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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O brasileiro desperdiça a liberdade?

Recentemente, muitas pessoas se viram pensando no real sentido do conceito de “liberdade”. A liberdade garantida na constituição respeita, de fato, os direitos do cidadão?

Inúmeras vezes, a ideia de liberdade, entra em conflito com o que se pode esperar de um povo. E isso se aplica fortemente no Brasil, sendo usado como argumento em diversas discussões, tais como: legalização das drogas, porte e posse de armas e outros tópicos que não citarei no momento, pois os temas que mais bebem dessa fonte são os dois citados posteriormente.

No final do ano de 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro (atualmente sem partido), muitos apoiadores do estatuto do desarmamento viram-se em um estado de ameaçam iminente, imaginando que no primeiro dia de Bolsonaro da presidência o caos eclodiria em todo o país. Lembro-me de que na época, eu era um defensor ferrenho do armamento e da liberdade individual do cidadão. A justificativa usada até hoje pelo movimento contra o armamento, é de que com as armas na mão do povo, a criminalidade aumentaria exponencialmente, já que qualquer um poderia descer do carro em uma briga de transito e descarregar uma pistola no outro motorista.

Minha visão sobre o tema passou de: “Liberem tudo!” para um: “Liberem mas com regulamentações!” até chegar em um: “Olha… resolvam outras coisas primeiro!”

O brasileiro não tem responsabilidade nem com o próprio dinheiro! Muitas pessoas da classe baixa, quando ganham o salário mínimo (que não compra quase nada com os preços atuais) administram o lucro de forma errônea e irresponsável. Quantas piadas você viu somente no ano de 2020, dizendo que usariam o dinheiro do auxílio emergencial para comprar coisas fúteis? Eu me deparei até com postagens dizendo que iriam gastar o dinheiro com bebidas alcoólicas e prostíbulos de travestis.

Aonde eu quero chegar com isso tudo? Simples, o conceito de liberdade individual, que inclui o direito do armamento, não pode ser aplicado a um povo com um comportamento tão indisciplinado e tragicômico como o Brasil. Se, por algum acaso, algum dia o Brasil tenha uma legislação armamentista, semelhante a dos Estados Unidos, o resultado será completamente lastimável.

Não venho aqui diminuir nossa nação. Algo que até o mais patriota dos nacionalistas brasileiros poderia afirmar é que a grande massa brasileira (chamada carinhosamente de “povão”) carece da habilidade cognitiva necessária para decidir os rumos de uma nação. Não quero dizer que as elites brasileiras são inteligentes, ou que os países mundo a fora são melhores que o Brasil, não, muito pelo contrário.

Outra questão que vem gerando muita polêmica ultimamente, é a vacinação obrigatória. No momento que estamos passando no Brasil e no mundo, as figuras mais imbecis de nossa nação resolveram mostrar as caras. Com notícias falsas, negacionismo, ignorância generalizada e outras ferramentas de disseminação da estupidez, os seguidores do Presidente da República se posicionaram contra a vacina, e contra inúmeros outros métodos (com a eficácia cientificamente comprovada) para a contenção da pandemia. Mas a relação que traço entre a vacinação e o armamento, é a ideia de que a liberdade nas mãos do brasileiro causa problemas.

Por muito tempo apoiei a ideia da vacinação opcional. Teoricamente, cada um deveria escolher de acordo com sua opção, se tomaria a vacina ou não. Mas quando chegamos ao ponto de estarmos apenas criando variantes novas, e que enquanto milhões de pessoas se imunizam no mundo inteiro, ainda há outros milhões de pessoas que recusam se vacinar dentro de nosso país formando uma ameaça em escala global, a liberdade se torna algo perigoso nas mãos do brasileiro.

Erich Ruy Erzinger Alves
Escritor. Nascido em Curitiba, Paraná.

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