20 C
São Paulo
sábado, 22 de janeiro de 2022

RESSIGNIFICANDO O CAOS: o que é o Anarquismo Humanitário?

Certo dia estava eu no sofá de minha casa, tive uma epifania vendo uma de minhas séries preferidas e me peguei lendo uma frase, que dizia: “Anarquismo representa a libertação da mente humana e do domínio da religião. Libertação do corpo do domínio da propriedade. Libertação das algemas e da contenção do governo. Representa a ordem social baseada na liberdade de indivíduos e seus grupos. A verdadeira liberdade requer dor e sacrifício.

O conceito era puro, simples, verdadeiro. Me inspirava. Acendeu o fogo da rebelião. Mas ultimamente, eu aprendi a lição que Goldman, Proudhon e outros aprenderam. Que verdadeira liberdade requer sacrifício e dor.

A maioria dos seres humanos pensam apenas que querem liberdade. Na verdade, eles anseiam pela escravidão da ordem social, leis rígidas, materialismo. A única liberdade que o homem quer realmente é a liberdade de ficar confortável.”

Essa cena gerou a maior epifania sociocultural e política em minha cabeça, ela me fez perguntar o porquê eu respeito as leis que os próprios criadores delas se negam a respeitar?

Porque uma pessoa pode se autonomear hierarquicamente superior a outra, se somos filhos do mesmo universo? Porque acreditar que o Estado e a falsa ideia de propriedade privada que ele te dá são algo real?

Acorda para a vida, o Estado só quer te fuder, quer te manipular e te educar para viver na ilusão. Hoje associo muito nossa sociedade ao filme Eu, Robô do Diretor: Alex Proyas ou o filme Matrix das Diretoras: Lana Wachowski, Lilly Wachowski. Afinal “A Maior das ilusões políticas é acreditar que pode se humanizar um sistema, cuja essência é mercantilizar as necessidades humanas.”.

A única conclusão que eu cheguei nesse meu estado de loucura foi querer a ruptura do Estado e que cada pessoa que detém poder e se coloca acima de outra se foda, seja um mero soldado como o presidente ignóbil da república, que me nego a citar o nome.

O estado não é e nunca foi um mal necessário, como infelizmente Hobbes aduziu em sua teoria. A sociedade pode sim se unir e diminuir o tamanho do Estado gradativamente conforme o nível moral, social e cultural vai se elevando até que a gente consiga quebrar todos os paradigmas e imposições criadas pelo Estado. O certo e o errado sempre estiveram no coração de cada um. Até porque se o Estado funcionasse não precisaria ter polícia e cadeia, uma vez que as pessoas estariam sempre obedecendo o comando. A gente não precisa se vender de um modo tão miserável para esses porcos corruptos. Afinal tudo sempre se tratou do que Bobbio aduziu celebremente em uma de suas epifanias: “acabar com a política é acabar com a coação e não acabar com qualquer organização social.”

Hoje eu vejo as pessoas, de um modo um tanto quanto ignorante no sentido de desconhecer sobre, falando que anarquia é utopia, que prega a violência e o caos, mas não, assim como todos os outros setores a globalização trouxe uma arma muito mais perigosa que punhos, balas e bombas. Ela nos deu livros, fácil acesso a conteúdo as vezes escondidos pelo Estado ou pela “santinha” igreja católica. Quando eu aprendi que um livro bem lido é mais perigoso que um tiro disparado, eu encontrei no meio a todo o caos que as vezes é pregado por alguns filósofos anarquistas a luz na minha escuridão, e isso me motivou a escrever esse livro. Quando você ler o que vem daqui para frente pode ter certeza que é algo que eu não escrevo só com meu coração, mas com a minha alma. Afinal falar do que mais nos brilha o olho acho que é a coisa mais fascinante e prazerosa para um ser humano.

A anarquia é um estado de liberdade, não uma utópica teoria política como o estado te ensina na educação medíocre que ele te da, foda-se o Estado e essa porra desse Enem junto. Eles querem que vocês sejam robôs que eles manipulam e ainda querem receber seus aplausos pelas migalhas que eles te dão. Eles te manipulam pelo horror, o Estado te escraviza por um auxílio de R$ 150,00. Ou um bolsa família que tão pouco ajuda.

Anarquia é uma paz de espírito encontrada na dor, no sacrifício, afinal o verdadeiro anarquista encontra o equilíbrio entre a paixão e a razão em sua mente, a solução disso sempre será a mistura do poder e do direito. Quando abrimos mão dos padrões sociais e vivemos sob as nossas regras, abdicamos da segurança proveniente do Estado e com isso nos tornamos advogados, promotores e juízes das nossas vidas. Vivemos sob nosso código moral, uma vez que a lei é só uma forma carinhosa do Estado te escravizar.

Querem chamar o anarquismo de desordem, porque é a luta contra o sistema, contra o estado opressor. Não há desordem maior que a briga de ego entre direita e esquerda. Isso é um mero modo de manipulação do estado para tirar nosso foco maior, que sempre será lutar contra o sistema e suas falhas. E parem de achar que anarquistas são violentos, nos apenas temos problema com a autoridade, nenhum de nós é sociopata, apenas vivemos fora dos padrões sociais. E quando vivemos assim, abrimos mão da segurança dada pelo Estado. O que divide o homem do menino é isso, afinal quando se é um homem de convicções e uma ideologia, a violência acaba sendo inevitável. Como aduziram as célebres mentes do Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos, em seu texto A Ética do Anarquismo: “Se a moral hipócrita burguesa educa para formar escravos egoístas, reprodutores de sua ideologia, nós Anarquistas propomos uma outra educação, aquela que busque criar indivíduos preocupados com o bem estar da sociedade e do meio em que vivem, vendo o próximo com respeito e igualdade. Entendendo-se educação aqui como tudo aquilo que assimilamos e reproduzimos enquanto vivendo em sociedade, essa educação que propomos, essa ética, só virá através da prática, seja em qualquer atuação social, seja em um grupo de estudos, em uma ocupação de terreno, em uma comunidade ou no sindicato, para nós a prática deve estar coerente com nossos princípios. Acreditamos que a prática determina quem se é e o fim ao qual se vai chegar.”

Anarquia é proveniente do grego ANARKHIA, que significa ausência de governo. O anarquista não defende a baderna, as explosões e o caos social, pelo contrário, reconhecemos a autonomia da sociedade e na preponderância dela perante ao Estado. O anarquista vive um esterno conflito entre sua mente e o seu coração, mas de tudo na minha vida, minha maior lição que aprendi foi que não é na violência que vou enfraquecer o estado, o que me resta fazer é metralhar o estado de questionamentos despertando uma crise de hipocrisia social onde independe de esquerda ou direita, a ideia é não me subordinar a princípios que os hierarquicamente superiores não se subordinam, a fim de educar a população, mesmo que as vezes através do horror, como pregava o anarquismo terrorista. A ideia sempre foi minar a população de conhecimento, sem ocultar nada, deixar o povo decidir o que é ou não melhor para eles. Muitos de vocês provavelmente já se pegaram pensando no porque você gasta tanto com impostos e nunca vê o retorno social disso, a verdade por trás do imposto não tem nada a ver com serviços públicos, o Estado cobra simplesmente porque pode cobrar. Por isso lutamos pela ruptura do Estado, afinal a Anarquia é um sistema que defende a autonomia social, visando a longo prazo quebrar o estado a ponto de através de sua ruptura estabelecer uma sociedade igualitária, livre de relações de poder.

Você já pensou que Anarquia é associada a agressão, revolta, sangues, explosões? Isso só acontece pelo simples fato de os anarquistas estarem presentes em várias revoluções, influenciando massas contra o lixo que chamamos de sistema, contra a “santa” igreja católica ou crente, os bancos, corporações e a toda estrutura capitalista. Uma vez me fiz uma pergunta e nunca consegui responder, vou deixar o questionamento em aberto a cada um de vocês: porque julgamos tanto uma garota ou garoto de programa quando na verdade somos uma sociedade onde todo mundo se prostitui de algum modo, no sentido de se vender, as vezes por tão pouco? Somos uma nação criada em cima do horror europeu, baseada em manipulação, nunca em educação. Tudo que se vende ao capitalismo, um dia se corrompe. Portanto, a todos capitalistas que estão lendo, me respondam só uma coisa: Qual a porra do seu preço?

O capitalismo usa as pessoas como objetos de satisfação de prazeres materiais próprio. O maior burro é o fiel de igreja que acredita em pacto com o diabo, devia ser chamado pacto com o dinheiro (ou melhor capitalismo, que no Aurélio deveria estar descrito como: a maior ferramenta de manipulação social já criada por um ser humano, fez a sociedade se transformar no filme Matrix.), você faz isso também toda hora que aceita calado a supremacia do estado. Põe na cabeça que vender sua liberdade é pior que vender alma pro diabo, até porque diabo e deus nem existem, a única coisa que você precisa saber é que você atrai o que você emana, e que o universo é sempre justo. Portanto, reveja todas as formas de escravidão implícita pelo Estado te vendendo uma imagem que seria melhor para você, e no fim das contas quem se fode sempre somos nos cidadãos de bem. Aos fiéis, o Estado é o seu demônio que vocês dizem ter atentado jesus cristo.

A ideologia anarquista surgiu no século XX e foi bastante fortalecida pelos iluministas, ganhou muitos seguidores entre a classe proletária. Com objetivo de conter as revoluções o Estado vendeu a população uma ideia de que somos “um movimento criado para quebrar regras sociais, tirando a ordem e instalando o caos na sociedade”. Porra nenhuma, o medo do Estado é tão grande da população ter acesso a certos conteúdos, prendendo o ser social em bolhas onde são controladas como fantoches e manipulados a fim de dispersar todo espírito revolucionário, é o famoso cortar o mal pela raiz que eles fazem. Não se deixe abalar, o fato de você contestar o Estado é a arma mais poderosa que temos para juntos enfraquecermos ele. É importante frisar que não é porque defendemos uma sociedade sem governo e livre de hierarquia que queremos o caos social. Acredito, veemente, que a cura social vem da liberdade e não da restrição. Como de modo inspirador lecionou Joseph Sobran: “A medida de sucesso do Estado é que a palavra Anarquia assusta as pessoas, enquanto a palavra Estado não.”

Existem apenas dois pontos comuns que definem o SER ANARQUISTA: a destruição do capitalismo e a ruptura do estado. O anarquismo tem suas vertentes, cada uma com suas peculiaridades diferentes. Mas sempre frisando o mesmo fim, utilizando apenas meios diferentes que os levem ao seu caminho final. A principal característica do sistema anarquista é o princípio de liberdade, que conclui que o ser humano deve ter total direção e controle de sua vida individual, desde que não interfira na vida em sociedade. Pregamos a supremacia da liberdade individual, queremos a extinção do capitalismo e de todas as instituições estatais. Vemos que leis, regras religiosas e político-sociais são meros artifícios de controle que mantém as pessoas num sistema onde elas acham que estão confortáveis para manipular e ter o controle do “ser social”.

Acho que assim como eu, nenhum anarquista quer governar, queremos um sistema de autogestão político-social. Foda-se o Estado, as pessoas que o fazem ser essa instituição tão nojenta, a hierarquia, as leis, as prisões, a polícia, as igrejas católicas e evangélicas, aos bancos e todas as corporações. E o super foda-se vai para o dinheiro e a todos os sonhos que ele matou, a todas pessoas boas que ele corrompeu.

O anarquismo, para mim é uma espécie de comunismo libertário, que advoga por uma sociedade sem classes, sem Estado e sem propriedade privada dos meios de produção, na qual os frutos do trabalho seriam distribuídos de acordo com as necessidades de cada indivíduo, de acordo com a máxima: “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades.” Essa concepção passou a ser desenvolvida pelos anarquistas em meados de 1870. Até aquela época, a maioria dos anarquistas europeus defendia o coletivismo, baseado na máxima “a cada um segundo seu trabalho”, que propunha a recompensa com base no esforço realizado como proposta econômica para a sociedade futura.

O Anarquismo, acaba com a organização social onde um, quer sempre mandar no outro. Nele, ninguém é obrigado a fazer nada que não tenha vontade, nem muito menos a aceitar pontos de vista divergentes aos seus. Nos regimes de governo, o indivíduo é quem tem que abandonar sua natureza e adaptar-se aos padrões impostos pelos aparelhos de poder, já no Anarquismo não é o indivíduo que tem que se adaptar a sociedade, mas sim a sociedade que tem que se adaptar ao indivíduo. O Anarquismo permite que as próprias pessoas decidam os rumos de suas vidas e construam a organização de sua vida social. Só quem sabe o que é melhor para uma pessoa é a própria pessoa. Por isso o Movimento Anarquista não compactua com eleições, partidos políticos ou coisas do gênero. Sob o ponto de vista Anarquista, todo aquele que visa o poder sobre seus semelhantes é inimigo da liberdade dos mesmos. Se alguém quer mandar em você, isso quer dizer que quer te privar de tomar decisões sobre sua própria vida, ou seja, esse alguém quer te escravizar.

Ninguém é mais do que ninguém. Cada pessoa é uma estrela e todas estrelas são iguais.”

Autor:

Reinaldo Montanari

REINALDO MONTANARI
"Porque a revolução é uma família e uma pátria." Direito - Puc-MG

Deixe uma resposta

Leia mais