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quarta-feira, 21 de abril de 2021

MISSÃO IMPOSSÍVEL, VER O (IN)VISÍVEL?

Devido à minha atividade profissional, e algumas vezes por turismo, tive a oportunidade de conhecer dezenas de cidades do Brasil, e outras mais nos vários continentes.

Na grande maioria dessas cidades, infelizmente, é grande a existência da indigência. A pobreza é uma tônica desses nossos tempos, nas grandes e médias cidades, muito maior do que se pode imaginar.

Chamou-me a atenção, a percepção que eu e vários outros tivemos, que a pobreza só nos salta aos olhos quando estamos fora do nosso meio. Esse não significa, necessariamente, a nossa cidade natal, pois essa percepção parece não ocorrer, pelo menos tão fortemente, quando visitamos cidades do nosso país. Parece haver alguns outros fatores, como o de perceber que você está numa viagem para o exterior, mais longa, ou mesmo a troca de idioma que você ouve, para dar o início da percepção citada.

Fato é que quando isso ocorre, ficamos mais aguçados no impacto visual de crianças indigentes nas ruas, calçadas e praças. Lembro-me bem do comentário de uma colega que disse haver muita pobreza na Cidade do México. Indaguei-a qual a diferença para o Rio de Janeiro, onde ela morava, e ela me respondeu que lá no México havia um maior número de crianças nas ruas, fato que silenciosamente discordei, mesmo sabendo que o fato maior era a existência, e não o número de indigentes infantis. Outra vez, fato similar ocorreu na Índia, onde com certeza há mais pobreza nas ruas, mas deve-se ressaltar que esse país tem em torno de seis vezes nossa população, o que é o contrário da situação anterior, em números, mas não em drama.

A tônica maior, e que se acentuará após esses penosos tempos de pandemia, na questão socioeconômica, é quando a maioria de nós poderá notar a inaceitável exclusão social que aflige o nosso país, e boa parte do planeta. Será que haverá mais empatia para essa questão? O que estaremos dispostos a fazer para que isso mude? Nosso grande Betinho, no combate à fome, em resposta a questão recorrente que não se deve “dar o peixe, mas se ensinar a pescar”, respondeu que nunca ninguém, que tinha fome, o reclamou por haver recebido um prato de comida. Diante de um quadro tão dramático de fome atingindo tanta gente, essas ações são, não só necessárias, mas louváveis. Necessitamos atacar essa verdadeira chaga. Mas já não seria a hora de, paralelamente, questionarmos o que causa essa situação, e o que e como poderíamos fazer para que isso começasse a se afastar da nossa visão diária, e principalmente, da vida de tantos? Do contrário, vamos ficar eternamente enxugando gelo. Já é hora de atentarmos que estamos numa situação por demais insustentável. Talvez ainda não saibamos o que seria melhor, como solução, mas com certeza já é possível vermos o que não dá para continuar. É trilhando os passos que se encontra o caminho. Uma melhor distribuição
de renda deve ser uma prioridade local, regional, nacional e mundial. Ou ainda iremos ficar sem notarmos essa “massa” de pessoas que está na nossa vista todo dia e toda hora? É possível “vermos” o que teimamos em tornar invisível?

Nesses tempos de privações, tiremos um pouco de tempo para refletir como sanar a maior privação imposta à bilhões de seres humanos no planeta, a fome, e junto, analisarmos o nosso atual estado de sociedade onde poucos têm muito, e muitos têm pouco, ou mesmo nada.

4 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente uma triste realidade, mas enquanto o dinheiro ficar na mão dos mais favorecidos, essa situação só tende a piorar. E com a pandemia, os menos favorecidos tiveram sua situação ainda mais piorada, devido aos desempregos, alta nos preços, diminuição de serviços.

    • Patrícia, com certeza o fosso social aumentará no no nosso país, mais ainda com o corte do auxílio emergencial, no qual o governo federal, via ministro da economia, nunca teve interesse, corroborado agora por uma Câmara, que aumentou suas verbas no orçamento para emendas dos deputados.

  2. Números que chocam… é uma pena vermos tantas crianças nas ruas, crianças sem acesso à educação, à comida, até mesmo à uma família. Mas, para que esse panorama mude, muita coisa deve mudar, ou até mesmo, algum programa deveria ser implantado a fim de mudar este cenário.

    • Caro Henrique, nenhuma mudança ocorrerá sem a mobilização e participação da sociedade. Os políticos só se movimentam por pressão.

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