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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Registro Histórico

Machado de Assis, Cecília Meireles, Nelson Rodrigues, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e tantos outros, considerados grandes nomes da literatura brasileira, nos ensinaram o poder de uma boa crônica. Seus textos foram capazes de transcender diferentes épocas e são quase que um registro histórico de tudo o que eles viveram.

Esta crônica aqui tem uma pretensão parecida. Claro que eu não estou me colocando no mesmo patamar criativo ou literário que esses gênios das palavras, o que tenho como objetivo é fazer também o registro histórico de um fenômeno vivido pela minha geração.

Portanto, a partir daqui, tenha em mente que eu estou falando com você que está lendo isso em 2050 (mais ou menos). Bom, você já deve saber que no ano de 2020 o mundo viveu uma grande pandemia. Um novo vírus, com origem questionável, surgiu e se alastrou por todo o globo terrestre fazendo milhares de vítimas fatais, causando recessões econômicas, miséria, fome, medo, divergências políticas e muita coisa desagradável.

Alguns mais otimistas até viram nascer um senso maior de comunidade, empatia e amor ao próximo. Confesso que, infelizmente, fiquei mais alinhado com a visão dos pessimistas.

Mas nem é esse o ponto. O que eu quero registrar é que durante esse breve período vivemos uma coisa bastante inusitada. O tal do Coronavírus (vírus responsável pela Covid-19, a doença que causou a pandemia) desencadeou um grande efeito, nunca antes visto na educação brasileira. Em poucos meses de luta contra o vírus, vimos nascer uma enorme quantidade de profissionais e especialistas em tempo recorde.

Lembro-me bem de quando passei a observar o fenômeno. Eu tinha alguns amigos dos tempos da escola que mal sabiam como resolver uma regra de três simples. Acredite, em semanas eles se tornaram grandes estatísticos de Facebook (uma rede social bastante popular na época). Outros foram para a área da saúde. Me recordo da dificuldade que alguns tinham nas aulas de biologia, mas com poucos meses de enfrentamento à doença, eles se tornaram grandes infectologistas! Na área de humanas, se antes alguns tinham dificuldades em interpretar textos, a Covid-19 fez com que uma rápida lida em manchetes jornalísticas fosse o suficiente para embasar teses e mais teses sociológicas, antropológicas e políticas!

Eu não sei qual foi o legado de tudo isso, você talvez veja isso de forma mais clara hoje. Deve até ter alguns estudos de caso a respeito disso, dá uma pesquisada. Mas uma coisa é certa, que foi um fenômeno curioso de ser assistido, ah isso foi!

Guilherme M. Bonfim
Redator publicitário, cronista e roteirista.

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