15.1 C
São Paulo
domingo, 17 de outubro de 2021

As cinco feridas emocionais da infância e como elas refletem na vida adulta

As vivências de nossa infância definem como será a nossa qualidade de vida, bem como a qualidade de nossos relacionamentos. Ocorre que nem sempre os pais estão preparados psicologicamente para “serem pais”, até mesmo por que a forma de se educar foi passando de geração a geração e em tempos remotos a saúde mental não era prioridade, ou melhor, muito pouco ou quase nada se falava sobre saúde mental. Isso criou gerações com problemas emocionais, o que continuará ocorrendo se não for dada a devida atenção a esse relevante tema.

Grandes traumas e até mesmo pequenos acontecimentos mal interpretados, podem gerar feridas, que criam crenças limitantes e que tendem a se repetir ao longo de nossas vidas, por exemplo se uma pessoa viveu a ferida da traição na infância, é muito possível, que desenvolva padrões de pensamentos e atitudes que favoreçam que essa experiência dolorosa seja repetida. Para a escritora Lise Bourbeau existem 05 feridas que são a origem de todos os nossos problemas de relacionamento. Elas são:

1) Abandono
As crianças têm muito medo da ausência dos pais, o que, para ela, caracteriza o abandono. No início da vida, as crianças ainda não conseguem separar a fantasia da realidade e não têm ainda noção de tempo, por isso algumas ausências podem significar para a criança abandono absoluto. Conforme a criança vai crescendo, ela vai lidando com isso de forma mais tranquila e percebendo que a presença dos pais não é possível o tempo todo, mas que eles sempre voltam ao seu encontro. Crianças que têm experiências com negligência na infância podem ter pela vida toda medo da solidão e da rejeição toda vez que não estiver perto fisicamente das pessoas que ama. Acontece que, muitas vezes, a solidão é necessária para entendermos quem somos e nem sempre as pessoas que amamos estão perto fisicamente de nós. Saber lidar com esse sentimento é importante para a vida adulta.

2) Rejeição
Uma das feridas mais profundas deixadas pela infância é a sensação da criança de não ter sido amada ou acolhida pelos pais ou mesmo pelos amigos na escola. Como as crianças começam a formar sua identidade a partir da maneira como são tratadas, elas podem se convencer de que não merecem afeto e passam a não se valorizar. E tudo que recebemos dos outros tem relação com o que damos a nós mesmos.

3) A humilhação
Ninguém gosta de ser criticado. Mas a forma como as críticas são feitas muda tudo. As crianças querem que os pais as amem e que se sintam orgulhosos dela, por isso nada mais destrutivo do que chamar seu filho de estúpido, burro, fraco ou qualquer outro termo depreciativo. Erros na forma de criticar criam adultos que precisa humilhar as outras pessoas para se sentir bem, ou até mesmo que acreditam serem merecedores de sofrimento.

4) Traição
Muitos adultos costumam fazer promessas para as crianças, algumas vezes sem se darem conta do quanto isso pode ser prejudicial. Promessas não cumpridas geram um sentimento de desconfiança permanente que vai ser levado para outros relacionamentos, até mesmo os amorosos. Além disso, crianças que não conseguem confiar nos pais podem se transformar em adultos controladores.

5) Injustiça
Quando alguém comete uma injustiça com a gente, os sentimentos de impotência, raiva e indignação são quase inevitáveis. As crianças sentem isso principalmente quando os pais são autoritários e frios e exigem mais do que a criança consegue dar naquele momento. Isso pode criar um sentimento de impotência e inutilidade que vai permanecer por toda a vida. Além disso, a criança pode se tornar um adulto perfeccionista ao extremo e autoritário.

Conhecer as nossas feridas é indispensável para solucionarmos conflitos de relacionamento e também conflitos internos, temos que ter coragem de ir a fundo e descobrir nossas feridas a fim de que possamos curá-las. Observando-se nossos padrões de relacionamentos e as experiências que se repetem em nossas vidas é possível detectar onde está a ferida, só assim é possível curá-la. Outro ponto importante é não nos vitimizar-mos, pois sempre recebemos aquilo que precisamos para nossa evolução.

Olhar para nossa criança com maturidade e amor e acolhê-la pode transformar nossas vidas, não somos responsáveis pela programação que recebemos, mas somos inteiramente responsáveis por mudá-la para melhor e sermos plenamente felizes.

Referência: BOURBEAU, Lise. As cinco feridas emocionais. Editora Sextante, 1ª edição (10
novembro 2020).

Autora:

Natália Sartori – Quantum Psicoterapia Quântica. @quantumpsicoterapiaquantic

1 COMENTÁRIO

  1. Infelizmente muito do que passamos quando crianças ou o modo com que somos tratados reflete na vida adulta, e no modo como trataremos nossos filhos, parentes e amigos.

Deixe uma resposta

Leia mais

%d blogueiros gostam disto: