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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Conversa com Gilsom Maia

Gilsom Maia conseguiu juntar a profissão com a maior paixão: o esporte.

Desde cedo envolvido com esse mundo – em especial com o handebol, modalidade na qual foi atleta por muitos anos e atua em sua profissão hoje na equipe Herkules – Gilsom decidiu trilhar esse caminho que ele julga ser de suma importância no mundo do esporte para ajudar os atletas a se entenderem melhor e, consequentemente, atingirem uma melhor performance. 

Mas não é só de resultado que vivem os atletas e os psicólogos esportivos.

Gilsom detalha as funções que exerce e como elas diferem e se assemelham das exercidas pelos psicólogos clínicos; principalmente como ele identifica os problemas de cada atleta e os ajuda a canalizar os diferentes sentimentos em potenciais combustíveis para o desenvolvimento deles.

Inicialmente, ele deixa claro que existe sim uma diferença entre o trabalho que é realizado por psicólogos no ambiente controlado de uma clínica para o trabalho que ele e seus colegas realizam.

Gilsom afirma que enquanto eles trabalham sim com problemas que o atleta leva de casa para o trabalho, seu foco maior é em como fazer o atleta entender o que está sentindo, para que então possa usar isso e se tornar um profissional melhor. Já os terapeutas clínicos são acionados em casos onde esses problemas se mostram ser corriqueiros o suficiente para ocasionar algum tipo de fobia ou trauma no atleta, o que cria raízes profundas demais para o psicólogo esportivo conseguir tratar fora de um ambiente controlado como uma clínica de psicologia.

O principal motivo disso é a imprevisibilidade do que pode acontecer no ambiente esportivo, uma vez que o psicólogo não é o único responsável pelo atleta e deve responder ao treinador, que escolhe o quanto usa ou não a ajuda da psicologia em seu trabalho.

Para Gilsom, inclusive, esse é um dos maiores problemas que os psicólogos esportivos enfrentam quando tentam realizar um trabalho; a falta de espaço dada pelos treinadores e falta da discussão na mídia sobre esse assunto que, para ele, é decisivo na performance dos atletas no dia a dia.

Ele cita em particular o futebol, e diz como nesse mundo a psicologia é deixada quase sempre de lado e acaba se tornando uma modalidade pouco facilitadora para o bom desempenho de suas funções. Enquanto isso, tanto o handebol quanto o vôlei foram citados como exemplos primariamente positivos no que diz respeito ao trabalho conjunto realizado pelos treinadores e psicólogos esportivos para a melhoria de desempenho pessoal de cada atleta, mesmo que no âmbito de um esporte coletivo.

Não se pode deixar de mencionar, também, o impacto que o trabalho de profissionais como Gilsom tem se for realizado desde os princípios da formação do atleta de base.

Para ele, é mais difícil começar um trabalho quando o profissional já atingiu a idade adulta, principalmente se os problemas que ele apresenta são coisas trazidas desde a infância, como um relacionamento tóxico com algum parente que afeta diretamente nas escolhas feitas pelo atleta.

Por isso, é importante que desde cedo o atleta receba as instruções, tenha um espaço para conversar e alguém de fora que o ajude a enxergar quando alguém está atrapalhando seu desenvolvimento de forma muito negativa.

O mais importante que devemos levar conosco é que os atletas são seres humanos também; só o que os difere de nós é que eles praticam esportes de forma competitiva e nós os assistimos. “Vocês vêem a fotografia, mas não o que vem por trás dela”, nos lembra Gilsom. Todos os sentimentos, sejam eles raiva, amor, ansiedade ou tristeza são bons, e não devemos fugir de nenhum deles.

O que podemos fazer, e o que pessoas como ele nos  ajudam a fazer todos os dias, é aprender a usar esses sentimentos para crescer e nos tornarmos melhores do que fomos ontem.

Sendo atleta ou não.

Siga Gilsom Maia no instagram:

@gilsommaiapsicologo

@gilsommaianeuropsicologo

Texto por Carlos Marcelo

@marcelocmac

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