Início Opinião Axioma dos valores: breve reflexão a respeito do que é valoroso.

Axioma dos valores: breve reflexão a respeito do que é valoroso.

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          Por certo, ao notar-mos que estamos imbuídos e repletos de mesquinharias e problemáticas diuturnas, nos encontramos, irremediavelmente em um estado de catarse contínua que ao decorrer do tempo se transfigura em transtornos obsessivos. Newton, a respeito dos seus tratados secundários que logo mais levariam o nome de: “As 7 leis de Newton”, foi questionado sobre como havia, no espaço de meia vida, descoberto as leis mecânicas elementais que regem o universo, respondeu, absorto e em tom de obviedade: “Nocte dieque incubando” [“Pensando dela dia e noite”], denotando assim uma incapacidade de compreensão crasa entre obsessivos.

       Embora materialmente a psicanálise não se enquadre propriamente na definição clássica de ciência (ipso facto, não seja ciência) não há como negar a constância de certos fatores estudados pelo ramo.

              Nos atentemos especificamente ao fenômeno do transtorno obsessivo, que nada mais é que a pratica deliberada de ater-se a algo a fim de só pensar naquilo, seja aquilo o amado(a), em caso de pessoas enamoradas (segundo a definição de J. Ortega Y Gasset), seja na meditação, em caso dos praticantes de ioga (ignorando o teor e os objetivos duvidosos da prática da mesma, trouxe-a como exemplo para ilustrar a prática de: “Limpar a mente”. Definitivamente do que considera José Ortega Y Gasset em seu livro “Estudo sobre o amor” creio haver uma diferença brutal entre estar em transtorno obsessivo (em caso de enamorados –termo descrito em seu estudo) e praticantes de “meditação religiosa” (usando como exemplo São João da Cruz e Santa Teresa quando os mesmos denotam a necessidade de esvaziar-se de si mesmos para assim ascender à presença do Santo Espírito). Ortega acredita na similaridade mística do esvaziamento da alma, como descrito pelos Santos citados anteriormente e o transtorno obsessivo feito pelos praticantes de meditação (que logo mais veremos ser todos nós) incorrendo no erro de atribuir a elevação do espírito a simples abstração do pensamento deferindo assim um caráter místico ao ato.

      A elevação do espírito, diferentemente do que acredita Ortega, se dá através do confrontamento real de seus pensamentos e atos pecaminosos não incorrendo em um misticismo barato como na prática da ioga, a qual requer doses constantes e homeopáticas para assim manter-se em estado constante de transe comumente confundido com o alívio do espírito, mas sim no que Aristóteles define como “Anamnese” ou “A teoria da origem das ideias”. A prática recorrente da Confissão que é, por sua vez, o esvaziamento do seu pseudo Eu real, não tem caráter místico, mas sim real, uma vez que, se o fosse de outra maneira a tendência dos corpos permanecerem em movimento (inércia) em direção à longa marcha para o abismo, a constante degeneração de tudo, a finitude de tudo, o fato de tudo estar o tempo todo acabando estaria estritamente errada, no entanto, não é o que se observa.

        Breve reflexão a respeito das práticas de meditação: por certo, nada que lhe dê uma ilusão de bonança e segurança é concreto e real, por mais latente que pareça, há quem creia que ignorar a realidade é transcendela de maneira completa e latente, e não a intrusão de um estado de hipnose neurótica e hiperbólica do que se acredita, por parte do indivíduo, ser a realidade. É, em síntese, o pensamento metonimico, como disse Groucho Marx: “Afinal, você vai acreditar em mim ou em seus próprios olhos”, disse o espelhamento da consciência a ela mesma.

          Ao denotar o suposto misticismo da religião, Ortega afirma ser o mesmo uma prática obsessiva, no entanto, a obsessão, clinicamente se caracteriza pela negação ou abstração de outros fatores que enquanto o indivíduo é imbuído pelo transtorno, caga-se de maneira intencional a fim de permanecer em catarse ou hipnose. Todavia, quando se trata de uma única situação, não seria possível, ipso facto, estar em estado obsessivo. Explico melhor: uma vez que a causa primeira de tudo (Deus), portanto a única situação ou fato possível, e a resolução última de tudo, não há possibilidade de estar em obsessão referente a isso –muito pelo contrário, tudo além disso seria, ipso facto, uma obsessão–, sendo que por definição o obsessivo negligência todo o resto a fim de dedicar-se a um único algo que neste caso seria o único algo existente e real.

          Trazendo o estado obsessivo para uma observância um pouco mais palpável e menos teórica/teológica vemos a sociedade brasileira (em destaque), cada vez mais imbuída do transtorno obsessivo; dando cada vez mais foco para questões secundárias, e dessa maneira, vivendo diuturnamente em catarse, em um transe hipnótico mecanicista.

           Ao refletir à respeito da valorização de tudo, temos um fator interessante e negligenciado:

Assumindo a constância das coisas e o seu movimento perpétuo em direção ao fim, notar-se-á que tudo que há de valoroso resume-se a um outro fator perpétuo, o tempo.

Assumindo o inequívoco fato de que tudo, literalmente tudo está sempre acabando, que há de mais valioso que nosso tempo? Que há de mais significativo e amoroso ato, que não, ofertar o nosso tempo?

   Por certo, enquanto estamos imersos em mesquinharias diuturnas que exigem nosso tempo, jamais somos capazes de refletir no presente ato o quanto de nosso valoroso bem ofertamos a pessoas e ações. Que há de ser melhor presente que ofertar ao amado(a) nosso tempo? Quanto dele desperdiçamos a fim de resultados nulos sem objetivo?

     Parafraseando Antonin-Gilbert Sertillanges em seu livro “A vida intelectual”: “Diga-me o que amas, e dir-ti-ei quem tu és “, ou em outras palavras: “Diga-me o que lhe toma seu tempo, e dir-ti-ei o que amas”.

      Atentarmos a este fato é o primeiro passo para sair do transtorno obsessivo e hipnótico ao qual estamos intrinsecamente atrelados. Saber que, seja a redes sociais, trabalhos e etc, o que mais você oferta seu tempo é o que você mais ama é o passo inicial para dedicar-se ao que realmente interessa.

Autor:

Cleidson C. Cavalcante.

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