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Edição n.º 1483 de 21/11/2009

Os tortuosos caminhos da era Lula

A repercussão do alerta emitido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os rumos do governo Lula ainda ecoa de forma positiva. Sem qualquer margem de dúvida, a responsabilidade e o talento do chefe de Estado, mesmo no retiro, estão a serviço dos melhores propósitos do País.
O artigo da lavra de Fernando Henrique intitulado "Para onde vamos?" transcendeu o mero registro para os anais históricos e veio estimular à reflexão os vários atores da sociedade brasileira, além de contribuir sobremaneira para reordenar os partidos de oposição diante dos tortuosos caminhos percorridos pela administração petista.
A vocação autoritária maquiada pela mentira governamental foi sobejamente identificada pelo autor e integra o rol de sinalizações e advertências contidas no mencionado artigo jornalístico. Na esteira do que afirma o ex-presidente da República, destaquei da tribuna do Senado Federal que, em meio a uma seqüência orquestrada de transgressões diárias e de lampejos autoritários, a gestão Lula se notabiliza pelo desapego à ética e às práticas da boa administração pública.
Quem fiscaliza é combatido, quem critica é execrado. Assistimos o presidente da República "amaldiçoar" em praça pública, em showmícios patrocinados pelo erário, os que lhe fazem oposição democrática e auxiliam o Parlamento na digna missão do controle externo. As inspeções e auditorias regulares realizadas pelo TCU, na avaliação presidencial, são rotuladas como entraves à ação governamental.
Nós podemos aduzir aos comentários do ex-presidente Fernando Henrique fatos recentíssimos que demonstram novos meandros da relação de promiscuidade entre as esferas pública e privada, num reforço permanente das práticas inescrupulosas desvendadas nos subterrâneos do "mensalão". Um ministro do Supremo Tribunal Federal, nomeado há pouco tempo, celebra sua assunção à Suprema Corte com verbas oriundas da Caixa Econômica Federal. O dinheiro público custeia convescote brasiliense na ausência absoluta de qualquer resquício de escrúpulo e moralidade. Se fosse um congressista seguramente pediriam que fosse julgado por quebra de decoro parlamentar.
O silêncio oficial diante do descalabro moral fortalece e renova a tolerância do rei em face dos deslizes dos súditos. No reino da frouxidão moral cada transgressor é agraciado com um afago e a condescendência ilimitada faz "escola".
Não podemos nos curvar diante da desfaçatez em marcha. Devemos atuar exigindo providências, sobretudo para clamar pelo fim imediato das práticas autoritárias que consubstanciam interesses escusos acobertados muitas vezes pelo marketing da mentira, que, diga-se de passagem, tem sido utilizado com muita eficiência pelo Presidente da República.
As rotas traçadas na cabine de comando da nau dos insensatos no poder inspiram cuidados e temores àqueles que almejam um futuro promissor e seguro para o Brasil. A vigilância cívica impõe a todos nós um exercício de exaustiva reflexão. Em razão do desgaste das instituições e das siglas partidárias submetidas aos caprichos do mandatário de inquestionável popularidade, não podemos capitular e aceitar tangenciar o imponderável de alto potencial desagregador em termos de nação. O alerta está posto. Buscar um itinerário menos sinuoso e arriscado é tarefa inadiável.

* Senador Álvaro Dias, 1º vice-líder do PSDB.

  

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