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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Gafe dos velhos tempos

Tem uma coisa de antigamente que já não acontece mais comigo, até porque se ainda acontecesse, não seria uma coisa de antigamente. Sabe aquela gafe de ir ao supermercado, padaria, quitanda ou qualquer outro estabelecimento que vendesse coisas, sobretudo comestíveis, com uma “listinha mental” do que precisava levar pra casa? Era tipo (mentalmente): 8 pães, 2 leites tipo B, 1 manteiga com sal e 1 maço de Carlton. Na prática eu voltava com 8 pães, que era um pedido clássico e não tinha como errar, 1 leite tipo C, algumas fatias de mortadela e 1 pote de maionese.

─ Cadê meu cigarro?

O cigarro era uma eventualidade, coisa do meu tio que morava ao lado de casa e aproveitava o frete das minhas idas ao mercadinho da esquina. Meus pais nunca tiveram o hábito de comprar cigarro, era fácil de esquecer. Vinha daí também a explicação para aquele “troco extra”, suficiente para alguns gramas de mortadela não planejada.

Esse tipo de gafe acontecia por pura falta de concentração na missão que me era dada. É que no meio do caminho surgiam umas paradas que tiravam totalmente o meu foco: era gente correndo atrás de pipa, carrocinha pegando o cachorro do vizinho que vivia na rua, tinha que olhar dos dois lados para atravessar, lição de casa que me esperava… Era muita coisa na cabeça.

Hoje isso não acontece mais. Deveria, afinal a cada ano que passa eu fico mais velho, as responsabilidades aumentam e o volume de informações processadas pelo cérebro também. Mas depois que inventaram aplicativos de compras em que eu posso fazer um checklist daquilo que já peguei ou então ter a possibilidade de mandar uma mensagem para quem está lá em casa me esperando ansiosamente, nunca mais levei bronca por comprar coisa errada!

É engraçado que com a mudança dos tempos, as gafes também mudam. Hoje a maioria de nós acerta tudo na hora das compras, mas nem por isso nos tornamos infalíveis, não existe aplicativo que salve a gente em todas as ocasiões. Uma vez, isso é sério, minha tia foi fritar um ovo e tacou vinagre na frigideira achando que era óleo. Onde diabos a gente precisa estar com a cabeça ou quantas coisas ao mesmo tempo precisamos estar fazendo para confundir vinagre com óleo?

Os tempos mudam e as gafes também. O que não muda é a nossa capacidade limitada de realizar tarefas simples quando não estamos minimamente focados.

Guilherme M. Bonfim
Guilherme M. Bonfim
Redator publicitário, cronista e roteirista.

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