Deleita-se com a leitura de um livro.
História interessante.
A imaginação sai das páginas e letras e ganham um novo mundo; fabuloso.
À imaginação penetra num mundo que existe e inexiste ao mesmo tempo.
Tudo parece surreal e real.
Não se sabe até onde convergiam esses dois mundos.
Quanto mais avança a leitura, o espírito e a alma alçam voos cada vez mais alto.
A águia que que tem acuidade visual excelente, observa com nitidez algo que voa mais alto que ela.
Surpresa e curiosa.
Pensa:
– Que seria aquilo que voa como a leveza do vento e altura das nuvens?
Não se conteve:
– Quem sois vós que consegue e tem a ousadia de me suplantar em voos altíssimos?
– Sou aquilo que não vês, não tenho forma, mas, a capacidade de cognição assaz elevada. Sou a alma, espírito e a imaginação. Ninguém me suplanta em altura. Não há limite possível que me detenha. Vou até onde sua visão, por melhor que seja, não me alcança. Jamais chegará perto de mim. Estou no imponderável.
Acrescentou:
– Toda vez que me for provocada, através de leituras, acontecimentos ou imagens, saio do mundo restrito da ação para transcender ao tempo e espaço.
A águia ficou confusa; então aquele objeto não era nada, seria fruto somente da imaginação dela.
Ela via, mas não podia entender.
Aquele objeto que voava mais alto que a águia adiu:
– Pois é, as palavras de onde sai foram as responsáveis por isso. Elas têm poder; está em toda parte; está em todos escritos; está em todos livros; está em todos os pensamentos; está em todas letras ou, ainda, em todas as palestras que versam sobre os mais diversos assuntos.
Eu sou a sabedoria do mundo. Eu sou a capacidade de comunicação.
Todos os escritos não se extinguem ao alcançar a última linha, e, é exatamente aí que começa meu voo. O voo da pós leitura. Onde ficam guardados os valores implícitos e os explícitos.
São letras que ali estavam, escaparam das páginas e ganharam o mundo.
A imaginação, a reflexão, os pensamentos voam alturas que não se pode ver.
águia pensou e disse:
– Observo que estou diante de algo muito mais poderoso que minhas garras e que minha incomensurável acuidade visual, estou diante do imponderável.
As letras saltam dos livros, mas ali ficam. algo surreal.
As letras têm um poder inesgotável mesmo depois de assinaladas nas últimas linhas.
Pululam pelo mundo afora.
A capacidade de comunicação das letras foi e é uma dádiva divina, que só ao homem foi dada.
Assim, vamos de geração em geração transmitindo as culturas que cada vez mais se tornam universais.
A linguagem não tem limites.
O voo da água não a alcança.
Autor:
Odair Ferreira Ramos