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terça-feira, 2 de março de 2021

Bolsonaro: Sincero, Mas Errado!

“Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. Esta frase pertence a nada menos, que Albert Einstein. O mandatário da nação, o presidente Jair Messias Bolsonaro, nem se consultasse aos “Profetas de Baal”, jamais imaginaria, que as alegrias do poder seriam sequenciadas por tamanhas dificuldades. Nem o mais habilidoso “guru” imaginaria tempos tão difíceis, como os que se nos apresentam diversos cenários vividos no Brasil e no mundo.

Com certeza, a pandemia trouxe a tona, a realidade de um país há muito, esquecido e negligenciado por aqueles que passaram pelos “encantos” do poder, pois como na própria vida, se vai do céu ao “inferno” na mesma velocidade do tempo. Ou seja, dorme-se herói e acorda – se “vilão” ou vice-versa. Na política temos exemplos prementes e escancarados, de atores, os quais; de maneira rápida e veloz, passaram de um estado a outro. Martin Lloyd Jones, um famoso escritor Inglês, escreveu uma obra, cujo título era simplesmente: “Sincero, mas Errado”. O título deste livro apresenta com muita
propriedade a característica do presidente Bolsonaro.

Qualquer brasileiro, consciente e vacinado, contra os extremos políticos, seus polos e suas jactâncias ideológicas, sabe que o mandatário maior dos poderes constituídos, tem boas intenções e busca, dentro de seu entendimento, o “melhor” para o Brasil. Torcer contra, simplesmente por uma ambição pelo poder, não representa de maneira alguma, o agir consciente daquele que deseja o bem do país, independentemente, da cor da bandeira política, hasteada no Palácio do Planalto ou da foto fixada nas diversas repartições públicas espalhadas Brasil a fora. Outro, célebre teólogo/pregador e escritor, Charles Haddon Spurgeon, considerado em seu tempo, o “Príncipe” dos pregadores, tamanha era sua capacidade elocutiva e oral, cujas mensagens transformaram multidões nos tempos avivalistas vividos em especial, na Inglaterra e Estados Unidos. Este homem da Palavra, dizia com muita propriedade: “Seja cego de um olho e surdo de um ouvido”, este conselho de Spurgeon, certamente é factual e contextual, no momento político, pandêmico e econômico. Bolsonaro é extremamente sincero, quando diz, por exemplo, que o recolhimento imposto pelos governadores e prefeitos, Brasil a fora, redundaria, numa grande crise econômica. E, as crises provenientes da pandemia trouxeram à luz, as debilidades administrativas, sociais, políticas e estruturais, pois; Bolsonaro também é vítima de seus antecessores, suas políticas e seus desmandos. Certamente ser revestido de tamanhos poderes, também, a conta a ser paga é a gigantesca responsabilidade. Uma coisa não se pode negar, Bolsonaro tem boas intenções, a própria demissão do presidente da estatal do petróleo, é uma clara manifestação de descontentamento com as políticas, até então implementadas.

Bolsonaro age corretamente, em buscar meios para desonerar a população mais pobre, conquanto; o povo já esteja com a corda no pescoço. A bem da verdade, por detrás das cortinas da política em Brasília, há um mundo de interesses dos mais diversos e inimagináveis. No que tange à demissão do
Presidente da Petrobrás, Bolsonaro é sincero, pelo viés humano, mas equivocado, quanto às regras que permeiam o direcionamento normativo imposto pela economia. O presidente da República pode ter sido sincero, quando nomeia vários pares militares, com suas patentes e estrelas, a cargos de primeiro e segundo escalões, na máquina governamental, porém; se equivoca, por exemplo, deixando a cargo de um militar, as ações de estado, quanto à pandemia e às ações a ela, relacionadas. Por outro lado, Bolsonaro precisa ser “cego” de um olho e “surdo” de um ouvido, no que se refere aos
“apoiadores”, muitos dos quais; querem mais ver o circo pegar fogo, do que, propriamente achar soluções aos problemas crônicos de um país tomado por crises. E o “auxílio” também, é sincero o presidente, quando se preocupa com o aumento da dívida pública, quando teme o enquadramento dentro da Lei que limita os custos e gastos ligados aos atos do poder executivo, porém; cometerá
um crasso erro, se deixar mais uma vez, o ônus maior da crise econômica, recair sobre os ombros da população mais pobre.

Em seu tom “militarizado” e sua forma tosca de se dirigir às pessoas, em especial, à imprensa, Bolsonaro é sincero, quando diz que há, uma gana representativa dos meios de comunicação em desgastar sua imagem pessoal e política, porém; erra, ao atacar jornalistas e órgãos de imprensa, ainda que seja verdadeira, uma préindisposição por parte de alguns jornalistas, a deturpação de sua imagem e suas políticas, ligadas às áreas da comunicação.

Como pode se ver, o presidente é sincero em suas atitudes frente ao legislativo, porém; erra, na relação com outros poderes, ainda que, já demonstre um comportamento acompanhado de uma postura, menos radical e mais consensual. Menos extremista e mais proximal. A pandemia não estava
nos planos de ninguém, mas com certeza; estragou os planos de toda gente, aqui no Brasil, como em todo o mundo.

A postura a ser adotada, não é a do radicalismo de direita ou esquerda, não é, a politização religiosa, preconizada por “líderes” religiosos, que mais querem aparecer do que, contribuir para a busca de soluções. Há um endeusamento desenfreado da “democracia”, como se ela, resolvesse todas as
nossas demandas, há um culto à democracia, quando na verdade, uma teocracia, seria uma das alternativas mais viáveis, menos honorárias e muito mais salutares, pois; “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. Que Bolsonaro seja realmente “cego” de olho e “surdo” de um ouvido, a fim de que,
compreenda clara e divinamente, qual o caminho em que se deva andar, e uma vez, conhecido o caminho. Ande por ele.

Telles dos Santos
O autor é Teólogo, Pós graduado em Teologia (PUC-PR). Formado em Pedagogia Universidade Nove de Julho, e Pós Graduado em Neuropsicopedagogia pela Faculdade São Luís e pós graduando em Ciências da Religião. (Faculdade Batista de Minas Gerais).

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