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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Angola, eu nunca te esqueci.

-Tio Cusi, a nossa Angola já sofreu muito, agora é tempo de esperança.-Disse o sobrinho Liou.
– É verdade sobrinho, eu já não acreditava nesta Angola de esperança. – Respondeu o Tio Cusi.
– Então meu Tio, para de beber o quimbombo aguado, e levanta a cabeça porque a esperança chegou Angola.– Disse o sobrinho Liou.
Falar de Angola é lembrar-se da minha infância e primeira escola onde estudei no Senhor Padre, no bairro Cassequel.
É lembrar-se do tempo em que eu e os meus amigos, apanhávamos, o Louva-Deus e andorinha ao lado Quartel militar.
Do tempo das filas do pão na pedaria, do leite no mercado, e do peixe na peixaria.
Lembro-me do tempo que eu e alguns amigos íamos apanhar peixinhos na lagoa suja no bairro do Samba.
Dos nossos jogos de futebol com os pés descalço e calções rasgados junto ao catering.
Lembro-me da minha Mãe Helena, que levava eu e os meus irmãos na lavra no bairro do Cantinton, para recolher a mandioca, batata, macha-nana, milho, quiabo etc…
Não me esqueço daquela comida que a minha prepara na lavra, e era a sua favorita, o fungi de, molho de quiabo e o catato assado.
Falar de Angola é falar do hino nacional, de Cabinda ao Cunene, e um só povo e uma só nação.
Lembrar-se de Angola, é falar de um país que resistiu a guerra pela independência a 4 de Fevereiro de 1961, contra os coloniais portugueses.
É voltar na historia e descrever as antigas e ambíguas guerras travadas pelo próprio povo angolano.
Guerras essas que destruiu pontes, casas escolas, igrejas, bairros, cidades e o mais agravante destruíram vidas humanas,
Lembrar-se de um país que tem no seu rico solo, diamante, petróleo, minério de ferro; jazidas de cobre, manganês, fosfatos, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata e platina.
Um rico país onde apresenta cinco tipos de zonas naturais, designadamente a floresta úmida e densa como a Floresta do Maiombe, que contém as mais raríssimas madeiras do mundo.
As Savanas, normalmente associadas às matas como é o caso das Lundas, as Savanas Secas com árvores ou arbustos, em Luanda, baixa de Kassanje e certas áreas das Lundas.
Falar de Angola hoje é esquecer as magoas da guerra do passado e olhar para esperança para um futuro melhor.
Falar de Angola ontem era inúmeras incertezas e de muitas lagrimas.
A Angola de hoje é de esperança, sonhos, e de desenvolvimento.
Angola hoje é de paz, de transformações, superações, e de igualdade para todos.
– Ché Tio Cusi, para onde você vai com esses livros, vai beber de novo o quimbombo aguado?- o sobrinho Liou .
– Meu sobrinho, o tio Cusi agora mudou de vida, parei de beber e voltei a estudar de novo.– Disse o tio Cusi.
– Angola precisa de quadros capacitados, e eu quero ser um deles. – Disse o tio Cusi.
– Vamos estudar, porque Angola é nossa, Angola é dos angolanos. – Disse o sobrinho Liou sorrindo.
Angola, eu nunca te esqueci.
Fim.

Guerra Antonio Fernandes
Guerra Antonio Fernandes, é natural de Luanda-Angola, é casado e pai de dois filhos, É técnico de informática e atualmente é estudante universitário no curso de administração.. É escritor de romance, poesia, cronica e artigos,

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