha Após a Outra&#8221; &#8211; A Persistência do Espírito Humano em Meio ao Caos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 13:27:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[No vasto e, por vezes, exaustivo palco da existência, há narrativas que ressoam com uma verdade universal: a vida é, em sua essência, uma sucessão de desafios. O filme &#8220;Uma Batalha Após a Outra&#8221; emerge nesse cenário como um espelho multifacetado, refletindo não apenas a dureza das adversidades, mas, sobretudo, a inquebrantável resiliência do espírito [&#8230;]]]></description>
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<p>No vasto e, por vezes, exaustivo palco da existência, há narrativas que ressoam com uma verdade universal: a vida é, em sua essência, uma sucessão de desafios. O filme &#8220;Uma Batalha Após a Outra&#8221; emerge nesse cenário como um espelho multifacetado, refletindo não apenas a dureza das adversidades, mas, sobretudo, a inquebrantável resiliência do espírito humano. Longe de ser apenas um drama sobre superação, a obra nos convida a uma profunda reflexão sobre o que significa persistir quando o horizonte parece obscurecido por nuvens de incerteza.</p>



<p>A premissa do filme, embora possa parecer à primeira vista um clichê de &#8220;luta contra as probabilidades&#8221;, desdobra-se em uma tapeçaria complexa de emoções e escolhas. Os personagens não são meros arquétipos; são seres falhos, vulneráveis e, por isso mesmo, profundamente humanos. Suas batalhas não se limitam a embates físicos ou obstáculos externos; elas se manifestam nas trincheiras da mente, nos dilemas morais e nas cicatrizes invisíveis que cada revés deixa. É nessa exploração da psique que o filme encontra sua maior força, transformando cada &#8220;batalha&#8221; em uma metáfora para os conflitos internos que todos nós, em algum momento, enfrentamos.</p>



<p>O que &#8220;Uma Batalha Após a Outra&#8221; faz com maestria é desmistificar a ideia de que a resiliência é uma característica inata de poucos. Pelo contrário, ele a apresenta como um músculo que se fortalece a cada queda, a cada recomeço. A narrativa não romantiza o sofrimento, mas o contextualiza como um catalisador para o crescimento. Vemos os protagonistas tropeçarem, duvidarem de si mesmos e, por vezes, até desistirem momentaneamente, apenas para encontrar, nas profundezas de sua própria essência, a fagulha que reacende a chama da esperança. Essa representação honesta da jornada humana é um bálsamo em tempos onde a perfeição e a invencibilidade são frequentemente supervalorizadas.</p>



<p>Além disso, o filme tece uma crítica sutil, mas potente, à forma como a sociedade muitas vezes percebe o sucesso e o fracasso. Em um mundo que celebra as vitórias estrondosas, &#8220;Uma Batalha Após a Outra&#8221; nos lembra que a verdadeira vitória reside na capacidade de se levantar, mesmo quando a derrota parece iminente. Não se trata de vencer todas as lutas, mas de não se render à exaustão, de encontrar propósito na própria jornada e de compreender que cada cicatriz é um testemunho da nossa capacidade de resistir.</p>



<p>A direção e o roteiro trabalham em uníssono para criar uma atmosfera que é ao mesmo tempo opressora e inspiradora. A fotografia, muitas vezes sombria, contrasta com momentos de clareza e beleza, simbolizando a luz que sempre pode ser encontrada mesmo nas situações mais desesperadoras. As atuações são viscerais, transmitindo a dor, a angústia e a determinação dos personagens de forma palpável, convidando o espectador a uma empatia profunda.</p>



<p>Em suma, &#8220;Uma Batalha Após a Outra&#8221; não é apenas um filme para ser assistido; é uma experiência para ser sentida e refletida. Ele nos confronta com a inevitabilidade dos desafios, mas, mais importante, nos oferece uma poderosa mensagem de esperança: a de que, não importa quão árdua seja a jornada, sempre haverá uma nova batalha a ser travada, e em cada uma delas, a oportunidade de reafirmar a nossa inabalável vontade de viver. É uma obra que, sem dúvida, merece ser vista e debatida, pois nos lembra que a verdadeira força reside não em evitar as batalhas, mas em enfrentá-las, uma após a outra, com coragem e coração.</p>



<p><strong>Nota: 9/10</strong></p>
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		<title>Cinema: Caminhos da Memória e a saudade como tecnologia, quando lembrar vira um jeito de se perder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 20:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Há filmes que querem contar uma história e há filmes que querem construir um clima, como quem apaga as luzes, acende um abajur e deixa o ar cheio de poeira dourada.&#160;Caminhos da Memória&#160;é desse segundo tipo. Lançado em&#160;2021, dirigido por&#160;Lisa Joy, ele veste o figurino do noir e mergulha numa ficção científica melancólica, daquelas que [&#8230;]]]></description>
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<p>Há filmes que querem contar uma história e há filmes que querem construir um clima, como quem apaga as luzes, acende um abajur e deixa o ar cheio de poeira dourada.&nbsp;<strong>Caminhos da Memória</strong>&nbsp;é desse segundo tipo. Lançado em&nbsp;<strong>2021</strong>, dirigido por&nbsp;<strong>Lisa Joy</strong>, ele veste o figurino do noir e mergulha numa ficção científica melancólica, daquelas que parecem sempre acontecer ao som de chuva em vidro e passos lentos em ruas molhadas.</p>



