A INSIGNIFICÂNCIA

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Hoje me banhei nas águas da praia do Iguape, em Aquiraz, Ceará. Iguape em Tupi
significa “na enseada do rio”.
Confesso que não gostava muito do banho de mar, mas tenho sido convencido por
minha esposa, e estou começando a gostar.
Deixei-me ser levado pelas ondas e força da maré, numa típica sintonia com a música
“Deixa a vida me levar”. Fiquei apenas boiando e fui sendo levado, tentando deixar o
balanço do mar e a paz da natureza assim me movimentar. Fui levado a alguns metros
do ponto de entrada do mar, e em saindo deste comecei a fazer a caminhada de retorno.
A maré estava baixa o que propiciava uma larga faixa de areia. Caminhei pela faixa de
areia próxima ao mar, e observando as pegadas se desfazendo na areia molhada, senti
que era como o passar da vida, onde cada dia passado se desfaz. A areia fina, levantada
pelo vento, batia e açoitava as minhas pernas, como uma simbologia do açoite diário
que a vida nos traz, mas que caminhando, conseguimos suplantar.
Ao final da caminhada, chegando no ponto de entrada do mar, olhei para trás e,
logicamente, não havia nenhuma marca. Fiquei a imaginar quanto leva para sermos
esquecidos, após abandonarmos essa vida, e cheguei à conclusão que, como muita sorte,
em apenas duas gerações. Ou seja, em duas gerações, para grande maioria, não somos
mais nem memória. Nossa existência limita-se assim, intrinsicamente, à nossa vida e à
memória de uns poucos para irmos mais além.
Essa é a insignificância de nossa existência.


Francisco Martins Neto

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