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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Por que escrever?

Essa é uma pergunta que muitos se fazem e que por muito tempo, eu também me fiz. Por que você escreve? Por que continuar escrevendo? Aí eu me lembro da resposta de Clarice a essa pergunta: “E eu sei?” Talvez essa seja a resposta mais correta. Hoje, escrever é a minha tradução da necessidade mais básica do ser humano, a de falar o que pensa. No começo, eu achei que seria mais fácil fazer isso por escrito.

No papel brincamos com as palavras. Escolhemos acauteladamente cada uma delas. Tentamos traduzir em palavras, o que são meras conexões cerebrais e suas reações no organismo, o que é simplesmente impossível. É por isso que, na maior parte do tempo, ainda que movido por compaixão, eu detesto cada texto escrito. Porque nenhum deles irá se igualar ao que se sente.

Mas é natural, afinal não há câmera criada que se compare aos olhos humanos e não há palavras suficientes nos mais variados idiomas e na linguagem escrita, que poderá representar com total exatidão o que se sente. Chegamos perto, bem pertinho mesmo, mas jamais será igual. Pois todo sentimento é de fato, tão forte se não inigualável.

Então por que escrever? Eu diria que escrever significa compreender. Não chegaremos ao X da questão, mas ajudaremos a construir o caminho até lá. Onde se não nos livros, os estudiosos da psicologia e psiquiatria poderiam recorrer para tentar entender melhor os sentimentos de seus pacientes?

Por isso os especialistas em dicionários deveriam ter um feriado só seu. É por esta razão que os escritores são dignos de honra e mais ainda os poetas, dignos de dupla honra, visto que são os que sangram no papel. Muitos não por si mesmos, mas pelo próximo que não foi capaz de exprimir em palavras o que sentia. Como Fernando Sabino disse acertadamente: “Devemos escrever sobre aquilo que (ainda) não sabemos.” É por isso que escrevemos, é por isso que eu escrevo.

Autor:

Eduardo Lira

3 COMENTÁRIOS

  1. Eduardo, adorei sua cônica. Escrevo e escrevo há muito tempo, na realidade, nem sei quanto, mas não sei porquê, toda manhã, antes mesmo do café da manhã é a primeira coisa que penso. E como ainda quero aprender essa arte milenar, logo penso qual o próximo livro que vou ler…
    Abraço
    Jaeder Wiler

  2. Eduardo, adorei sua cônica. Escrevo e escrevo há muito tempo, na realidade, nem sei quanto, mas não sei porquê, toda manhã, antes mesmo do café matinal é a primeira coisa que penso. E como ainda quero aprender essa arte milenar, logo penso qual o próximo livro que vou ler…
    Abraço
    Jaeder Wiler

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