<p>A trama nos leva a uma&nbsp;<strong>Miami do futuro parcialmente submersa</strong>, quente, decadente e sedutora, onde o passado tem mais valor do que qualquer promessa de amanhã. É ali que&nbsp;<strong>Nick Bannister</strong>, vivido por&nbsp;<strong>Hugh Jackman</strong>, trabalha com uma máquina capaz de&nbsp;<strong>reconstituir memórias</strong>. Pessoas pagam para retornar a um instante perdido, procurar uma pista, reviver um amor, conferir se foram felizes de verdade ou apenas se convencer disso. O serviço é vendido como instrumento de cura, mas o filme faz questão de insinuar desde cedo que mexer com lembranças é como cutucar uma ferida que aprende a cantar.</p>



<p>O motor emocional do enredo aparece quando surge&nbsp;<strong>Mae</strong>, interpretada por&nbsp;<strong>Rebecca Ferguson</strong>, e a história se inclina para o romance, para a obsessão e para o tipo de investigação em que a verdade nunca vem limpa. A partir desse encontro, Nick deixa de ser operador e vira cliente do próprio vício. Ele entra e reentra na mesma lembrança como quem volta ao mar sabendo que o mar não devolve nada igual. Ao redor deles, a narrativa convoca&nbsp;<strong>Thandiwe Newton</strong>&nbsp;como presença forte e magnética, e espalha personagens que parecem carregados de segredos como bolsos cheios de pedras.</p>



<p>Em termos de detalhes, o filme é generoso com a atmosfera. A fotografia trabalha a luz como se fosse memória também, com reflexos e sombras que dão a sensação de que tudo está sempre meio distorcido, meio romantizado, como acontece quando a gente lembra do que ama. A direção de arte acerta em cheio ao usar a cidade inundada não como espetáculo, mas como metáfora. A água está por toda parte, insistente, como o passado quando decide ocupar a casa inteira.</p>



<p>Agora, a opinião, sem a qual isso vira apenas sinopse bem vestida.&nbsp;<strong>Caminhos da Memória</strong>&nbsp;é um filme bonito, às vezes mais bonito do que preciso, e isso é elogio e crítica ao mesmo tempo. Ele tem ideias excelentes sobre a nossa relação com lembranças, sobre o conforto perigoso de revisitar o que já acabou, sobre como a nostalgia pode ser uma droga elegante, com embalagem de veludo. Só que em alguns momentos ele parece apaixonado demais pela própria fumaça, e a trama policial, que deveria apertar o nó, por vezes se dispersa como perfume no calor. Ainda assim, quando funciona, funciona com uma doçura amarga que fica na boca.</p>



<p>As reflexões possíveis são muitas, e o filme convida a algumas que doem porque são verdadeiras:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Memória não é arquivo, é montagem.</strong> A máquina do filme promete fidelidade, mas a própria linguagem nos lembra que recordar é selecionar, iluminar, esconder. A lembrança é sempre uma edição com trilha sonora.</li>



<li><strong>A dor pode virar identidade.</strong> Nick não busca apenas respostas, ele busca permanecer ligado a uma perda. Há gente que, sem perceber, transforma saudade em morada.</li>



<li><strong>Tecnologia não cria vícios do nada, ela dá forma aos que já existiam.</strong> No universo do filme, a máquina é só um espelho mais nítido para uma tendência humana antiga, a de preferir o passado porque ele não exige coragem.</li>



<li><strong>O futuro inundado parece menos sobre clima e mais sobre emoção.</strong> A cidade alagada sugere um mundo onde o que transbordou foi a capacidade de seguir em frente, como se todos estivessem vivendo com água nos tornozelos, caminhando devagar para não cair.</li>
</ul>



<p>Quanto à disponibilidade,&nbsp;<strong>Caminhos da Memória</strong>&nbsp;costuma estar no catálogo da&nbsp;<strong>Max</strong>&nbsp;em diversos mercados, e também aparece com frequência para&nbsp;<strong>aluguel ou compra digital</strong>&nbsp;em lojas como&nbsp;<strong>Apple TV</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Google Play Filmes</strong>, variando conforme o país e o período.</p>



<p>No fim, o filme deixa uma pergunta silenciosa, sem precisar formulá la. Se fosse possível revisitar exatamente aquilo que nos partiu, quantas vezes nós iríamos antes de admitir que lembrar não é o mesmo que viver.</p>



<p><strong>Nota: 7,4 de 10</strong></p>
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		<title>Cinema: &#8220;Bata Antes de Entrar&#8221; e a Tentação de Abrir a Porta Certa no Pior Momento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 19:33:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Lançado em&#160;2015,&#160;Bata Antes de Entrar&#160;(título original&#160;Knock Knock) é aquele tipo de thriller que parece começar como um teste de caráter simples e termina como uma autópsia moral feita a portas fechadas. Dirigido por&#160;Eli Roth&#160;e estrelado por&#160;Keanu Reeves&#160;(Evan), o filme parte de uma premissa quase banal, numa noite chuvosa, duas desconhecidas batem à porta pedindo ajuda. [&#8230;]]]></description>
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<p>Lançado em&nbsp;<strong>2015</strong>,&nbsp;<strong>Bata Antes de Entrar</strong>&nbsp;(título original&nbsp;<em>Knock Knock</em>) é aquele tipo de thriller que parece começar como um teste de caráter simples e termina como uma autópsia moral feita a portas fechadas. Dirigido por&nbsp;<strong>Eli Roth</strong>&nbsp;e estrelado por&nbsp;<strong>Keanu Reeves</strong>&nbsp;(Evan), o filme parte de uma premissa quase banal, numa noite chuvosa, duas desconhecidas batem à porta pedindo ajuda. O que poderia ser apenas gentileza vira flerte, o flerte vira erro, e o erro vira um pesadelo meticulosamente encenado para expor não só o que o protagonista fez, mas principalmente o que ele achou que “daria para controlar”.</p>



