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quinta-feira, 19 de maio de 2022

O Capitalismo e seus processos de controle e escravização

O sistema capitalista é o modelo de produção que predomina no mundo na atualidade. Sua maior finalidade concentra-se na aquisição de lucros e acumulação de riquezas. Esse sistema começou a tomar forma com o renascimento comercial iniciado nos primeiros séculos da Baixa Idade Média, quando os senhores feudais deram início ao processo de arrendamento de suas terras, onde os trabalhadores começaram a ter seu trabalho pago por meio de salário.

Esse modelo de produção foi suplantando o sistema que prevaleceu durante a Idade Média, o feudalismo, no decorrer do século XV, provocando o desmonte da organização social à época, redefinindo a disposição de classes que trouxe consigo a burguesia, a produção de capital, e, principalmente, as desigualdades sociais.

A partir de então, a economia é marcada pela criação de empresas que se enriquecem por meio da exploração de mão de obra de trabalhadores assalariados, o proletariado; contenção de custos através da exploração de fornecedores de matérias-primas baratas; dentre outras situações.

Em relação ao trabalho remunerado por salário, tal prática se torna comum no decorrer do século XVIII, quando a servidão e a escravidão eram marcantes no mundo, seguindo as práticas do feudalismo.

Na contemporaneidade, o capitalismo depende dos proletários, grande maioria de massa de trabalho dependente dos donos dos meios de produção para sua sobrevivência, sendo estes os que alimentam o sistema, adquirindo os produtos e serviços que eles produzem ao capitalista, pois, apesar de serem responsáveis pela produção não são donos da riqueza produzida.

No que diz respeito às estatais, existentes nos países que adotam esse sistema, as mesmas sempre acabam sendo entregues aos capitalistas devido à má gestão, ou por interesses de governantes que se colocam a serviço dos donos de capitais.

Dentre as marcas do capitalismo, situação marcante é a divisão da sociedade em classes sociais, que determina, dentro do processo de trabalho, quem detém o poder e o lucro e quem produz a riqueza. A classe que detém poder e lucro é composta por uma minoria, os donos dos meios de produção. O grupo que produz o lucro é composto por maioria assalariada, os trabalhadores, cujos salários recebidos geralmente não são suficientes para atender suas necessidades básicas. Tal situação reverbera na existência de pequenos grupos detentores de muita riqueza e grandes massas vivendo em estado de miséria.

Nos tempos atuais o discurso capitalista tem mudado de tom. Embora a alienação continue sendo a marca registrada do sistema, o termo ‘colaborador’ tem sido utilizado para nomear labutadores de baixo escalão como os auxiliares de manutenção, os ajudantes gerais, trabalhadores de limpeza dentre outros.

Os capatazes modernos que seguram o chicote, geralmente chefes imediatos responsáveis pela cobrança das metas a serem atingidas, passaram a ser tratados como ‘ponto focal’. Mas estes também são pressionados e em casos de fracasso nos alvos, igualmente, podem ser punidos e chicoteados. Nesse sentido, fica evidente que tanto ‘colaboradores’ quanto ‘pontos focais’, inconscientemente terminam por acreditar na preocupação da empresa com a qualidade de produtos e bem-estar dos ‘colaboradores’.

Na realidade o capitalismo selvagem, convertido no atual neoliberalismo, constantemente se reestrutura, tanto nas ferramentas de produção, a robotização, por exemplo, quanto no processo de trabalho.

Em relação ao processo de trabalho, a reestruturação tem ocorrido de modo a favorecer o curso produtivo e espacial para suprimir intervalos de trabalho no decorrer de uma jornada, desconstruindo a ideia do ‘trabalhar para viver’, trazendo a lógica do ‘viver para trabalhar’. Ajunta-se a isso a adoção de grupos de produção que passam a ter metas a cumprir, onde, o chefe/encarregado/gerente/diretor praticamente desaparece, ou seja, no grupo de produção o chicote passa à mão de cada trabalhador que chicoteia a si mesmo com foco nas metas. O chicote muda de mãos, mas o objetivo é o mesmo: explorar e oprimir.

Nessa nova organização/estruturação, o serviço público também passou a ser reestruturado/regulamentado, o que não poderia ser diferente, considerando que a administração segue orientação do capital. Para tanto, governantes, com a justificativa de melhorar o serviço público — realizado por servidores/colaboradores — criam leis praticamente escravistas.

A exemplo disso, podem ser mencionadas aquelas que objetivam avaliar profissionais, que, de certa maneira, os obrigam a irem além da realização do trabalho para o qual foram contratados, pois, o avaliador (‘ponto focal‘) certamente usará o chicote, apesar dos próprios trabalhadores já terem se chicoteados no decorrer da realização de suas tarefas. Pior. O ‘ponto focal’ avalia conforme critérios pré-estabelecidos pelo patrão — que na realidade é o empregado, pois são os colaboradores que pagam seus volumosos salários — podendo, inclusive, fazer julgamento pessoal. É nesse ponto que entram tarefas extraordinárias.

Na realidade, no que tange ao ‘chicote’, este impõe forte controle dos trabalhadores — nesse caso a finalidade não é o lucro, mas o poder, principal gerador de riqueza, que nesse caso entra por outras vias  — onde apesar de qualquer situação, estão a todo momento sobre forte pressão psicológica, pois ainda que existam leis proibitórias do assédio moral, entes federados não as regulamentam a fim de não esclarecer o que pode ou não ser entendido como tal, fato que fortalece o papel do ‘ponto focal’, que quando faz uso do chicote pode ser enaltecido, pois assim, favorece os interesses de sua chefia, principalmente quando se trata de cargos de confiança ou comissionados.

Diante da situação, não é incomum a presença de trabalhadores adoecidos, aborrecidos e acuados em seus locais de trabalho, considerando que a exigência de respeito a seus direitos pode significar desacato ao igual, porém, ‘ponto focal’. Tudo isso, reforçado por chibatas como: bonificação, prêmio desempenho, avaliação de desempenho docente, avaliação de desempenho individual, gratificação de desempenho, bônus desempenho, programa de avaliação por mérito, e outras parafernálias afins, a depender de cada ente federado.

Fui informado que a princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon assinou uma lei extinguindo a escravidão.  

Ao que tudo indica, foi revogada.

Autor:

Pedro Paulino da Silva. Graduado em Ciências Sociais e Mestre em Educação.

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