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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha: Conheça a luta por trás da data histórica

25 de julho é o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha. A data é um símbolo de resistência das mulheres negras.

O Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha foi instituído em 1992 no 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, na República Dominicana. O evento surgiu para dar visibilidade à luta das mulheres negras contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo.

No Brasil, a data homenageia a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência do povo negro.

QUEM FOI TEREZA DE BENGUELA

Tereza de Benguela, a grande homenageada do Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha, foi uma líder quilombola que ajudou comunidades negras e indígenas na resistência à escravidão no século XVIII. Após a morte do marido, José Piolho, Tereza assumiu o comando do Quilombo Quariterê e o liderou por décadas. Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos.

LUTA DAS MULHERES NEGRAS NO BRASIL

Resistir, construir e avançar são verbos que as mulheres negras carregam consigo historicamente. Da luta contra a escravidão aos tempos atuais, elas fazem a micro e macro política nas ruas e nas arenas públicas.

A história da organização das mulheres negras em defesa de seus interesses começa no século XIX, com a criação de associações e irmandades, e durante o século XX com a criação de organizações a partir de 1950, o ano em que é fundado o Conselho Nacional de Mulheres Negras no Rio de Janeiro.

O feminismo negro no Brasil, enquanto movimento social organizado, teve início na década de 1970 com o Movimento de Mulheres Negras (MMN), a

partir da percepção de que faltava uma abordagem conjunta das pautas de gênero e raça pelos movimentos sociais da época.

Já as décadas de 80 e 90 foram marcadas pelo trabalho de pensadoras como Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, que em plena trajetória de redemocratização do país, contribuíram para a consolidação das pautas das mulheres negras por meio de suas atuações acadêmicas e políticas.

Por fim, chegando aos tempos atuais, a internet fez emergir diferentes movimentos de mulheres negras por todo o país. A 1ª Marcha das Mulheres Negras, que em 2015 levou milhares à Brasília reivindicando seus direitos, foi um marco dessa mobilização das ruas e das redes.

AINDA É PRECISO LUTAR

Este dia reforça a luta histórica das mulheres negras por sobrevivência em uma sociedade estruturalmente racista e machista.

Mais da metade da população brasileira é negra, segundo dados do IBGE. Porém, essa população, em especial as mulheres negras, protagonizam os piores indicadores sociais.

De acordo com o Atlas da Violência de 2019, 66% de todas as mulheres assassinadas no país naquele ano eram negras. Além disso, 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, de acordo com a última Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE.

Contudo, uma vez garantida a vida e superada a miséria, os desafios continuam. Apesar de, pela primeira vez, os negros serem maioria nas universidades públicas, como aponta a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil do IBGE, mulheres negras ainda recebem menos da metade do salário de homens e mulheres brancas no Brasil, independente da escolaridade.

REFERENCIAS:

https://www.oxfam.org.br/gclid=Cj0KCQjwnNyUBhCZARIsAI9AYlFVu4MDeN6KG7B WiQENdnXwdBg4wWE0KkxlaoEO7mhCKz_NBmAWNg

https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html?utm_source=portal&ut m_medium=popclock&utm_campaign=novo_popclock

https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9292-populacao-negra-no- brasil.html

https://www.almapreta.com/editorias/realidade/tereza-de-benguela-a-lideranca- negra-brasileira

http://www.palmares.gov.br/?p=46450

https://observatorio3setor.org.br/noticias/a-escrava-que-virou-rainha-e-liderou-um- quilombo-de-negros-e-indios/

https://www.ufrb.edu.br/bibliotecacecult/noticias/220-tereza-de-benguela-a-escrava- que-virou-rainha-e-liderou-um-quilombo-de-negros-e-indios

Autoria:

Estter Carvalho Alves Farias da Silva

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