<p>No enredo, Evan é um homem de família, confortável em sua casa bonita, seu casamento aparentemente estável e sua rotina de pai presente. A esposa e os filhos viajam, ele fica sozinho, e a casa, que antes parecia um abrigo, começa a se comportar como palco. Quando&nbsp;<strong>Genesis</strong>&nbsp;(Lorenza Izzo) e&nbsp;<strong>Bel</strong>&nbsp;(Ana de Armas) aparecem encharcadas e vulneráveis, o filme faz uma escolha inteligente e incômoda, não apressa a violência. Primeiro seduz com conversa, com a falsa sensação de que a história ainda é sobre desejo e vaidade. A virada acontece quando a visita deixa de ser visita e vira julgamento. Não um julgamento legal, mas um tribunal íntimo, cruel, performático.</p>



<p>O mérito de&nbsp;<strong>Bata Antes de Entrar</strong>&nbsp;está em como ele transforma um cenário doméstico em armadilha psicológica. A casa vira labirinto moral. Cada cômodo deixa de ser espaço e passa a ser argumento. A cozinha não é onde se prepara comida, é onde se prepara a humilhação. A sala não é onde se recebe alguém, é onde se perde autoridade. O quarto não é intimidade, é exposição. E assim, sem precisar de monstros sobrenaturais, o filme entrega um terror bem contemporâneo, o terror de ter a própria imagem arrancada da parede e usada contra você.</p>



<p>Há também uma camada curiosa sobre poder e narrativa. O protagonista tenta negociar, explicar, minimizar, dar nome aos acontecimentos como quem tenta recuperar o volante. Mas o filme insiste que, quando você erra achando que está no controle, o que vem depois costuma ser a consequência mais humilhante, a de perceber que a sua versão dos fatos não é mais a versão dominante. Nesse ponto, o longa flerta com uma pergunta desconfortável, a culpa é apenas pelo ato, ou pela arrogância com que ele é cometido, pela certeza de impunidade, pela crença de que tudo pode ser “resolvido depois”?</p>



<p>As duas visitantes, por sua vez, são construídas menos como pessoas comuns e mais como forças dramáticas, quase alegorias do caos. Isso pode afastar quem procura realismo psicológico, mas serve bem ao tom de fábula sombria. Elas operam como espelho e lâmina. Espelho, porque refletem o desejo e a vaidade do anfitrião. Lâmina, porque cortam a máscara de homem correto que ele sustenta enquanto tudo vai bem. É um filme que gosta do exagero, e quando exagera, não é para pedir desculpas. É para deixar marcas.</p>



<p>Como reflexão,&nbsp;<strong>Bata Antes de Entrar</strong>&nbsp;funciona como um estudo de limites. Limites entre gentileza e imprudência. Entre solidão e autossabotagem. Entre fantasia e responsabilidade. E também como um alerta sobre o autoengano, aquele pensamento confortável de que “nunca aconteceria comigo”, até acontecer, e ainda assim a pessoa tenta discutir com o desastre como se desastre aceitasse debate. No fim, a sensação é amarga porque o filme não entrega catarse limpa. Entrega uma moral arranhada, como se dissesse que certas portas, uma vez abertas, não se fecham com a mesma mão.</p>



<p><strong>Onde assistir:</strong> Lionsgate Plus</p>



<p><strong>Nota:</strong>&nbsp;7,5/10</p>
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		<title>Cinema: &#8220;Esquadrão Suicida&#8221; (2016) e a tentação de achar beleza no caos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 19:09:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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<p>Lançado em&nbsp;<strong>2016</strong>,&nbsp;<strong>Esquadrão Suicida</strong>&nbsp;é o tipo de blockbuster que entra em cena como um show de fogos: barulhento, colorido, às vezes hipnotizante e, em certos momentos, tão ansioso para impressionar que esquece de respirar. Dirigido por&nbsp;<strong>David Ayer</strong>, o filme encaixa seu coração torto dentro do universo cinematográfico da DC daquela fase mais sombria e “neon”, juntando vilões carismáticos, uma missão suicida e uma estética de videoclipe que ainda divide opiniões com gosto.</p>



<p>A premissa é deliciosa em sua maldade simples. O governo, pelas mãos frias e calculistas de&nbsp;<strong>Amanda Waller</strong>&nbsp;(Viola Davis, excelente como ameaça de terno), decide montar uma força tarefa com criminosos que ninguém vai sentir falta se der errado. Entram em campo&nbsp;<strong>Arlequina</strong>&nbsp;(Margot Robbie, um ímã de câmera),&nbsp;<strong>Pistoleiro</strong>&nbsp;(Will Smith no modo carisma calibrado),&nbsp;<strong>Capitão Bumerangue</strong>&nbsp;(Jai Courtney),&nbsp;<strong>Croque</strong>&nbsp;(Adewale Akinnuoye-Agbaje),&nbsp;<strong>Katana</strong>&nbsp;(Karen Fukuhara) e outros nomes que o filme tenta vender como “os piores dos piores”, embora nem todos recebam tempo suficiente para virar gente na nossa cabeça. No centro do conflito está uma ameaça sobrenatural ligada à&nbsp;<strong>Magia</strong>&nbsp;(Cara Delevingne), com uma cidade em ruínas e um apocalipse com cara de videogame, daqueles que prometem grandeza mesmo quando a lógica começa a desmanchar.</p>



<p>Há um ponto importante:&nbsp;<strong>Esquadrão Suicida</strong>&nbsp;parece um filme que quer ser várias coisas ao mesmo tempo. Quer ser trágico, engraçado, romântico, brutal, pop, sombrio, e ainda quer que você saia do cinema assobiando a trilha e escolhendo um favorito para estampar camiseta. Essa ambição, por si só, não é pecado. O problema é o encaixe. A montagem corre como se estivesse atrasada para a própria festa, e a narrativa frequentemente troca construção por impacto. Personagens são apresentados com força e estilo, mas alguns ficam presos nesse primeiro brilho, como se a promessa fosse mais importante do que o arco.</p>



