20 C
São Paulo
sábado, 22 de janeiro de 2022

Agora que já se ouviu tudo

Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos. (Eclesiastes 12:13).

PARA MUITOS A VIDA COMEÇA PELO FIM.

Como diria o jovem de hoje: “Veio…” rs. Velho é algo usado, surrado e às vezes, marcado pelo tempo. O melhor do velho é já ter “experimentado” de tudo, ou pelo menos, quase tudo. Há diferentes conotações para “velho”.

Pode se referir à idade, outras vezes ao uso, e outras; a proximidade do final. Final da vida, final de uma história, final de uma passagem, e/ ou, apenas ao final de um começo. Verdade seja dita, enquanto houver vida, sempre haverá um começo, porém; no texto em que estamos a refletir, a conclusão, a qual; o autor chega é: as perdas, as dificuldades, os devaneios, as crises, etc. Não representam um fim em si mesmos, pelo contrário; a vida começa muitas vezes, pelo fim.

Ele viveu tudo e ao mesmo tempo, não viveu nada, porque o tudo sem Deus é nada, e o “nada” com Deus é tudo. Qual é a conclusão de tudo? Qual a conclusão de ter tido tudo? Dinheiro,ii Conhecimento,iii Fama,iv Bens materiais? Na grande maioria das vezes é o desejo que se chegue o fim! Por esta razão, muitas vezes, o que nos resta são apenas frustrações, amarguras e desilusões. Pelo o que já fez, como também; pelo que deixou de fazer. Há pessoas que o ter em si mesmo não representa o significado do ter, enquanto outras, mesmo não tendo e possuindo, vivem tendo sem nunca ter tido. O livro de Eclesiastes aponta essas nuances da vida humana. Vazio é a ausência de algo, de tudo ou para alguns, de quase tudo.

Começar pelo fim, às vezes, é a melhor saída para um bom começo! Para o filho pródigo, a vida começou pelo fim foi preciso terminar para começar, o dinheiro acabou! A dificuldade chegou e o que lhe parecia o fim foi o começo de uma nova vida.

Quem consome confia em si mesmo, quem é consumido confia no outro, foi preciso chegar ao final da linha, conhecer o fim da estrada, a fim de chegar á conclusão: “Agora que já se ouviu tudo e já vi de tudo, aqui está à conclusão: Tema a Deus!”. Para a mulher adúltera, a vida só teve um começo, quando esteve por um fio! As pedras já estavam apontadas, as línguas afiadas, a Lei determinava, “ela deveria ser apedrejada”, porém; uma voz ressoava no silêncio, as mãos escreviam no chão e os pensamentos, se contorciam de forma pulsante, dentro de um homem, cujo amor, ditava às elucubrações de sua mente fértil, que como uma semente, germinava nos canteiros da alma, muitas das quais, imaginaram: Agora é o fim!

O moralismo, associado ao legalismo e impulsionado pelo fanatismo moral-religioso, gritava em alto e bom som: “A Lei o diz, ela deve morrer!”. O coração daquela mulher estava prestes a sair pela boca, e os homens da “Lei” clamavam por “justiça”, ou; suas consciências pulsavam movidas pelo
remorso?

A semente precisa morrer para germinar, a vida iludida pelo prazer, estava prestes do fim, pois o seu fim; era a certeza de um novo começo. Começava ali, a luz da aurora brilhante até se transformar em um dia perfeito! O amor superou o ódio da moral, dissecou as raízes amargas do julgamento: por fim; veio á absolvição da alma, a liberdade do corpo e a soltura do espírito, “vai e não peques mais”.vi Lá foi ela seguir o seu novo caminho.

Para o homem que acabara de ser roubado, humilhado e ferido, a vida parecia ter chegado ao fim. Naquele tempo, as aberturas existentes entre as rochas serviam de esconderijos aos bandidos, os quais; ficavam ali, a espreita do primeiro que ali passasse.

Inclusive, quando no Salmo (121) se lê: “Elevo os meus olhos para os montes de onde me virá o socorro?”. Ele segue na continuidade do texto: “O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra”. Aquelas regiões montanhosas da Judeia e regiões escondiam surpresas desagradáveis. Até que após passarem por ele, um Levita, um sacerdote, chegou-se até ele, um samaritano. O bem muitas vezes, vem de onde menos se espera. Os Judeus não desfrutavam de uma boa relação com os Samaritanos, daí pode se tirar a explicação, do porque, alguns passaram de largo. Hoje em dia, diríamos:

“saíram de fininho!”.

O Levita e o Sacerdote, “são as águas passadas que não movem moinho”, é a vida regrada por interesses pessoais, é o homem que vê, uma mulher ser atacada e finge que não vê, é o motorista que avista uma anciã atravessar uma avenida, e pouco se incomoda com suas debilidades motoras de locomoção. Conquanto, muitos passem e finjam que não vê, sempre haverá, aquele que irá se importar. Sempre haverá aquele que irá parar!.

“Passar de largo” nesse contexto aqui, não é não ver, mas ver e não se mover ver e não sentir perceber, e assim mesmo partir! Quais são as evidências do fim? Passou o Levita levitando em seu próprio egoísmo, passou o Sacerdote; talvez, com o mesmo pensamento frívolo de muitos “pastores” de hoje: “vou orar por você” quando na verdade, a vida requer mais que um milhão de orações, porque muitas vezes; uma única ação tem maior força, do que um milhão de orações. O apóstolo Tiago sabia bem o que isso significa. Porque, aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado. Fazer o bem não significa dar uma nota de 100. Fazer o bem é o que te move, é algo de dentro de você, pois; Judas, ao contrário dos que apresentamos aqui fez o caminhar inverso; seu fim não teve começos, ele simplesmente foi um fim em si mesmo. E como ele, muitas vidas só tem um fim em si mesmas. Davi era um coração sempre disposto a começar. E assim; é a vida sem começos no seu fim. Ela será apenas um fim! O “fim” de Jesus foi o maior de todos os começos, como uma semente caída no solo da existência humana produziu cem, duzentos e continua gerando novos começos, no sentido de que estes novos começos, batam o martelo, no sentenciamento do fim.

Autor: 

Pr. Claudinei Telles dos Santos

Palavras-chave: Educação; Pedagogia; Libertação; Oprimido; Paulo Freire; Leonardo Boff; Teologia

ii 1ª Timóteo 6:10.
iii Eclesiastes 1:18.
iv Eclesiastes 1:11.
v Eclesiastes 2:01.
vi João 8:1-11.

Telles dos Santos
O autor é Teólogo, Bacharel e Pós graduado em Teologia (PUC-PR). Faculdade Teológica Sul-americana (FTSA) Formado em Pedagogia Universidade Nove de Julho (uninove SP) e Pós Graduado em Neuropsicopedagogia pela Faculdade São Luís (SP) e pós graduado em Ciências da Religião. (Faculdade Batista de Minas Gerais).

2 COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

Leia mais

%d blogueiros gostam disto: