20 C
São Paulo
sábado, 22 de janeiro de 2022

Quarentena: O adventício Covid-19

Fortaleza, 17 de abril de 2020

Querido eu do futuro,

Olá novo eu. Não me é estranho, e talvez nunca terá de ser. Escrevo está carta para desabafar. Como se fosse um diário. Mas ao contrário de palavras guardadas em um livro esquecido, desta vez, você será o guardião do meus medos, da minha impaciência, das minhas incertezas.
Tenho andando muito pressa, isolada do mundo . Procurando refúgio ainda pior que em casa… estou entre paredes, no quarto, eu comigo mesma.
Pouco me resta até enlouquecer.
O motivo dessa frase, são muitos.
Os problemas estão caindo como as gotas da chuva.
Caem aqui, caem ali. Imagina só que grande tempestade pode acontecer…
Preciso mencionar, alguns momentos agradáveis em meio a esta situação.
Mas não é difícil lembrá-los. Afinal, quando o coração se torna paciente e esperançoso…Talvez até pulse mais rápido. Tenho mesmo é curiosidade, tenho até ansiedade de finalmente “me ver fora dessa redoma” fora disso tudo. Mas ao mesmo tempo, ela me parece ser um bom esconderijo, até gostei mais de mim, melhor… aprendi a valorizar o mundo, as coisas e principalmente a família. Como se nisso tudo eu me encontrasse, mesmo que na maioria do tempo eu me perca… depois de um tempo essa caça ao tesouro ao seu próprio eu, fica interessante. De fato “Quanto mais sei que sei, menos sei que sei.” Como disse Sócrates. Já que o mundo, as pessoas, me desfazem e refazem o saber é imensurável. Nada é 100% verdadeiro, tudo depende pra onde escolhemos conhecer… De fato, o saber é infinito. Então, a gente vive a aturar a hipocrisia ou até mesmo na caverna que nos colocam feito prisioneiros, bitolados a ser quem nos mandam ser. Talvez o problema seja comigo. Mas me recuso, me recuso a viver dentro destes estereótipos do mundo contemporâneo. Me recuso a deixar-me dominar pela mídia. Então, este é um outro motivo pelo qual a quarentena me fez gostar mais ainda do meu eu. E você, não sei como está. Mas sei que tens de me entender também. Sei que todos os dias procura uma maneira de se conectar mais consigo mesma. Sei que irá ler esta carta e refletir sobre a vida, mas essa vez. Talvez nada disso lhe interesse mais. E ainda prefira rasgar esta folha de papel inútil ou ultrapassada.
Não sei, ainda me reconhece?
Mas desejo-te uma vida boa, com certeza longe disso tudo. Sem prisões. Ou com elas, mas com muita garra para superá-las. A vida tem suas dificuldades.
Mas sempre estarei com você, meu eu.

O então adventício Covid-19, continuara com o isolamento que paira no Ceará, ou melhor no mundo. Machuca só de respira. Por que? Por que… Tornou-se tão difícil voltar a vida ao seu normal? Deve-se que a razão não permite-nos deixar voltar, por segurança ou preservação da vida. Anseio por dias em que voltarei a andar nas ruas ate esquecer-me que irei de voltar, Até que os sapatos desgastem-se. Até que o mundo retorne ao meu olhar.
Mas a que vale a pena me desesperar ?
Para depois tudo isso passar…
Para no fim, então!, tudo voltar !
Somente pelo sortido momento.
Então, querido eu… Só me resta ter esperança e otimismo para o futuro.