<p>Ainda assim, negar o que o filme faz bem seria má vontade. A&nbsp;<strong>presença</strong>&nbsp;da Arlequina é um fenômeno, não só pelo figurino ou pelos trejeitos, mas porque Margot Robbie dá ao caos um tipo de humanidade torta, uma alegria de viver que beira o abismo. O Pistoleiro funciona como eixo emocional acessível, quase um lembrete de que até entre monstros há gente que tenta justificar a própria sobrevivência com algum afeto. Viola Davis, por sua vez, dá aula sobre como ser aterrorizante sem levantar a voz. E há uma qualidade de “quadrinho sujo” em certas imagens, um brilho decadente que combina com a ideia de vilões jogados no moedor de carne do Estado.</p>



<p>E é aqui que o filme rende boas reflexões, mesmo quando tropeça.&nbsp;<strong>O Esquadrão não é exatamente uma equipe, é uma coleira.</strong>&nbsp;A fantasia do anti herói costuma vender liberdade, mas o que vemos é coerção sofisticada, gente descartável convertida em ferramenta. O filme até flerta com a pergunta moral que deveria doer mais: quando o governo decide que alguns corpos valem menos, a violência vira política de gestão. A “missão” é só o pretexto bonito para um mecanismo feio, e Amanda Waller não precisa de superpoderes porque o verdadeiro poder, no mundo real, geralmente vem com crachá.</p>



<p>Também há algo curioso sobre&nbsp;<strong>estética e perdão</strong>. Esquadrão Suicida tenta tornar vilões “amáveis” pela via do charme, da música, da pose, da piada rápida, do close bem iluminado. Funciona, porque cinema é sedução. Mas a sedução traz uma provocação: até que ponto a gente confunde estilo com redenção? O filme nos convida a torcer por personagens perigosos e, ao mesmo tempo, dá poucos minutos para encarar as consequências do que eles fizeram. É entretenimento, sim, porém também é um espelho simpático do nosso tempo, em que imagem muitas vezes ganha da ética na disputa por atenção.</p>



<p>Sobre&nbsp;<strong>onde assistir</strong>, a disponibilidade muda bastante com o tempo e com o país. No geral,&nbsp;<strong>Esquadrão Suicida (2016)</strong>&nbsp;costuma aparecer em&nbsp;<strong>catálogos de streaming por licenciamento</strong>&nbsp;e quase sempre está disponível em&nbsp;<strong>aluguel e compra digital</strong>. Lugares comuns para procurar incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ma</strong>x</li>



<li><strong>Prime Video</strong></li>



<li><strong>Apple TV</strong></li>



<li><strong>Google Play Filmes</strong></li>



<li><strong>YouTube Filmes</strong></li>
</ul>



<p>No fim, eu vejo&nbsp;<strong>Esquadrão Suicida</strong>&nbsp;como um filme que não é tão bom quanto sua melhor cena, nem tão ruim quanto seus piores cortes. Ele tem faíscas reais, atuações que seguram o olhar e uma ideia central potente, mas também carrega a sensação de que faltou confiança para deixar a história crescer sem tanto enfeite. É um desfile de vilões que às vezes parece vitrine, às vezes parece confissão, e em raros momentos consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo.</p>



<p><strong>Nota: 6,5/10</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Cinema: &#8220;Aquaman e o Reino Perdido&#8221;, o brilho do abismo e a ressaca do universo DC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:57:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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<p>Há filmes que chegam como onda perfeita e outros que vêm como maré cheia, bonita, barulhenta, inevitável.&nbsp;<strong>Aquaman e o Reino Perdido</strong>&nbsp;é isso. Um espetáculo que sabe que nasceu para a tela grande, mas que também funciona como sessão caseira de sábado, quando a gente só quer duas horas de cor, criatura marinha improvável e um herói que parece ter saído de um cartaz de rock molhado pela chuva.</p>



<p>Lançado em&nbsp;<strong>2023</strong>, o longa dirigido por&nbsp;<strong>James Wan</strong>&nbsp;volta a colocar&nbsp;<strong>Arthur Curry</strong>&nbsp;no olho do furacão. Jason Momoa segue com aquela energia de quem resolve problemas primeiro com o peito e depois com a diplomacia, embora aqui o roteiro faça questão de lembrar que reinar não é posar para fotos, é tomar decisões que deixam marcas. A trama é movida pela sede de vingança de&nbsp;<strong>Arraia Negra</strong>&nbsp;(Yahya Abdul-Mateen II), agora com um poder mais sombrio nas mãos, uma ameaça que não quer apenas derrotar Aquaman, mas envenenar tudo o que ele tenta proteger. Para encarar isso, o filme aposta na sua melhor carta dramática: a aliança incômoda e deliciosa entre Arthur e&nbsp;<strong>Orm</strong>&nbsp;(Patrick Wilson), dois irmãos com feridas antigas, sarcasmo como idioma comum e uma química que sustenta boa parte do coração do filme.</p>



<p>No Brasil, o filme está&nbsp;<strong>disponível na plataforma Max</strong>. Dependendo do período, também pode aparecer para&nbsp;<strong>aluguel ou compra</strong>&nbsp;em lojas digitais, mas o endereço mais direto para “dar o play” e mergulhar é mesmo o streaming da Warner.</p>



