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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Redes de viajantes pelo mundo: Algumas formas pós-modernas de viagens

A muito tempo que é possível perceber uma mudança no cenário de como as pessoas percebem o ato de viajar. Aqui pretendo não utilizar a palavra “turismo”, como aquele vocábulo que encontra sua epistemologia derivada da palavra francesa “tour” que significa ”dar volta” e “girar” em torno de algo, mas o simples e puro ato de viajar, que atualmente encontra em suas novas formas, uma diversidade curiosa.

É sabido que do século XVIII em diante, esse ato estava restrito à burguesia e aos nobres. De lá pra cá, o ato de se hosperar em hoteis nos moldes quarto + café da manhã evoluiu tanto na categoria de aprimoramento de produtos e serviços, como oferecimento de intenet, televisão por assinatura, estacionamento, quartos maiores, com varandas, sala de estar, e grandes suítes e espaços de armazenamentos de roupas, quanto na categoria de outras formas de hospedagens. Vejamos abaixo três dessas experiências.

Em 2018 Leigh Gallagher publicou o livro “A história da Airbnb” e conta que em 2008 jovens iniciaram essa startup com a ideia de hospedar em seu apartamento em Rhode Island, Estados Unidos, pessoas que participariam de eventos naquela região. Além de um quarto alugado na casa, eles também ofereriam café da manhã com preços mais em conta que os hotéis da região, daí o nome da empresa “AirBed & Breakfast”. Essa empresa hoje é avaliada em bilhões de dólares e conta com o lema “pertencer a qualquer lugar”. As pessoas tem a opção de alugar um quarto em uma casa de alguém, um apartamento completo, uma casa e diversos outros modelos de hospedagens e até experiências.

Em 2003, Casey Fenton se uniu a outros usuários de redes sociais para viajantes e fundou o “CouchSurfing”, que é um site/rede social com milhões de usuários e que oferece a possibilidade de se hospedar de graça, em um sofá ou cantinho da moradia de outras pessoas pelo mundo. Ao detalhar sua experiência no ensaio “A hospitalidade na rede social Couchsurfing: Cruzando a soleira virtual em Jaguarão, no extremo Sul do Brasil”, Marcina Moreira e Christianne Gomes falam sobre a imersão cultural e solidariedade das pessoas em utilizar ou oferecer esse serviço como uma das grandes vantagens dessas novas formas de viagens.

Existe também uma forma de viagem cultural imersiva estilo intercâmbio de voluntariado e profissional, proporcionando hospedagens e até mesmo alimentação em troca de algumas horas de serviço. O portal Worldpackers surgiu em 2014 pelos brasileiros Ricardo Lima e Eric Faria após períodos de redefinir rotas nos propósitos da vida, largando empregos bem sucedidos para viver experiências de viagens pelo mundo. Atualmente a plataforma conta com milhões de usuários e chega a todo o mundo, redefinindo a forma de como as pessoas viajam.

Nessas três formas, é possível perceber a singularidade e ao mesmo tempo diversidade de cada uma das experiências, mostrando que novas formas de turismo surgiram, se expandiram e estão em ascenção. Isso sem entrar no tema das milhas aéreas, programas de pontos,cruzeiros e bilhetes de volta ao mundo, pois o assunto é extenso e continuaremos em outro momento.

O fato é que essas normas formas derivam do aprimoramento tecnológico e globalização expansiva, proporcionando inovações em experiências que não se resumem à indústria hoteleira e de passagens, mas ao acolhimento, hospitalidade e interculturalidade. Não é como colocar vinho novo em velhas garrafas, mas em novas, apontando para os novos desdobramentos que a pós-modernidade nos aponta.

Autor:

Josué Santos é natural do Amazonas mas mora em Roraima, extremo norte do Brasil. É Bacharel em Teologia (2015), Pós Graduado em Filosofia da Religião (2020) e mestrando em Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade Estadual de Roraima. É autor do livro “Uma Carta Sobre as Ondas” Publicado em 2019 pela editora Jocum.

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