Até onde nem mesmo o vírus… Faria diminuir quem sou, Por que me apavorar!?
Sobreviver é para os fracos e também para os fortes. Mas, os fracos sobrevivem com mais força… Com mais verdade no olhar, não seria nossos idosos os verdadeiros heróis… Lutar contra um vilão maior que eles e mesmo assim tentar vencer?! Na força dos fracos existe muita coragem, como estes que em meio as suas condições são coerentes. E na força dos fortes, existe muita mentira e até covardia, os mais jovens ditos fortes, que estão “fora do zona de risco” se põe em aventura podendo prejudicar estes que tanto se fragilizam pela idade que logo nos atingirá também ao correr dos anos.
É, meu eu… O mundo mudou aí?
Porque aqui a luta continua para a empatia e o respeito das ordens… serem base de uma sociedade, para o bem maior. Meu eu? Lembra-se da foto acima?
Bem, no meio disso tudo. dessa pandemia. Na tentativa de não perder a sanidade de tantos dias em isolamento.. Com os devidos cuidados e uma certa fome, fui até uma hamburgueria próxima e mesmo assim não pude esquecer no limbo que me encontro…
Ora, como poderia? Que devaneio meu!
O mundo ainda está em isolamento social.
Não é mais uma solicitação. É uma ordem.
Já não era “vamos nos ajudar” era ” vamos isolar”. Parando as grandes atividades e etc… Encerrando: os aviões, os trens, as escolas, os shoppings, as reuniões e tudo que for presencial, tudo que aglomerar grandes porções de pessoas. Pser, meu eu… as “obrigações” que o impedem de ouvir nosso coração pulsante único e compartilhado, ou a maneira como respiramos juntos, foi temporariamente inativada. Nossa obrigação um com o outro, estava além de rotinas compartilhadas… agora estamos indo para um nível acima de compromisso com a vida, Sendo ela não somente a nossa. Nós não estamos bem, ainda lutamos para vencer essa pandemia. Nenhum de nós esperava por isso; todos nós estamos sofrendo e tomando os devidos cuidados.
Sabe eu do futuro, espero que esteja bem… espero de verdade, que leia isso e se lembre do quanto você foi e é forte, obrigada por nunca desistir de mim. De nos. Mas, não posso negar o histórico do mundo… sempre fomos tão curiosas.
Bem, ano passado… as tempestades de fogo que queimaram os pulmões da terra
não fizeram o mundo pausar, Nem os tufões na África, China, Japão. Nada, Nem uns dias de reflexão… Nem o clima febril no Japão e na Índia…Também, nada nos fez paralisar daqui.
Tchê. Eu não tenho ouvido, nos não temos prestado a atenção devida… Eu adimito, É difícil ouvir quando encontro-me tão ocupada o tempo todo, tentando manter os confortos ou conveniências que sustentam a mim. Mas tudo está cedendo, lembre só de você aqui, como se encontrava… em uma pandemia onde finalmente parou e percebeu que estava curvanda sob o peso de um mundo com o covid-19. Um vírus capaz de trazer as tempestades de fogo para o seu corpo, a febre. Também, as brasas para seus pulmões dificultando a respiração. Para que finalmente o mundo ouvisse: Nós ainda não estamos bem. Apesar do que você possa ter percebido, pensado ou sentido. Acredito que o ser humano pode ser seu único inimigo… Sendo ” o homem lobo do homem” como pensou, Thomas Hobbes. Mas, também podemos ser nosso sol, nossa luz.
Sendo nos os aliados e Sendo uma força de equilíbrio. Não é pedir muito ao mundo… é, meu eu? Pedir para parar, ficar quieto, ouvir… ir além de suas preocupações individuais e considerar as preocupações de todos, nessa situação de isolamento por conta do vírus. Se eles nos entenderem, veriam que estar com sua ignorância, encontrar sua humildade, abandonar seu querer e pensar profundamente no bem maior… é tão melhor. Olhando para o céu, riscado com menos aviões, e vê-lo de fato. Há se nos entendessem que o bom mesmo é ter paz e solitude. Quanto precisam que o céu seja  saudável, para que também escolham ser alguém saudável?
Muitos têm medo agora, não os culpo…
Eu também não sou 100% sempre.
Mas eu lhes dou uma dica, até pra você meu eu… Não demonize seu medo de nenhuma forma, também não o deixe te dominar. Em vez disso, deixe que ele fale com você! E em sua quietude, ouça sua sabedoria. Iram descobrir que se conectar consigo mesmo é a melhor escolha que iram fazer.
Sabe meu eu do futuro, eu sempre extrai o melhor da situação… mesmo isolada do mundo, nesse confinamento aprendi a me valorizar, as aulas online da faculdade são meio estressantes… Mas quem previu isso? Todos estamos no mesmo barco… cada um fazendo seu melhor. Agradeço aos profissionais da educação que desde sempre lutaram e não é um vírus que vão os paralisar. A situação é sim inquietante com esse vírus, ainda sim tiro o melhor! Obrigada mundo por ser cheio de surpresas… Como seria eu sem suas montanhas russas de acontecimentos? Um tédio né?!

Pser, minha pessoa futurística
Parei, Observei, Fiquei quieta.
E passei a perceber, que existia um mundo dentro de mim que eu mesma desconhecia. Quero tanto voltar pro mundo externo… mas e o meu mundo interno? Ainda bem que o conheci e pretendo o desvendar a cada dia mais.
Passei a me perguntar muitas coisas, o que talvez podemos ensinar sobre doenças e curas depois que tudo ficar bem. Com certeza te ajudarei, se você ouvir. De fato a sobrevivente fraca e forte do covid-19 tem muito a dizer, ouça.
Com amor, Nicole Sousa do passado.

Autora:

Nicole Sousa

Deixe uma resposta

Leia mais

Tempos incertos

Duas de mim: uma coluna particular

Prevenção e controle de riscos

A copinha