<p>O que Aquaman e o Reino Perdido faz com mais competência é construir um parque de diversões subaquático. A direção trata a ação como coreografia de espuma e metal, com criaturas enormes, tecnologias atlantes que parecem saídas de um delírio art déco e cenários que não têm medo de ser fantasiosos. Há um prazer quase infantil em ver esse mundo funcionar sem pedir desculpas por ser exagerado. É um filme que prefere a mitologia com purpurina ao realismo com cara fechada, e isso é uma escolha estética coerente com o personagem.</p>



<p>Ao mesmo tempo, existe uma sensação de despedida no ar. Mesmo sem transformar isso em discurso, o longa carrega o peso de ser um dos capítulos finais de uma fase do cinema de super heróis ligada ao antigo universo DC. E essa “ressaca” aparece em pequenos detalhes: algumas soluções apressadas, certas passagens que parecem costuradas para manter o ritmo, e um tom que oscila entre a aventura autoconsciente e a tentativa de levantar um drama mais solene. Ainda assim, quando o filme aceita sua natureza de conto pulp moderno, ele flui melhor. Quando tenta explicar demais, ele perde um pouco do encanto.</p>



<p>O relacionamento entre Arthur e Orm é a âncora emocional. É curioso como, num filme cheio de monstros e máquinas impossíveis, o que mais gruda na memória é o básico: dois irmãos descobrindo como cooperar sem se engolirem vivos. Essa parceria permite uma reflexão bem humana, quase doméstica, sobre maturidade. Ser forte não é só levantar um tridente. É engolir o orgulho, admitir limites, aceitar ajuda. O herói aqui não vira santo, ele vira adulto, o que é bem mais raro.</p>



<p>Também dá para ler o filme como um lembrete sobre consequências ambientais, ainda que embalado em fantasia. O oceano não é só cenário, é personagem, e quando ele adoece, tudo acima da linha d’água sente. Aquaman e o Reino Perdido não é um manifesto, mas é daqueles blockbusters que, sem perder a diversão, deixam escapar uma pergunta incômoda: quantas vezes a gente trata a natureza como depósito e depois se surpreende quando ela vira antagonista?</p>



<p>Há ainda outra camada simpática: a realeza aqui não é glamour, é responsabilidade impopular. O filme brinca com a ideia de que governar significa ser cobrado por todos os lados. Pela superfície, por Atlântida, pela própria família, pelos erros que você não cometeu, mas herdou. E no meio disso, Arthur continua sendo um cara que tenta equilibrar o mito com a vida, a pose com o cansaço, o dever com o desejo de simplesmente existir em paz.</p>



<p>No fim,&nbsp;<strong>Aquaman e o Reino Perdido</strong>&nbsp;é um filme que vale pelo mergulho sensorial, pelos momentos em que abraça o absurdo com convicção e pela dupla central que dá tempero ao épico. Não é impecável, não é revolucionário, mas é generoso em entretenimento. E às vezes é isso que a gente procura: sair da sessão com a sensação de ter visitado um lugar impossível, mesmo que só por duas horas.</p>



<p><strong>Nota: 7,6/10</strong></p>
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		<title>Cinema: &#8220;Aquaman&#8221; e o preço de respirar entre a coroa e a maré</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:50:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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<p>Lançado em&nbsp;<strong>2018</strong>,&nbsp;<strong>Aquaman</strong>&nbsp;pega um personagem que por muito tempo foi tratado como piada fácil e o devolve ao público com a força de um mito pop, brilhante e assumidamente grandioso. Dirigido por&nbsp;<strong>James Wan</strong>&nbsp;e estrelado por&nbsp;<strong>Jason Momoa</strong>, o filme não tem vergonha de ser espetáculo. Ele abraça o excesso com convicção e faz disso sua identidade, como quem diz que a fantasia também pode ser um caminho sério para falar de família, legado e responsabilidade.</p>



<p>Na trama, acompanhamos&nbsp;<strong>Arthur Curry</strong>, um homem dividido entre a superfície e o mar, filho de uma humana e herdeiro de Atlântida. Quando o meio irmão&nbsp;<strong>Orm</strong>, vivido por&nbsp;<strong>Patrick Wilson</strong>, acelera uma política de confronto contra o mundo da superfície, Arthur é empurrado para um destino que ele evitou a vida toda. Ao lado de&nbsp;<strong>Mera</strong>, interpretada por&nbsp;<strong>Amber Heard</strong>, ele entra numa jornada que mistura aventura, disputa dinástica e caça a um artefato lendário, o tridente que legitima o verdadeiro rei.</p>



<p>O filme é generoso em imagens que parecem saídas de um livro ilustrado que ganhou movimento. As&nbsp;<strong>cidades submarinas</strong>&nbsp;têm texturas, arquitetura e cores que fogem do óbvio, e a sensação é a de visitar um lugar que tem regras próprias, história e vaidade. Há cenas de ação coreografadas com clareza e ritmo, e mesmo quando o roteiro pisa em territórios conhecidos do gênero, a direção compensa com inventividade visual.&nbsp;<strong>Willem Dafoe</strong>&nbsp;dá densidade ao mentor,&nbsp;<strong>Nicole Kidman</strong>&nbsp;adiciona uma camada de tragédia elegante, e&nbsp;<strong>Yahya Abdul Mateen II</strong>&nbsp;injeta carisma e ameaça como Arraia Negra, um antagonista que funciona tanto pela presença quanto pelo simbolismo de vingança.</p>



<p>Meu ponto de opinião é simples.&nbsp;<strong>Aquaman</strong>&nbsp;não é um filme que pede para ser amado pelo realismo. Ele pede para ser visto como um épico de aventura com coração. O tom é de fábula moderna, com humor pontual, melodrama assumido e uma energia que lembra matinê bem feita, só que com orçamento e ambição de blockbuster. Em alguns momentos, a narrativa acelera demais e certas motivações são servidas com pressa, como se o filme estivesse ansioso para alcançar o próximo cenário deslumbrante. Ainda assim, a sensação dominante é de diversão bem construída e de mundo imaginado com cuidado.</p>



