Dona Sereninha, como era conhecida na rua onde morava, era uma senhorinha de seus oitenta e poucos anos e morava na Cidade do Sol, local onde ela escolhera viver até o seu leito de morte.
Nunca saiu de sua casa para saber da vida alheia, pois era muito discreta. Mas, sua simpatia, doçura e gentileza conquistaram cada vizinho que a tratava com muito respeito e cordialidade.
Apesar de ter oito filhos, todos muito bem criados e bem resolvidos, nunca se casou, mas nem por isso se sentia sozinha. Sempre muito ocupada, não deixava que esse pequeno detalhe a perturbasse e ela ocupava seu precioso tempo com seus netos e plantas.
Sua casa era uma floresta. Tinham várias árvores frutíferas por todo o quintal, mas havia uma mais audaciosa que quase ficava dentro de sua casa.
O amor que ela sentia por aquele lugar dava para sentir a paz daquela “floresta particular encantada”.
Sempre de barriga molhada, porque vivia lavando uma coisa aqui e ali ou regando as plantas, ela era de uma simplicidade sem igual.
Ela era muito comedida, mas se quisessem ver Dona Sereninha com sorriso de canto a canto da orelha era só reunir os filhos ao redor da mesa no dia de domingo. Aquele momento não tinha preço para ela. Ouvia os problemas de um filho, de outro, mas se encantava com as descobertas de cada neto.
Ela não se cansava de admirar cada filho e teve certeza de que fizera um bom trabalho como mãe.
Ao final do dia, ela estava esgotada, mas ao ponto de não lembrar de agradecer ao Universo por aquele encontro com os filhos.
Ao deitar-se, relembrou cada cena daquele domingo de sol: os netos brincando na piscina improvisada que ela havia feito de pneus; os filhos conversando sobre o cotidiano e, claro, nas suas lindas plantas que enfeitavam cada ambiente daquele singelo casebre.
Seu olhar cansado a alertava que ela tinha que descansar. Se recolheu em seus aposentos e adormeceu com um último sorriso nos lábios de gratidão pela vida incrível que tivera ao lado dos seus, celebrando sua passagem.
Autora:
Patricia Lopes dos Santos