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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Comunismo e Anarcocapitalismo: Duas utopias no mesmo nível?

O que são?

Nas últimas décadas, uma vertente ideológica tem se mostrado muito relevante entre o cenário político atual, o anarcocapitalismo. No Brasil, o anarcocapitalismo tem ganhado força no cenário virtual, com influenciadores e ativistas políticos que disseminam entre os mais jovens (na maioria das vezes) os ideais “ancaps”. A ideologia visa uma sociedade, em que não há a presença de um estado. Tudo o que atualmente é controlado por um governo, seria substituído por uma empresa privada. Sem impostos e sem regulamentações estatais, os anarcocapitalistas pensam em uma sociedade preservando as liberdades individuais de todas as maneiras possíveis.

Em contrapartida, o comunismo surgiu no século XIX, muito por conta de Karl Marx e Friedrich Engels. Posteriormente, as ideias comunistas e socialistas se espalharam por diversas partes do mundo, até que eclode uma revolução na Rússia, formando assim, a União Soviética. Durante grande parte do século XX, houveram tensões entre países capitalistas, como os Estados Unidos, e países socialistas, como a União Soviética. Muitos pensadores consideram o socialismo como uma etapa para o comunismo, que seria uma sociedade sem classes sociais, e com a liberdade completa com todos os indivíduos vivendo em comunidade.

A conexão utópica

Ambas as ideologias defendem uma comunidade sem governo, como vertentes do anarquismo. Porém a grande diferença está nos meios para se alcançar essa sociedade perfeita.

O comunismo faz o uso do socialismo, uma forma de governo em que um grande governo, usaria seu poder coercitivo para dar assistência para os mais pobres, taxando as grandes fortunas e trazendo benefícios públicos para as classes mais pobres. E isso já foi colocado em prática na vida real, com resultados temorosos. Não pode ser apenas coincidência o fato de que a maioria esmagadora de países socialistas tiveram: ou ditaduras sanguinárias, ou problemas administrativos. Posso citar facilmente Cuba, URSS, China e Coréia do Norte como países que se tornaram ditaduras sanguinárias em nome do Comunismo. E muitos governos socialistas tiveram incongruências governamentais que geraram prejuízos econômicos fortes no país, o Brasil é um ótimo exemplo.

Você não precisa ser um gênio para saber que o comunismo não funciona. Porém, algo que dá o tom utópico ao anarcocapitalismo, com quase a mesma intensidade que ao comunismo, é a improbabilidade de acontecer algum dia e também o fato de nunca ter sido colocado em prática.

Além de todos os fatores óbvios, como a falta de presença estatal em locais pobres, a falta de serviços públicos que hoje em dia são muito importantes em nossa sociedade, tais como saúde, justiça e educação, e várias outras incongruências, nós nunca tivemos nenhum exemplo de uma nação que se desenvolveu bem sem estado.

De certa maneira, todos concordamos com o comunismo. Qualquer um concordaria em um mundo perfeito. Sem pobres, sem ricos, sem governo, porém isso tem um nome: utopia. E na teoria marxista, para você alcançar a utopia, você precisa do socialismo. E o socialismo já foi comprovado de várias maneiras ser um fracasso.

Vejo atualmente, no anarcocapitalismo, uma vontade instintiva de seguir um movimento. Uma vontade maluca de querer levantar uma bandeira e lutar pela liberdade, sem ser aquela figura clichê e glamourizada da esquerda. Falo isso pois foi isso que me atraiu ao anarcocapitalismo quando era mais jovem. E percebo que é isso que atrai muitos, e muitos, jovens até hoje para essa vertente.

O comunismo não é diferente! Existem muitos jovens hoje em dia que seguem a doutrina leninista-marxista justamente por um sentimento de rebeldia contra os velhos conservadores idiotas que chama qualquer um inclinado alguns graus para a esquerda de “comunistinha”.

Erich Ruy Erzinger Alves
Escritor. Nascido em Curitiba, Paraná.

1 COMENTÁRIO

  1. Bem interessante a analogia entre as duas ideologias. No entanto, é importante fazer uma distinção: ao passo que uma ideologia prega a adoção de políticas econômicas heterodoxas, é intrinsecamente violenta e antidemocrática; a outra preza pela ortodoxia econômica, é pacifista e democrática.

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