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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Cadê o papeeeel?!

Minhas crônicas de quinta (que não sei porque sai na sexta).

O que poderia ser pior do que terminar o “serviço necessário” no banheiro e na hora de limpar a sujeira descobrir que acabou o papel? Acredito que fazer “o serviço” de modo compartilhado, como quem senta na sala de espera de um consultório médico, lado a lado e frente a frente aos outros pacientes, a encará-los e a jogar conversa fora sobre a “consulta”, barulhos e odores estranhos – ou qualquer outra coisa da vida -, seja, em alguns aspectos, bem pior que a falta de papel. Se bem que, nos antigos banheiros públicos romanos, ainda tinha como limpar a sujeira, mesmo que fosse com uma esponja comunitária mergulhada em um tanque cheio de água outrora limpa.

Não tem como a gente escapar: tem coisas que necessariamente precisam escapar de nós. Coisas necessárias e, por isso, banais, como o sol a subir sobre o horizonte todo santo dia; a água, que só damos o devido valor quando acaba; e o papel, sem o qual simplesmente não vivemos.

Parece exagero dizer que sem papel não vivemos, mas o ser humano, sob ameaça de desabastecimento, desesperad… digo, instintivamente, estoca papel higiênico. Quem viveu o começo da Pandemia sabe do que estou falando. Já conhecia esse “instinto” quem era vivo uma ou duas gerações antes de mim, em 73, e acompanhou o “Pânico do Papel Higiênico” no Japão (e no mundo?). A crise do Petróleo na época, devido à embargos econômicos, gerou um boato de que faltaria papel higiênico nos supermercados. E aí faltou mesmo, porque muitos correram para garantir o seu por um bom tempo, deixando outros muitos sem.

Da mesma Ásia, vem da China, um relato do ano 851, durante a dinastia Tang (que me corrijam os historiadores!), de um muçulmano que viajava pelo país. Ele registrou o seu desgosto com a higiene das pessoas ao usarem papel para se limpar. Claro que não era papel como os nossos, mas definitivamente não era a boa e velha água.

Espigas de milho, folhas e cascas vegetais, tecidos, conchas, areia, madeira, bloco de neve, e, claro, a própria mão já serviram como higienizadores íntimos mundo afora. Por volta de 1830, um catálogo chamado Farmers Almanac – e também outros que circulavam nos EUA – já vinha até com um furinho para ser pendurado no banheiro. Ali se fazia a leitura do papel, ali se limpava com ele e ali o jogava fora.

Já nesse embalo, o americano Joseph Gayetty, em 1857, começou a vender papel higiênico de fato. “A maior necessidade da época! O papel medicamentoso de Gayetty para o seu banheiro” era umedecido com Aloe Vera! Mas foi 10 anos depois que o rolo apareceu, com o produto dos irmãos Scott.

Esse era macio, mas ainda vinham com algumas lascas. Problema que parece ter sido resolvido em 1935, com a fabricante Northern Tissue.

Daí para frente foi só maciez (para nooooossa alegria!).

Dizem que tudo termina em pizza, mas as coisas só terminam mesmo no dia seguinte, depois da pizza! O que está dentro de nós ainda é parte da gente, e a limpeza interna é essencial. Filosofar é ótimo, filosofar e relaxar durante o “serviço”, então, é de uma grandeza espiritual. Nada pode abalar esse momento… a menos que falte papel no final!

Luana Carvalho
Arquiteta, cria da Unesp - Presidente Prudente. Brasileira, com 27 anos de sonho e de sangue, e de América do Sul. Escrevo porque não sei guardar segredo.

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