20.1 C
São Paulo
quarta-feira, 21 de abril de 2021

Opinião: Lula elegível era tudo o que Bolsonaro mais desejava

Ontem, segunda-feira (8), os noticiários do Brasil e do mundo foram surpreendidos com a decisão monocrática e definitiva do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de anular todas as condenações do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), advindas da já encerrada operação Lava Jato.

A decisão do ministro, indicado para o STF em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff, jogou panos quentes nos debates políticos. Acontece que com a decisão do então ministro, o líder petista passa a se tornar elegível e está, até o momento, apto para disputar a corrida presidencial de 2022, tido como representante da esquerda no pleito do próximo ano.

O que chama a atenção, entre tantos fatos que levaram à decisão de Fachin, é que a decisão ocorre após um (1) mês do encerramento da Operação Lava Jato. A decisão, no entanto, não torna Lula inocente de fato, mas reconhece a “incompetência da justiça de Curitiba” para julgar o ex-presidente.

O atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não perdeu tempo e aproveitou para apontar a forte ligação de Fachin com o Partido dos Trabalhadores (PT).

O que ficou perceptível ontem é que o assunto da Pandemia de Coronavírus (Sars-Cov-2) passou a ter papel secundário nos noticiários e nas redes. Em pouco mais de 60 minutos, o assunto político conquistou mais de 500 mil mensagens nas redes sociais. O debate polarizado entre “direita vs esquerda” voltava aos confrontos discursivos.

Quem seria o maior interessado na elegibilidade do ex-presidente Lula? Jair Bolsonaro.

Bolsonaro aproveita a situação para voltar a sua oratória de polaridade discursiva e antipetista para distrair todo o público da real situação que o Brasil enfrenta durante a pandemia. Lula solto e elegível era algo que Bolsonaro precisava para tirar o foco de sua incompetência e de seus crimes de responsabilidades diante da maior tragédia sanitária do século.

Devemos lembrar que uma das decisões que favoreceram o petista, antes da canetada do ministro Fachin, adveio do indicado por Bolsonaro ao STF. Kássio Nunes é defensor do juiz das garantias e um crítico da Lava Jato. Podemos dizer que isso pode ser uma mera coincidência.

Poderíamos, após nos darmos conta de que o atual presidente da Câmara, Arthur Lira, apoiado por Bolsonaro na eleição para a presidência da Câmara, também se mostrou favorável ao ex-presidente e contrário ao ex-juiz, Sérgio Moro.

Mais adiante, o jornalista Felipe Mora Brasil dá a sua opinião acerca do posicionamento de Arthur Lira.

Coincidências ou articulações de Bolsonaro para jogar a sujeira de sua incompetência do combate ao coronavírus para debaixo do tapete? Essa articulação Bolsonarista seria capaz de levá-lo ao segundo turno para concorrer com o líder petista? O tempo dirá, mas tudo indica que sim.

Bolsonaro deve se aproveitar do sentimento antipetista para desviar o foco da pandemia e das centenas de milhares de mortos no país, graças a sua política desastrosa de combate ao vírus que ceifa a vida de milhares de brasileiros diariamente.

O discurso polarizado pode tirar o foco de coisas sérias, tais como já mencionamos: o combate à pandemia, a redução das desigualdades em meio à crise que o país passa, facilitar que condenados por corrupção e danos ao erário saiam da cadeia e que a impunidade reine, dentre outros fatores relevantes.

Enquanto o Brasil volta a se dividir entre discursos de direita e esquerda, o país dá um passo enorme para trás no quesito de combate à corrupção e à impunidade, não somente pela decisão de Fachin, mas pelos inúmeros escândalos que envolvem a família de Jair Bolsonaro e os seus aliados no congresso, tal qual o presidente da Câmara apoiado pelo Palácio do Planalto.

Wallysson Maiahttp://lattes.cnpq.br/8683005938555663
Walisson Jonatan de Araújo Maia (Wallysson Maia) é graduado em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Suas Respectivas Literaturas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte; blogueiro, designer e professor.

2 COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

Leia mais

%d blogueiros gostam disto: