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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Cuba para cubanos

No último dia 11 de julho eclodiu-se nas ruas a maior onda de manifestações de cubanos para melhores condições de vida na ilha de Fidel. Cuba conta com uma população calculada em cerca de 11 milhões de pessoas, sua principal atividade econômica é a exportação de açúcar e tabaco, o turismo foi alavancado com a queda na URSS nos anos 90, quando a ilha se abriu para a visita de milhares de estrangeiros, todos com a curiosidade de ver um povo alegre, hospitaleiro e ainda com o currículo de uma romântica revolução socialista praticamente no quintal dos EUA. Eu estive em Havana por três vezes e testemunhei as dificuldades que o povo cubano possui, não tão diferente de outros países, mas vividos sob o severo bloqueio americano de mais de 60 anos.

É, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos pode parecer um tanto repetitivo, mas é a realidade, não somente justificativa. Cuba faz comércio com vários países, até mesmo com os EUA, pois alimentos e remédios, na teoria, estão fora desse alcance, porém, na prática sofre severas restrições, já que Cuba não tem crédito para pagar por produtos americanos e europeus, tem que comprar a vista. Além disso, o preço de custos com transporte desses produtos é muito superior, principalmente vindo da China e da taxação imposta no porto de Panamá.

Sobre a Covid19, Cuba é um dos melhores países que enfrentam a pandemia, apesar da falta de medicamentos e de produtos como seringas etc, possui cinco espécies de vacinas, todas desenvolvidas na própria ilha. Conta com 290 mil casos e 1843 mortos, enquanto somente a cidade de São Paulo, também com uma população semelhante, tem 1.317.254 casos e 34.507 de mortos.

Com a abertura do turimo, ainda nos anos 90, centenas ou milhares de emigrantes, outros milhares de visitantes, desenvolveu-se uma pequena classe média, são donos de restaurantes – iniciou-se com o nome de paladares – de pousadas e quartos ou casas de aluguel para turistas. A pandemia causou sérios problemas a essa atividade econômica em Cuba, a classe média é a origem de todos os protestos e tem o apoio dos Estados Unidos e Brasil, principalmente da imprensa, soltando fogos de alegria como se as manifestações cubanas fossem derrubar os ideais dos revolucionários ou da ideologia do Partido Comunista Cubano.

É certo que Cuba tem sérias dificuldades econômicas, as conquistas revolucionárias como saúde e educação universal e gratuita representam motivos de orgulho do povo cubano, mas é preciso que o bloqueio econômico se encerre, deixar que os cubanos decidam os destinos de sua pátria, deixar cuba para os cubanos.

Autor:

Carlos Eduardo Ramos Jube

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