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quinta-feira, 6 de maio de 2021

De um ano pra cá

Minhas crônicas de quinta.

De um ano pra cá, as coisas mudaram muito. Ou nem tanto… Talvez as coisas já eram assim, e só aumentaram em tamanho. Deixe-me, então, recomeçar.

De um ano pra cá, as coisas aumentaram muito.

Os preços aumentaram demais, a desigualdade social aumentou, a fome, o desespero, a miséria, a violência doméstica, os doentes e o luto, também aumentaram. Essa não é uma visão pessimista: é só uma leitura realista e matemática. Há grandezas inversamente proporcionais: aumentam-se os doentes, diminuem-se os leitos de UTI. Por outro lado, há grandezas diretamente proporcionais: aumentam-se os necessitados, aumentam-se também, as ações solidárias, em respeito à vida e com vistas ao bem-estar comunitário. Aumenta-se a fraternidade, enquanto, aumenta-se a pobreza de muitos e aumenta-se a riqueza de alguns.

São fenômenos (nada naturais, pois a pobreza não é natural) explicáveis pelas Ciências: humanas, exatas e biológicas. Grandes desafios continuam – como sempre fizeram – colocando à prova a nossa capacidade de enfrentá-los pelo uso do nosso conhecimento, inteligência, estratégia e “espírito de equipe”, tudo isso, maestrado pelo poder de uma boa liderança.

Se os desafios fossem fáceis não seriam desafios.

De um ano pra cá, temos vivido um “cabo de guerra” entre a vida e a economia… como se elas fossem rivais. Só que essa disputa não faz sentido, porque a vida não pode servir de moeda. E o sentido último da economia (e de qualquer outra área do conhecimento humano) deve ser o bem estar da comunidade e a manutenção da própria vida. Ou não?

Fomos obrigados a escolher um time, ao menos, teoricamente, porque na prática não tivemos escolha, apenas seguimos as ordens (ou desordens) que nos deram. No meio (porque ainda não é o fim) das contas, perdemos dos dois lados. Se jogássemos todos em um time só, teríamos mais força, com toda a certeza. Pelo menos foi o que vimos acontecer em alguns outros países, onde, ao invés do “cabo de guerra”, prevaleceu a unidade em torno do conhecimento, da inteligência, da estratégia e do “espírito de equipe”, tudo isso, maestrado pelo poder de uma boa liderança.

De um ano pra cá, temos enxugado gelo e lutado entre nós. Estamos exaustos, fracos e desorientados. E não é pra menos: dispensar tanto esforço e energia num propósito sem propósito (afinal, o cabo de guerra não faz sentido) é muito mais cansativo e muito menos eficiente que unir forças contra um inimigo em comum: o vírus.

De um ano pra cá, estamos nem lá, nem cá. Onde será que estaremos daqui a um ano? Alguém arrisca um palpite?

Luana Carvalho
Arquiteta, cria da Unesp - Presidente Prudente. Brasileira, com 27 anos de sonho e de sangue, e de América do Sul. Escrevo porque não sei guardar segredo.

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