<p>As reflexões mais interessantes aparecem justamente no conflito central. Arthur é a figura do&nbsp;<strong>entre lugar</strong>, alguém que não pertence por inteiro a nenhum lado até decidir que pertencimento não é apenas sangue, é escolha e responsabilidade. O filme também brinca com a ideia de&nbsp;<strong>reino e liderança</strong>. Ser rei ali não é usar coroa, é suportar o peso do que se protege, inclusive quando isso exige diálogo em vez de força. Há ainda um comentário ambiental evidente, às vezes didático, sobre as consequências do que a superfície despeja no mar. Não é um tratado, mas funciona como lembrete incômodo em meio ao brilho.</p>



<p>Quanto à disponibilidade,&nbsp;<strong>Aquaman costuma estar no catálogo da Max</strong>&nbsp;em vários países, e também aparece com frequência para&nbsp;<strong>aluguel ou compra digital</strong>&nbsp;em lojas como&nbsp;<strong>Prime Video</strong>,&nbsp;<strong>Apple TV</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Google TV</strong>, dependendo da região. Como catálogos mudam, vale conferir diretamente no agregador de busca do seu aparelho ou na página do serviço no momento.</p>



<p>No fim,&nbsp;<strong>Aquaman</strong>&nbsp;é um filme que se permite ser grande sem pedir desculpas, e talvez essa seja sua maior virtude. Ele trata a própria fantasia com seriedade estética, coloca seu herói para encarar a própria origem e entrega uma aventura com brilho, água e destino, como uma lenda contada em voz alta, com o oceano inteiro ecoando junto.</p>



<p><strong>Nota: 8,5/10</strong></p>
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		<title>Cinema: &#8220;Madame Teia&#8221; e o peso de enxergar o amanhã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:45:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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<p><em>Madame Teia</em>&nbsp;(lançamento de&nbsp;<strong>2024</strong>) chega como uma tentativa curiosa de ampliar o universo de personagens ligados ao Homem Aranha sem colocar o próprio Homem Aranha em cena. Dirigido por&nbsp;<strong>S.J. Clarkson</strong>&nbsp;e estrelado por&nbsp;<strong>Dakota Johnson</strong>, o filme escolhe um caminho mais íntimo do que grandioso: em vez de uma epopeia de destruição em massa, acompanha uma mulher comum sendo empurrada para o centro de um tabuleiro que ela sequer sabia que existia.</p>



<p>A protagonista é&nbsp;<strong>Cassandra Webb</strong>, uma paramédica de Nova York treinada para correr em direção ao perigo quando todo mundo corre para longe. Depois de um acidente que muda sua percepção do mundo, Cassie passa a viver episódios de&nbsp;<strong>premonição</strong>, como se o tempo desse pequenas voltas e permitisse a ela revisar escolhas em segundos de atraso. Esse dispositivo, que poderia ser só um truque de roteiro, é também a melhor ideia do filme: o futuro aparece como um reflexo em água mexida, visível por instantes e impossível de segurar com as mãos.</p>



<p>A engrenagem principal se arma quando Cassie cruza o caminho de três jovens que ainda não são heroínas, mas carregam no corpo e na personalidade a promessa disso:&nbsp;<strong>Julia Carpenter</strong>&nbsp;(Sydney Sweeney),&nbsp;<strong>Anya Corazon</strong>&nbsp;(Isabela Merced) e&nbsp;<strong>Mattie Franklin</strong>&nbsp;(Celeste O’Connor). Do outro lado está&nbsp;<strong>Ezekiel Sims</strong>&nbsp;(Tahar Rahim), um antagonista movido por visões e pavor, como alguém que confunde destino com ameaça pessoal. O filme insiste na ideia de que certas vidas se atraem como ímãs, mesmo quando tentam se evitar, e usa perseguições, fugas e encontros improváveis para desenhar essa teia humana.</p>



<p>Onde&nbsp;<em>Madame Teia</em>&nbsp;mais brilha é na sua intenção de falar sobre&nbsp;<strong>cuidado</strong>. Cassie não é uma heroína por vocação clássica, e sim por atrito com a realidade. Ela aprende a proteger não porque quer salvar o mundo, mas porque, de repente, passa a entender o preço de não agir. O filme sugere uma reflexão bonita e amarga: prever o pior não te torna mais forte, apenas te torna mais responsável. É um tipo de poder que não dá aplauso nem pose, só dá consequência.</p>



<p>Ao mesmo tempo, a execução nem sempre acompanha a ambição. Há momentos em que a narrativa parece correr para explicar demais e respirar de menos, e o tom oscila entre thriller urbano e origem de super heroína sem encontrar sempre uma música interna consistente. Algumas cenas que pediam mistério ganham excesso de literalidade, e certas emoções chegam antes do vínculo estar pronto, como se o filme acreditasse que a ideia por si só já garante o impacto. Ainda assim, existe um charme estranho em ver uma história de “super” construída com materiais de gente: medo, culpa, instinto, tentativa e erro.</p>



<p>No fundo,&nbsp;<em>Madame Teia</em>&nbsp;é um filme sobre a pergunta que ninguém gosta de encarar com calma:&nbsp;<strong>se você soubesse o que vai acontecer, você seria capaz de continuar vivendo sem virar prisioneiro do futuro?</strong>&nbsp;Cassie aprende que o amanhã não é um mapa, é uma correnteza. Dá para mudar a margem de onde se olha, mas não dá para controlar o rio inteiro. E talvez a maturidade esteja justamente aí, em trocar a ilusão de controle pela coragem de presença.</p>



<p>Disponibilidade: em geral, o filme pode ser encontrado para&nbsp;<strong>aluguel ou compra digital</strong>&nbsp;em lojas como&nbsp;<strong>Prime Video</strong>,&nbsp;<strong>Apple TV</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Google Play YouTube</strong>&nbsp;(a oferta pode variar por país e ao longo do tempo).</p>



<p><strong>Nota: 6,0/10</strong></p>
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		<title>Cinema: &#8220;Deadpool &#038; Wolverine&#8221; e a arte de transformar caos em catarse</title>
		<link>https://jornaltribuna.com.br/2026/03/cinema-deadpool-wolverine-e-a-arte-de-transformar-caos-em-catarse/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:44:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Há filmes que chegam como evento, e há filmes que chegam como provocação. Deadpool &#38; Wolverine (lançado em 2024) consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo, com a audácia de quem sabe que está entrando numa sala cheia de porcelanas caríssimas e, ainda assim, faz questão de dançar sapateado. Ele não pede licença ao [&#8230;]]]></description>
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<h1 class="wp-block-heading" id="deadpoolwolverine"></h1>



<p>Há filmes que chegam como evento, e há filmes que chegam como provocação. <strong>Deadpool &amp; Wolverine</strong> (lançado em <strong>2024</strong>) consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo, com a audácia de quem sabe que está entrando numa sala cheia de porcelanas caríssimas e, ainda assim, faz questão de dançar sapateado. Ele não pede licença ao universo Marvel, ele cutuca, comenta, ri e depois, por puro capricho, entrega ação competente o bastante para justificar o ingresso além da piada.</p>



<p>A premissa é simples na superfície e deliberadamente caótica por baixo: <strong>Wade Wilson</strong> volta à cena puxado por engrenagens maiores do que sua vida de anti herói falastrão, e o caminho para resolver a encrenca passa por um nome que carrega décadas de mitologia pop nas costas: <strong>Logan, o Wolverine</strong>. O encontro entre os dois não é tratado como “momento histórico” com reverência. O filme prefere o caminho mais Deadpool possível: transformar o próprio peso do legado em matéria prima para humor, violência estilizada e comentários metalinguísticos sobre franquias, reboots, nostalgia e a sensação de que a cultura pop vive num eterno “volta porque vende”.</p>



<p><strong>Ryan Reynolds</strong> segue afinado no papel, com timing cômico que funciona justamente por parecer improvisado, mesmo quando não é. Já <strong>Hugh Jackman</strong>, de volta às garras, dá ao personagem um tipo de presença que o filme usa como contrapeso dramático. A graça aqui não é só ver dois ícones dividindo a tela. É perceber como a narrativa explora o contraste: Wade fala demais para não sentir, Logan sente demais para falar. E, quando o filme acerta, essa dinâmica produz algo raro em histórias tão autoconscientes: um coração batendo por baixo da máscara.</p>



<p>No comando, <strong>Shawn Levy</strong> dirige com mão segura para o espetáculo e para a comédia, mantendo o ritmo alto e a montagem esperta. As cenas de ação são desenhadas para serem legíveis mesmo quando exageradas, e a fotografia abraça um visual que combina sujeira, brilho e uma certa cara de “isso deveria ser impossível, mas aqui está”. A trilha e o uso de músicas entram como comentário emocional e também como piada, numa linha tênue entre empolgação e deboche que o filme atravessa com prazer.</p>



<p>Um detalhe importante, e definidor, é o <strong>tom adulto</strong>. O longa assume a classificação mais pesada que o público do personagem espera, com violência gráfica e humor que não tenta agradar todo mundo. Isso pode soar como muleta, e às vezes é mesmo, porque nem toda ousadia é igualmente afiada. Mas quando funciona, vira linguagem: a brutalidade vira cartoon, a grosseria vira ritmo, e o excesso vira assinatura.</p>



<p>Também é impossível ignorar o contexto. <strong>Deadpool &amp; Wolverine</strong> é, na prática, uma ponte entre eras, e isso aparece na própria estrutura: o filme brinca com camadas de universos, com burocracias cósmicas e com o fato de que a Marvel virou um assunto sobre si mesma. Há quem ache isso cansativo, e o filme sabe. Em vez de pedir desculpas, ele transforma a fadiga do multiverso em combustível cômico, como se dissesse: “sim, é confuso, mas pelo menos vamos fazer essa confusão render”.</p>



<p>E aí entra a reflexão que mais me pegou: por trás do riso e do sangue, o filme fala sobre <strong>o que fazemos com personagens que amamos</strong>. Não apenas os personagens em si, mas a ideia de personagem como patrimônio emocional. Wolverine é um símbolo de encerramento, de finitude, de um tipo de heroísmo que carrega consequências no corpo. Deadpool é o símbolo oposto, o herói que escapa de consequências pela piada, pela quebra da quarta parede, pelo truque de olhar para a câmera e transformar dor em stand up. Colocá-los juntos é colocar em choque duas formas de lidar com o tempo: uma que tenta fechar ciclos e outra que tenta eternizar a festa.</p>



<p>Há um subtexto interessante sobre <strong>nostalgia como produto</strong>. O filme sabe que parte do prazer do público vem de reconhecer, comparar, lembrar e comentar depois. Ele alimenta isso com participações e referências, mas também cutuca a dependência desse mecanismo. Até que ponto estamos assistindo a uma história, e até que ponto estamos consumindo a sensação de pertencer a uma história maior, mesmo que ela esteja se repetindo em novas roupas?</p>



<p>Ainda assim, seria injusto reduzir o longa a uma crítica à própria indústria, porque ele também é, sinceramente, um filme que quer divertir. E diverte. A comédia é alta, a ação é generosa, a química entre os protagonistas é o motor que não falha. O resultado é uma obra que alterna genialidade e exagero, delicadeza inesperada e piadas que talvez não sobrevivam tão bem ao tempo. Mas, no presente, ele cumpre seu pacto com o público: entregar espetáculo com personalidade.</p>



<p>Quanto à disponibilidade, <strong>Deadpool &amp; Wolverine</strong> está <strong>disponível no Disney+</strong> e também costuma aparecer para <strong>compra e aluguel em lojas digitais</strong> vinculadas a grandes plataformas de vídeo sob demanda, variando conforme a região e o catálogo do momento.</p>



<p>No fim, eu saí com a sensação de que o filme é uma espécie de espelho deformado do nosso tempo: barulhento, referencial, veloz, às vezes saturado, mas capaz de surpreender quando para de tentar ser tudo ao mesmo tempo e escolhe ser, simplesmente, dois personagens numa mesma tela tentando lidar com aquilo que perderam e com aquilo que ainda podem salvar, nem que seja só por mais uma cena.</p>



<p><strong>Nota: 8,6/10</strong></p>
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		<title>Cinema: &#8220;O Esquadrão Suicida (2021)&#8221; -Como carnaval sangrento e espelho moral do nosso tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Flavio Saiol Pacheco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:36:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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<p>Lançado em&nbsp;<strong>2021</strong>,&nbsp;<strong>O Esquadrão Suicida</strong>&nbsp;não entra em cena pedindo licença. Ele arromba a porta com tinta neon, estilhaços e uma coragem rara: a de ser exagerado sem ser vazio. Sob a direção de&nbsp;<strong>James Gunn</strong>, o filme abraça a própria premissa absurda, um grupo de criminosos coagidos pelo governo a cumprir uma missão impossível, e a transforma em estilo, ritmo e, contra todas as probabilidades, em uma história com coração batendo no meio do caos.</p>



<p>A engrenagem narrativa é simples e cruel, como costuma ser quando&nbsp;<strong>Amanda Waller</strong>&nbsp;está no comando. A equipe é enviada à ilha de&nbsp;<strong>Corto Maltese</strong>, em meio a instabilidade política e paranoia militar, para apagar rastros de um segredo científico que pode virar arma, propaganda ou tragédia em escala continental. A missão, claro, não é pensada para ser justa. É pensada para funcionar. E, se alguém não voltar, isso entra como custo operacional, não como luto.</p>



<p>O encanto estranho do filme está no modo como ele apresenta seus personagens como peças defeituosas e, ainda assim, dignas de atenção.&nbsp;<strong>Arlequina</strong>&nbsp;surge menos como ornamento e mais como força imprevisível, com espaço para mostrar que por trás do brilho há percepção e instinto de sobrevivência.&nbsp;<strong>Sanguinário</strong>&nbsp;carrega uma dureza que parece prática, mas tem o peso de quem se acostumou a perder antes mesmo de tentar.&nbsp;<strong>Pacificador</strong>&nbsp;é a sátira perfeita de uma convicção tão absoluta que vira ameaça, uma ideia de “bem maior” que justifica qualquer coisa e, por isso, apodrece por dentro. E&nbsp;<strong>Rei Tubarão</strong>, ao misturar candura com destruição, faz o filme lembrar que nem todo monstro tem a mesma natureza do monstro que o mundo fabrica.</p>



<p>Visualmente, O Esquadrão Suicida é um espetáculo que entende composição. Há violência, muita, mas ela é usada como linguagem, quase como uma coreografia grotesca que alterna impacto e humor. Entre uma explosão e outra, o filme abre pequenas janelas de delicadeza, um gesto de afeto, um instante de dúvida, um olhar que denuncia cansaço. Esses respiros não diminuem o caos. Eles o deixam mais verdadeiro. Porque a vida, mesmo no inferno, insiste em ter detalhes bonitos.</p>



<p>No Brasil, o filme costuma estar disponível para streaming na&nbsp;<strong>Max</strong>, e também aparece com frequência para&nbsp;<strong>aluguel ou compra digital</strong>&nbsp;em lojas como&nbsp;<strong>Prime Video</strong>,&nbsp;<strong>Apple TV</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Google Play</strong>, dependendo do catálogo do momento. Esse detalhe prático combina com o próprio espírito do longa, sempre circulando entre vitrine e contrabando simbólico, como se fosse um produto de entretenimento e uma acusação embrulhados no mesmo pacote.</p>



<p>A reflexão mais incômoda que o filme oferece não está no monstro gigantesco do enredo, mas na normalidade administrativa da crueldade. O Esquadrão é descartável por design. Há um tipo de violência que não precisa gritar, basta preencher um formulário, assinar uma ordem, apertar um botão. Nesse sentido, o filme tem mais peso do que parece à primeira vista: ele ri alto, mas aponta direto para a lógica que transforma pessoas em recursos e mortes em estratégia.</p>



<p>E, ainda assim, ele não cai na tentação de chamar isso de redenção fácil. Aqui, redenção não é limpeza moral. É escolha miúda, imperfeita, feita tarde, feita com medo, mas feita. Um personagem decide proteger alguém mais frágil. Outro percebe que “paz” sem empatia é só domínio com outro nome. E quando o filme acerta em cheio, ele sugere que talvez o heroísmo não seja uma identidade, e sim um instante, uma fresta, um ato que dura pouco, mas muda tudo ao redor.</p>



<p>No fim, O Esquadrão Suicida funciona como um carnaval sangrento que diverte e acusa ao mesmo tempo. Um filme que faz piada com a morte, mas leva a sério a pergunta por trás dela: quem escolhe o sacrifício, e quem é escolhido para ser sacrificado?</p>



<p><strong>Nota: 8,7/10</strong></p>
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